Das letras às Artes, o Cinema bateu à porta de Débora Gonçalves. A “aspirante a Realizadora”, tal como gosta que a chamem, é uma curiosa que se dedica à cidade portuense, com Amarante no coração.

Depois de passar pela Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, onde estudou Cinema, encontra-se a fazer um mestrado em Comunicação Audiovisual, com especialização em Produção e Realização, na Escola Superior de Media, Artes e Design ESMAD.

Após receber uma nomeação honrosa pela curta-metragem “Teus Braços, minhas Ondas” (2019), já passou por festivais como Porto FEMME e o ShortCutz Aveiro.

Foi através da História que percebeu o seu caminho e é através dela que promete fazer um Cinema “justo e correto”.

A Débora esteve à conversa com o Gerador e contou-nos como foi este processo de autodescoberta de si mesma e da sua arte.

Gerador (G.) – De que forma o Cinema e a Débora se cruzaram?

Débora Gonçalves (D.G.) – Eu fui para Humanidades a achar que ia para Direito. Era aquela decisão segura, boa de dizer à família. Era muito novinha.  
Então, isto de Humanidades foi porque eu detestava Matemática, não gostava muito da parte das Línguas, mas gostava muito de História.
Como não ia para CT (Ciências e Tecnologias), foi uma tristeza dos meus pais. Não podia fazer Artes, uma miúda de 15 anos ia para fazer o quê? Mas a verdade é que sempre gostei muito de Cinema e tenho uma história muito engraçada!       
Quando eu tinha14 anos, andava na ESA (Escola Secundária de Amarante). Estudei desde o 7ºano ao 9ºano lá. A professora de História era incrível!
Estávamos a estudar a Segunda Guerra Mundial e eu, naquela altura, já via muito Cinema. E comecei a escrever um guião. Nunca na vida sabia como é que se escrevia um guião. Então comecei a escrever um guião em Word, que era sobre a Segunda Guerra Mundial. E eu realmente gostei muito de escrever aquilo, de como é que ia acontecer a narrativa. Nunca achei que podia ir para Cinema.

Depois, durante o secundário, comecei a ver muito mais Cinema e comecei a frequentar o Clube de Cinema da ESA. Foi quando comecei a ter contacto com este mundo. Naquela altura, não conhecia muito bem o formato de curta-metragem, o Cinema de Autor… e quando o comecei a descobrir pensei: “é isto que quero fazer”.
Não me via propriamente a fazer um Velocidade Furiosa. Gostava muito de todo o aparato do Cinema, mas quando descubro o Cinema de Autor, o formato da curta-metragem, um Cinema mais social, mais voltado para as questões da vida e um pouco mais socialista, foi quando me deu o “chip” de “quero fazer isto.
Nessa altura, foi a época em que estava no meio do secundário, mas depois tive imensos problemas. Comecei a ficar muito deprimida, porque tive imensos problemas em casa. Em tentar convencer e explicar que queria ir para Cinema e não Direito. Eu era relativamente boa aluna e tinha uma média, não excelente, alta. Então a questão era: “Porque é que vais para Cinema?”. Era difícil justificar o porquê e isso deixou-me logo ali numa situação em que tive de “bater o pé” durante muito tempo para conseguir realmente ir para a Escola.

G. – Sentes que, atualmente, as tuas escolhas já estavam definidas e que as pessoas ao teu redor as aceitam de uma forma mais positiva?

D.G.- Agora, sim! Realmente viram que eu, a partir do momento em que fui para a faculdade e comecei a estudar Cinema, a fazer coisas de que gostava, acho que mudei bastante. Tornei-me uma pessoa muito mais feliz, a fazer realmente aquilo que gostava. Automaticamente, ficas mais feliz e em paz. E passas isso para as outras pessoas, para a tua família, e o que querem é ver-te bem.

Eu acabei a licenciatura, fiz cinco curtas durante o meu curso, todas elas já foram a alguns festivais, nomeadamente, o filme com que eu acabei o curso, com um impacto maior. Então, os meus pais estão bem, mas com receio, principalmente com esta questão da precariedade. Nunca vais ter muito trabalho, não vai ser aquela coisa de um trabalho das 9h às 17h. Não vou ter isso, nem sei se quero! Mas já estão a aceitar.

Eu também consegui ter alguns trabalhos depois de ter terminado o curso. Consegui fazer algumas coisas na área e eles, “OK, se calhar não está tudo perdido. Vamos dar o benefício da dúvida.”  Acho que é sempre difícil um pai ter um filho artista.

Curta-metragem, “Teus Braços, Minhas Ondas”

G. – Olhando para a tua última curta-metragem, “Teus Braços, Minhas Ondas”, como descreves todo o processo até chegares ao resultado final? Desde o início que idealizaste este projeto desta forma?

D.G.- Quando fui para a faculdade e percebi como é que funcionava o curso, sabia que ia chegar a uma altura em que teria de realizar um projeto final para terminar o curso.
Desde o início, sabia que queria fazer um filme sobre a crise económica. Não necessariamente que a crise fosse a grande protagonista do filme, mas queria que o cenário transmitisse uma situação de extrema fragilidade. Então, foi uma ideia que esteve presente desde o início. À medida que foram passando os anos da licenciatura e cheguei ao 3ºano senti que seria a altura de assentar e pensar — “OK, que história vai ser esta? E, no meio disto o que é que vou poder contar da nossa realidade e dos nossos problemas sociais ”.

Temos grandes realizadores que fazem isso muito bem e eu pensei que não haveria nada que fizesse mais sentido do que isso naquela altura, ou seja, colocar uma situação de amor profundo com uma situação de dor profunda e de grande fragilidade.

 Escrevi o último dia na vida de um casal, com os seus 40 e poucos anos que decide cometer o suicídio em conjunto. Isto porque já não aguentava mais e era aquela coisa de “eu não te posso dar mais nada, então vou dar-te a minha vida. Isto era o meu filme.

Obviamente, não estava à espera de que, de repente, fossemos entrar novamente numa crise e que isto fosse, outra vez, parte do presente.
Como ponto de situação, eu fui mostrar o filme ao Short Cutz Aveiro, estava a falar com as pessoas e partilhamos o quão atual está. Outra vez, a viver um pesadelo. No entanto, acho que foi sempre a ideia presente até chegar a altura de escrever o guião.

G. – Tendo em conta a atual realidade pandémica e olhando para a evolução do Cinema quer português, quer internacional, o teu filme poderá ser também uma reflexão, em algum momento, da sua evolução e valorização?

D.G.- Não sei exatamente se terá essa ligação. Confesso que não me considero uma realizadora feita. Para já, tenho alguns filmes, já tenho algumas obras. É uma coisa que eu gostava de estudar mais no futuro e investigar. Acredito que o Cinema de autor é um cinema que reflete muito, pensa sobre si mesmo e sobre o contexto em que surge. E, nesse sentido, acho que no meu filme percebem automaticamente as referências ao Pedro Costa, Rafael Gomes ou Salaviza. Percebes o contexto em que o filme surge, uma tentativa de puxar um bocadinho e, num contexto de Cinema Europeu, um Cinema em que se debruça sobre certas problemáticas, acho que o filme é uma tentativa de chegar ali com as suas fragilidades. Foi realizado num contexto de escola, não acho que seja propriamente a refletir sobre o Cinema, mas sim como mais uma maneira de contar uma história que o Cinema gosta muito de ouvir, que os realizadores pensam. Acho que sou só uma aspirante.

G. – Falando em referências, sentes que te identificas com algum realizador ou artista em particular?

D.G.- Sou muito fã de um realizador grego, o Teodoro AngeloPoulos. É um realizador que tem uma obra não muito extensa — nessa altura fez cerca de sete filmes que tiveram projeção.
Já faleceu há muitos anos, tem um filme que se chama “Paisagem na Neblina” que, embora não seja propriamente da narrativa, não tem nada que ver com aquilo que fiz. Dá-te ali uma visão da sociedade Grega, da camada da sociedade não privilegiada, que me chocou e emocionou. Fez-me pensar, “OK, é por isto que eu quero fazer cinema”. Eu acho que as grandes referências, comigo e com muita da malta que quer fazer Cinema, nem é tanto pela forma como nós queremos fazer igual, imitar aquele realizador, formato ou estilo.

Eu gosto muito de ir à sala de cinema ver os filmes. É àquela sensação em que eu vou ver um filme e não consigo sair da sala assim, logo que o filme acaba, fico sentada ali. Vou processar isto tudo ao sair da sala de cinema, tão emocionada. É então que percebo que é exatamente aquilo que eu quero fazer. Quero falar sobre isto, desta maneira.

As referências acabam por vir um bocadinho pela sensação que me despertam. Eu sinto que este filme é perfeito e eu quero um dia conseguir chegar àquele nível, de deixar o espectador a sair de uma sala de cinema assim.

G. – Sabendo que és acima de tudo uma espectadora, acreditas que este processo de receção e significação pode, de certa forma, alimentar a crítica cinematográfica?

D.G.- Eu acho que o Cinema ou qualquer forma de arte não vive sem o espectador, especialmente os filmes. Tu vais a uma sala de cinema, ver um filme de uma hora e tal, as pessoas reparam em pormenores diferentes, assimilam as histórias de maneiras diferentes. Acho que ser espectador é quase tão importante quanto ser o autor. Isto porque é uma coisa que o autor dá e tem de estar disponível para receber. Um não existe sem o outro.

É toda uma discussão que se pode fazer de ver o filme, porque as pessoas que vão têm sensibilidades diferentes.

G. – Atualmente, temos vivido uma maior procura no que toca a plataformas de acesso a filmes e séries. Voltando-nos para o Cinema de autor, consideras que o catálogo que disponibilizam é mais restrito? Acreditas que poderá estar associado a um leque específico de realizadores ou produtores que, de alguma forma, se destacam no mundo do Cinema?

D.G.- Eu acho que a sociedade contemporânea considera ser cinema o Cinema de Hollywood. Para a grande maioria da população é o cinema de Hollywood. Eu comecei a perceber agora que existem outras plataformas, com outros filmes, por exemplo a Netflix, que começa a ter alguma abertura para mostrar outro tipo de Cinema que não o comercial, mas acho que também por influência da Televisão e da própria imprensa, estão habituados a ver um filme com aquele formato. É muito difícil tentarmos mostrar um filme de Béla Tarr a uma pessoa que está habituada a ver Star Wars.

O Cinema português ainda sofre muito disso, porque há poucas décadas o nosso grande realizador era e continuará a ser o Manoel de Oliveira.
A questão é que as pessoas não estão realmente preparadas para ver esse tipo de Cinema. O problema existe, porque não há preparação e é preciso que haja esta instrução para, da mesma maneira que há várias formas de Literatura, vários géneros, também há muitos no Cinema.
E também há muita coisa. Tendencialmente, as pessoas associam o Cinema de autor a um Cinema mais lento, com planos muito longos, parados. No entanto, o Cinema de autor não é um Cinema parado, nem necessariamente lento, mas é essa ideia que passa. Acho que agora tem de ser feito algum trabalho neste campo, a instrução e criação de novos públicos, mas ainda é um caminho longo.

O Cinema português tem grandes fragilidades, desde a forma como se interpreta a si próprio, como se conhece a si próprio, portanto, não acredito que nos próximos anos haja abertura do próprio cinema para se tornar mais acessível à sociedade portuguesa.
O João César Monteiro disse uma vez — “eu quero que o público português se foda” — e, lamento imenso dizer, que eu ainda hoje acredito que há muitos realizadores portugueses que ainda querem que o público se foda.

G. – Tendo em conta este contexto que vivemos, sentes que o Cinema português sofre uma desvalorização a nível institucional? Ou é algo que já ocupa algum espaço no tempo?

D.G.- Não posso deixar de dizer que o Cinema português é um Cinema Elitista; que se guarda para si próprio; é um cinema que não é tão acessível quanto isso e é extremamente degradante para as pessoas que tentam fazer alguma coisa e que não nascem já com algum nome. Sim, porque o Cinema português é altamente burguês. Se fores ver a genealogia de grandes realizadores vais conseguir perceber que há cruzamentos, claramente, que advêm de situações com mais poder, com mais dinheiro, com mais possibilidades e isto passa também depois para os festivais.

Depois, acaba por ser útil para o festival ter aquele realizador, que teve não sei onde e assim não se criam oportunidades. É desta forma que a coisa não se generaliza e, assim, não se renova. Todos os anos, nos vários festivais, na competição de filmes de escola tu consegues ver isso. Aparentemente, em Portugal, só existe uma escola de Cinema. Começou a subir outra agora, nos últimos anos, mas os outros não existem. Eu acho que existe inclusive muito preconceito. Eu estudei na Covilhã, na Beira Interior, e digo-te que a nível nacional eu, sou suspeita, gostei muito de estudar na Covilhã. Achei para mim, para enriquecimento pessoal, que o facto de ter estudado naquela cidade, naquela escola em específico foi incrível por vários fatores: abertura das pessoas, tempo para pensar, tempo para ler, tempo para fazer uma data de coisas. Depois, não é uma escola que tenha material de grande qualidade, que tenhas as melhores condições, os melhores estúdios para fazer cenas incríveis. No entanto, para mim, isso não faz sentido, porque não é o material que faz o filme. Portanto, eu gostei de estudar lá. Agora, não posso negar que, durante várias conversas, tive malta a comentar inclusive “então pá, estudaste na Covilhã no meio do monte, com aqueles campónios?!” Estes comentários surgem através de pessoas que não estudaram lá, que não são campónios e que do nada são grandes realizadores.
Então sim, o Cinema português tem um grave problema dentro de si mesmo e não tem abertura para dar oportunidades às pessoas.

Eu acredito que as produtoras não têm muita capacidade para abarcar com novos realizadores porque, em Portugal, não há dinheiro para fazer filmes. A questão é: seria bom não criarem aquele ambiente de se aniquilarem uns aos outros, porque é isto que acontece.

É muito estranho, porque eu estudei Cinema a saber que a partir do momento que eu te digo “vou estudar cinema” eu estou, automaticamente, a abdicar de certas coisas que a sociedade diz que preciso de ter para ser normal: ter uma vida estável, comprar uma casa, um carro e ter filhos porque vai ser algo linear. Como é que uma sociedade permite que isto aconteça?
Eu acho que em Portugal tem muito potencial para Cinema, para audiovisual, é um país maravilhoso, muito bonito e muito barato. Em comparação com outros países é muito barato filmar cá. Ainda assim, a grande maioria da malta que estuda cinema, não tem trabalho ou consegue algo ligado minimamente à área, a trabalhar para televisão, por exemplo.

Curta-metragem “7ªAsa”

G. – A 7ª Asa é um curta com olhar bastante autoral e pessoal. De que forma está ligada a outros projetos, nomeadamente, o Gatilho?  Tens mais projetos a caminho?

D.G.- Uma das pessoas fundamentais na minha vida, principalmente na fase em que eu disse que queria estudar Cinema e que me ensinou a ver muita coisa foi a Elsa, foi minha professora de filosofia, incrível ser humano, uma cinéfila de primeira.
Então, foi impecável porque cruzamo-nos ali em alturas da vida, uma da outra.

Quando saí da secundária, eu estava a “trabalhar” com ela na implementação do Plano Nacional de Cinema na Secundária e fui muitas vezes com ela percorrer as salas a ensinar aos mais novos alguns conceitos relacionados com o Cinema. Mostrava filmes aos miúdos e eu presenciava aquela reação. Depois disso, quando saí da escola, estive um ano na faculdade, vi mais ou menos como é que se fazia um filme e, no 2º ano da minha licenciatura, fui para a Secundária e filmei um documentário que se chama a Sétima Asa. Vai estrear no próximo mês. Foi muito interessante filmar lá, porque estava relacionada com uma etapa da minha vida, foi fixe fechar um ciclo. Depois disso, a minha ligação com o Gatilho, foi através do apoio ao filme.

Eu tinha feito um workshop de fotografia com eles, mas a minha relação com eles parte também do apoio ao filme. Fiz imensas entrevistas com eles, foram incríveis. O documentário tinha este nome (Sétima Asa) porque o trabalho que os alunos estavam a fazer tinha como tema os pássaros. Na altura, viram Pasolini e fizeram trabalhos manuais sobre os filmes que viram.

Outra das curtas que gravei foi em julho, em Vila do Conde. A Canção das Mortes Trágicas consiste na gravação de atrizes em palco, Ana Brandão e Margarida Carvalho. Na atura, na Os teus braços, minhas Ondas, conheci a Ana Brandão, que foi a protagonista do meu filme e ficamos muito próximas. Além da realização, eu queria muito trabalhar a ligação do teatro e do cinema, perceber o que é que está por detrás da peça e como é que os atores vivem.

G. –Olhando para a sociedade contemporânea, o que mais te preocupa com o atual impacto do Cinema português?

D.G.- Para ser sincera, o que realmente me preocupa é mesmo a camada adulta, que já tem filhos, principalmente as mulheres. Estas são trabalhadoras, mães e que, muita das vezes, não conseguem fazer nada, a não ser beber um café. Esta camada também está submetida a um grande estereótipo no mundo do Cinema e isto acontece por causa dos “ismos”.
Muito sinceramente, todos os “ismos” são perigosos. Eu estou ligada ao Porto FEMME e tenho um posicionamento muito feminista que carrego comigo. Estamos a falar de um Cinema português que bebe ainda do machismo. Os realizadores de ficção são essencialmente homens. As mulheres que em Portugal fazem cinema, na sua maioria, são logo direcionadas para o Documentário, porque é muito mais barato.

Eu senti na pele, enquanto estudante, o peso de ser mulher e estar a fazer um projeto com um aluno homem. Eu não consegui financiamento e ele sim!
A sociedade ainda ridiculariza muito o feminismo, acham que “agora está na moda”.

G. – Acreditas que a influência cinematográfica pode influenciar o olhar perante a tradição e a cultura?

D.G.- Sim, completamente. Eu quero continuar a fazer cinema, porque acredito no Cinema. Não apenas como uma forma de Arte que eu escolhi para me expressar, mas é uma coisa que eu tenho muito consciente e, de alguma forma, é um meio pelo qual eu consigo e quero expressar a minha arte, o meu Civismo. Quero que o meu Cinema seja reflexo da forma como eu olho para o mundo, para as pessoas. E isso sim, é altamente importante. Acho que o cinema tem essa capacidade. É uma coisa que eu acho ter uma capacidade para sensibilizar e para instruir; para acrescentar, essencialmente, no Cinema português que é algo tão necessário. Os traços que vemos não estão presentes nos cineastas europeus, principalmente no Cinema europeu de leste, que é um Cinema que deixa os espectadores a pensar sobre a forma como tu vives, te manifestas e como está presente na sociedade, na vida e agora.

Fotografia da jovem realizadora

G. – Em resumo, quem é a aspirante a realizadora, Débora Gonçalves?

D.G.- Quero, acima de tudo, que o meu cinema seja justo, tanto ao nível das condições de produção como daquilo que eu quero fazer, que seja um Cinema atento e que reflita muito bem a minha posição no mundo.
Nunca fiz um filme que não me fosse próximo, que de alguma forma não estivesse ligado comigo e com os meus ideais. (…) As pessoas que me conhecem sabem sempre que faço filmes sobre as coisas que me interessam muito e que me preocupam. Eu acho que é importante falar. Acho que é isso. Não sei se sou boa, ainda estou a aprender. Portanto, acho que nenhum dos meus filmes, até agora, são perfeitos, têm os seus problemas. Mas é assim que se aprende.

Ser sempre justa, correta e ter as pessoas que confiam no meu trabalho faz parte dos meus princípios.

Quanto ao resto da vida que acontece, vamos ver onde podemos chegar.

Texto de Patrícia Silva
Fotografias de cortesia de Débora Gonçalves e Bárbara Abrunhosa

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