No dia 25 de Setembro, às 22h, a sala Nietzsche da Fábrica do Braço de Prata (FBP) recebe Ha Kwai (André Xina) e Mama Tjutju (Lærke, vinda da Dinamarca) – artistas convidados por Juninho Ibituruna, músico residente da FBP. Trata-se de um concerto a três, numa das salas mais bonitas da FBP, que se destaca por ter partido de experimentações ao piano e pelo seu carácter multicultural.

Tendo o piano acústico como inspiração, este concerto resulta da relação entre três ambientes musicais diferentes: a percussão de Juninho Ibituruna, o processamento electrónico e sampling de André Xina e, finalmente, o piano e voz de Lærke. “Não se tratando exatamente de uma jam session porque temos temas pré-estabelecidos, haverá abertura para improvisação”, revela Juninho.

O concerto de dia 25 de setembro na FBP tem como base a residência artística que Xina e Lærke fizeram num espaço rural perto de Estremoz, no âmbito do evento “Dias Abertos” organizado pelo colectivo “O Bosque”. Consiste num evento gratuito, muito familiar, caracterizado pela imersão na natureza e pelo espírito de partilha em comunidade. Inclui atividades como workshops, debates e passeios, atraindo participantes de vários países, nomeadamente quem deseja fazer uma pausa do ambiente urbano. André Xina revela que, à medida que foi visitando o colectivo “O Bosque”, se apaixonou pelo piano acústico que lá estava. Foi assim que surgiu a ideia de trabalhar com esse instrumento, aproveitando o que dele pode ser extraído para processamento electrónico. Xina conta que lhe interessavam “todas as sombras e subtilezas que podem estar escondidas no piano acústico”. Foi também nesse ambiente, longe do crepitar das cidades, que Xina conheceu Lærke – artista dinamarquesa que estava de passagem pelo colectivo. Ambos convergiram para  intenção de criar e recriar partindo do piano acústico.

Juninho tomou conhecimento do trabalho de Xina e Lærke e os três artistas resolveram criar o concerto de dia 25 de setembro na FBP.

Ha Kwai é o projeto a solo do músico André Xina que, tendo nascido em Lisboa, viveu 7 anos em Macau enquanto criança/adolescente. Já viajou por diferentes continentes – o que terá enriquecido o seu background musical. O nome Ha Kwai surgiu dos anos que passou na China. “É um nome chinês e era o que me chamavam lá”, explica Xina. “Só depois descobri que era um nome pejorativo dado a africanos (…) que significa diabo preto. Eu tenho descendência cabo-verdiana. Mais tarde, Ha Kwai tornou-se o alter ego para um certo tipo de músicas que fazia, músicas com um carácter mais íntimo e mais sombrio, mais verdadeiras também, mas que não cabiam nos projetos que tinha nessa altura”. Posteriormente, surgiu em Xina a necessidade de se apresentar a solo e o uso do nome Ha Kwai foi inevitável. Neste projeto já foram lançados 3 conjuntos de músicas (EPs) e há um quarto a caminho.

Por sua vez, Mama Tjutju é o nome artístico de Laerke – cantora, pianista e compositora dinamarquesa. Encontra-se a compor o seu primeiro álbum, integrando colaborações tanto em terras lusas como na Escandinávia.

Para saberes mais sobre o evento, clica aqui.

 

Texto de Maria Costa

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.