Começou mais um dia de BONS SONS, acordámos bem no fundo da tenda, mas mais tarde que esperávamos: podia estar inclinada, mas ficou à sombra. Que descanso! Excursão até ao banho: até sabe bem a água fria debaixo do sol quente. Nós, e todos à nossa volta, batalhamos entre o próprio corpo e os fatos de banho para chegarem a partes que não se querem à vista. Afinal, o calor não apertava assim tanto. Ou será que apertava?

Avançámos para mais uma caminhada até ao Café da Tonita, para encontrarmos a Dona Manuela que nos deu a bênção do pequeno-almoço. Leite com chocolate fresco, pão com manteiga e café deram-nos a vida de que precisávamos para o dia que aí vinha: e mal nós sabíamos como iria ser intenso.

Pouco antes das 19h aproximamo-nos do Palco Giacometti onde já tantos outros esperavam pelo concerto de Tomara. Sabemos que é hábito este ser o palco dos fins de tarde perfeitos, e não foi desta que nos falhou. Tomara é o projeto a solo de Filipe C. Monteiro, que lançou o seu primeiro álbum no fim de 2017. Chama-se Favourite Ghost e levou-nos numa viagem melancólica por várias fases da sua vida, carregadas de emoção e simplicidade. Já estávamos embalados pelas suas melodias doces quando Filipe chamou Márcia ao palco para cantarem juntos o tema House, com uma cumplicidade evidente. Sentimo-nos uns sortudos, ao testemunhar mais um momento que evidenciava os amores de verão enquanto mote do festival. Os dois artistas são casados e têm uma filha que veio ao BONS SONS ver o pai a tocar ao vivo pela primeira vez.

Enquanto isto, reparámos que ao nosso lado estava uma rapariga a desenhar o concerto num caderno, em pé, com aguarelas e tudo. Não conseguimos evitar espreitar, e, depois do concerto fomos falar com ela. Chama-se Marta Figueroa, mas nós chamámos-lhe a ilustradora de concertos. É arquiteta e costuma andar por festivais a desenhar, mas disse-nos que este era especial. “Já vim cá noutros anos e desenhei também, mas este ano estou a desenhar ainda mais.” Quisemos saber então o que torna o BONS SONS diferente dos outros. “É especial porque é numa aldeia, é uma coisa quase familiar, pequenina, e as pessoas estão todas próximas”. Antes de a deixarmos, perguntámos onde podíamos ir acompanhando o seu trabalho, e ficamos a saber que também tem uma página no Instagram onde vai publicando as suas ilustrações musicais.

Saímos do Palco Giacometti diretos à praça onde está o palco Lopes-Graça e pelo caminho foi impossível ficar indiferente aos Jogos do Hélder. Por toda a aldeia, estes jogos feitos de madeira e de inspiração medieval, divertem as famílias que por aqui passam. Este ano, Heldér trouxe mais jogos com água para refrescar quem joga: cuidado a passar por eles, não será difícil levar um banho.

Com a noite já caída, descemos até ao Palco Zeca Afonso para ver 10.000 Russos que trouxeram o rock psicadélico ao festival. João Pimenta, Pedro Pestana e André Couto levaram-nos numa viagem intensa: fechar os olhos e sentir que entrávamos por um filme de ficção científica a dentro.

Sara Tavares subiu ao palco depois da meia-noite, para apresentar o seu novo álbum Fitxádu e para nos fazer reviver também temas antigos. Durante a música Coisas Bunitas, perguntou ao público se havia alguém com coisas bonitas para dizer. O microfone estava aberto e Eduardo agarrou a oportunidade para um pedido de casamento. Já no palco, contou como tinha conhecido a namorada, Cátia, durante o festival BONS SONS, em 2012. Foi a vez dela se juntar a ele, e a emoção foi geral quando se ouviu o ‘sim’. A partir daí, o público que já antes dançava ao som dos ritmos quentes, começou a cantar ainda com mais entusiasmo. Prosseguiu o concerto, e agora estávamos todos com as energias recarregadas por este amor de verão que nasceu aqui, em Cem Soldos.

A noite avançou e lá voltámos nós ao palco Zeca Afonso para ver Mirror People. Já durante a tarde tínhamos tido a oportunidade de falar com Rui Maia, um dos elementos do grupo: “já tinha ouvido falar do festival e já vários amigos cá tinham tocado, mas nunca tinha vindo aqui. Acho o espaço único e não me recordo de um festival que tenha esta estrutura, de ser no meio da aldeia. Vi há pouco o concerto de Tomara e somar o final da tarde com o calor e aquele local – foi perfeito.”

Sobre o concerto de Mirror People adiantou-nos que faria uma retrospectiva com as canções que resultam melhor ao vivo, não só dos álbuns anteriores como de coisas novas que ainda não estão editadas. E assim foi: ninguém ficou indiferente ao som disco que nos leva até aos anos 80 com temas como “Dance the night away”, se dançámos! E o Rui também: ele bem nos disse que ficava sempre até ao fim. Nós já mais para lá do que para cá e ainda nos cruzámos com ele enquanto António Bastos tocava no Palco Aguardela.

Bebemos o último fino da noite e seguimos caminho até ao acampamento. Foi intenso e emocional este segundo dia, vai ser difícil superar, mas voltamos amanhã para te dar conta de mais surpresas.

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Reportagem por André Imenso Cruz, Clara Amante e Patrícia Roque