O Gerador esteve na inauguração da exposição “Ensaios Domésticos”, da Mob Projects, a decorrer entre 11 de Outubro e 17 de Novembro nas Carpintarias de São Lázaro, entre as 12h e as 18h.

A Mob Projects é uma produtora e incubadora de mobiliário, fundada pelo arquitecto Eduardo Corales, o artista visual Javier Toro Blum e a desenhadora de moda e têxtil, Piedad Aguila. Projectada por artistas e arquitectos, está sediada em Santiago e Lisboa.

A exposição integra-se na 5ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que, neste ano, assume a designação de A Poética da Razão, propondo-se explorar a razão como base da arquitectura e, nesse sentido, a possibilidade desta ser compreendida por todos e não somente por uma elite a ela ligada.

O curador Eduardo Corales apresenta-a como “um exercício de aproximação” dos discursos dos arquitectos ao público em geral, a partir da criação de uma forma partilhada. As peças podem ser encontradas em qualquer tipo de sala e, assim, no mundo doméstico e quotidiano de cada um, o que faz com que cada peça, pela sua função, se aproxime. “A funcionalidade e o pragmatismo do design industrial faz com que, automaticamente, um leigo tenha uma aproximação directa com este tipo de objectos”.

“Ensaios Domésticos”, mantendo a filosofia orientadora dos trabalhos da Mob Projects, nasce de um lugar de diálogo entre criadores que provêm de diferentes expressões artísticas. O tema proposto aos artistas foi o espaço interior. A partir daí, tendo em conta algumas considerações técnicas, mover-se-iam em liberdade, explorando, através de diferentes dispositivos, este tipo de problemas.

Trata-se de dezasseis objectos. Entre eles estão “ISLA”, de Ivan Navarro e Courtney Smith, um toucador, objecto associado à beleza e à contemplação; “MASON’S TABLE”, de BAST, uma mesa com materiais que podem ser encontrados em qualquer lugar ; “BONHEUR DU JOUR”, de FALA Atelier, uma secretária alta com uma mesa redonda, gavetas e uma planta no cimo; “TTTTABLE”, de MAIO, uma mesa que propõe uma releitura do arquétipo deste objecto, suportada por doze pernas; “IN BETWEEN A LAMP”, de  Javier Toro Blum, um candeeiro, cuja lâmpada se encontra entre duas superfícies ovais, iluminado e, simultaneamente, projectando sombra onde a luz não consegue atravessar, o que cria uma iluminação parcial; “BISAGRA”, de Plan Comun, uma estrutura que funciona como prateleiras para livros, roupas, plantas, objectos; “KNOTS AND TUBES – SIDEBOARD P”, de Boris Gusic & Lucio Crignola, uma armação para a sala de estar ou para o escritório; “BOOK TABLE”, de Fernanda Fragateiro, uma mesa tridimensional para arrumar livros e que, a partir da intersecção de planos, cria a imagem de um livro a desfolhar-se; “WAITING TABLE”, de SAMI Arquitectos, uma mesa que pretende transmitir a sensação de que alguém nos espera; “BIS”, de Benjamin Ossa, uma estrutura para arrumar objectos, que apresenta vidros reflexos como separadores, o que permite observá-los do lado oposto; “CLOTHES AIRER”, de Martinez – Barat Lafore, uma peça sem função específica e que pode ser usada de infinitas maneiras, adquirindo nome com a finalidade que o usuário atribuirá; “THE BURNT BENCH”, de Nicolas Aracena, uma cadeira feita com madeira recuperada; “WMF (wood, mirror and fire)”, de Alejandra Prieto & Paulo Valle, uma pequena mesa pedestal de madeira carbonizada, que suporta um tampo de bronze polido, sugerindo, perante a presença da luz os antigos espelhos de bronze chinês e europeu; “SC.45.120.AC.BL.1 (2″)”, de APRDELESP, uma superfície com múltiplos usos, seja como banco, cadeira, bancada, mesa ou bar, pensada como uma peça para testar dinâmicas espaciais; “CUE”, de OMMX, uma sobreposição de móveis associados com a entrada e saída de uma sala, sendo simultaneamente,  uma mesa lateral, uma gaveta, um cabide, um relógio do avô, um vaso de plantas, um espelho, sem ser nada disso; e “FURNITURE BY PEOPLE”, uma peça que não se quer definir como “mobília para pessoas”, mas “mobília por pessoas”, representando o quotidiano e os seus eventos, pois nele são colocadas coisas resultantes destes, e, assim, esta materialidade carrega o imaterial.

Corales refere que estes exercícios já foram realizados ao longo da história da arquitectura, mas que, neste momento, achou “interessante refrescar com novos arquitectos da nossa geração”.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Cartaz cedido por Carpintarias de São Lázaro

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