O Dia Mais Curto volta a celebrar a curta-metragem, através da exibição de uma seleção de películas nacionais e internacionais, para adultos e crianças, nos mais variados locais de projeção por todo o país, como cinemas, bibliotecas, museus, televisões, online ou mesmo transportes públicos. A oitava edição da iniciativa teve início no primeiro dia deste mês de dezembro e termina dia 29, culminando a 21, data que marca o solstício de Inverno e em que se assinala o dia mais curto do ano.

A Agência da Curta Metragem, responsável pela iniciativa em Portugal, apresenta este ano quatro programas diversificados. Com a secção “Curtas do Mundo”, o público poderá assistir a algumas das obras exibidas na mais recente edição do festival Curtas Vila do Conde. O programa nacional “Novas Curtas Portuguesas”, por sua vez, inclui curtas metragens de vários pontos do país e de todos os géneros, desde a animação ao documentário, passando também pela ficção, enquanto as secções dedicadas aos mais jovens, “Curtinhas para Todos” (M/6) e “Amiguinhos” (M/3), contemplam muita animação.

À programação oficial somam-se ainda as programações próprias das várias associações ou cineclubes que aderiram ao evento, sessões especiais para escolas e exibição televisiva (na RTP2 e TVC2), online e ainda, no dia 21 de dezembro, entre os pontos de partida e chegada das ligações de transportes públicos da Metro do Porto.

Nesta oitava edição, destaque ainda para a exibição em sala da obra completa de Regina Pessoa – reunida sob o título “Quatro Janelas Discretas Para o Mundo de Regina Pessoa” –, numa colaboração com os cinemas Trindade (do Porto) e Ideal (de Lisboa) e com estreia marcada para o dia 17 deste mês. A iniciativa “torna possível assistir, em pouco mais de meia hora, à evolução da obra da autora ao longo dos vinte anos que decorrem desde a estreia do seu primeiro filme, “A Noite” (1999), até  ao mais recente, “Tio Tomás, a Contabilidade dos Dias”, que recebeu, em janeiro deste ano, o Annie Award, atribuído pela divisão de Hollywood da ASIFA, esteve ainda na shortlist dos prémios da Academia e está nomeado para os European Film Awards na categoria de curta-metragem”, explica, ao Gerador, Miguel Dias, diretor da Agência da Curta Metragem. “A grande coerência estética, um universo muito próprio e uma universalidade que torna estes filmes recomendáveis para públicos de qualquer origem ou idade, fazem de Regina Pessoa um nome fundamental do cinema português deste século, e não apenas do universo da animação”, reforça.

Os bilhetes estão à venda nos locais onde se realizam as sessões e variam entre a entrada gratuita e os 4 euros. Consulta toda a programação aqui.

Neste momento, existem cerca de duas dezenas de localidades onde estão previstas 50 sessões, “embora possam algumas ser canceladas, se as medidas adotadas nos próximos estados de emergência assim o impuserem”, refere o diretor. “No caso particular do cinema, este ano de 2020 regista uma quebra próxima dos 80% no número total de espectadores. O Dia Mais Curto, mesmo numa perspetiva otimista, não poderia ser exceção.”

No ano passado, O Dia Mais Curto totalizou quatro mil espetadores, com 48 filmes exibidos em 28 cidades portuguesas, através de 86 sessões. “Considerando os números alcançados em anos anteriores, onde tem existido uma média de quase uma centena de sessões distribuídas por cerca de 30 localidades em todo o país, parece-me que o balanço só pode ser positivo”, diz o responsável. “Num país excessivamente centralizado como é Portugal, estes números ganham ainda maior relevo, já que o evento chega de facto a todas as regiões do país, entre capitais de distrito e pequenas vilas ou aldeias, muitas delas sem uma programação de cinema regular”, acrescenta. E existe ainda, em Portugal, entende o Miguel Dias, “uma dificuldade adicional, que é a quase total inexistência de exibidores de cinema independentes e com salas nos centros das cidades com um ou dois ecrãs, que à partida são os espaços, onde este tipo de iniciativa tem mais possibilidades de sucesso”.

Este ano, com “as restrições em termos de horários, a perceção de risco de contágio, teatros municipais que cancelaram a sua programação”, registou-se uma já esperada diminuição no número de entidades que aderiram à iniciativa. “Apenas o esforço de manter alguma normalidade e a atitude de resistência de algumas entidades tornam possível que, apesar de tudo, as atividades culturais possam continuar”, nota.

Já sobre a importância da curta-metragem no contexto do cinema português, o diretor da Agência da Curta Metragem acredita que “para além de ser o espaço por excelência onde se revelam novos autores e técnicos – muitos deles têm passado com sucesso para a longa-metragem –, tem sido também muito por via da curta-metragem que a presença do cinema português nos principais festivais de cinema mundiais se tem notado, e com a obtenção de alguns prémios, com destaque para aqueles obtidos em festivais como Cannes ou Berlim, que até há pouco tempo eram inéditos para a nossa cinematografia.”

O Dia Mais Curto é um evento mundial que, inspirado no solstício de Inverno, celebra o formato curta-metragem. A ideia teve origem em França, em 2011, sendo atualmente comemorada em vários países do mundo, como Suíça, Finlândia, Dinamarca, República Checa, Sérvia, Croácia, Áustria, Países Baixos, Polónia, Canadá, Espanha, e muitos outros.

Texto por Flávia Brito
Fotografia de Luis Quintero via Pexels

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O Dia Mais Curto 2020