No século XX a escrita do Cinema prosperou. Em Portugal, O Costa do Castelo (1943) ou O Pátio das Cantigas (1942) levaram a narrativa a um lugar que o cinema português desconhecia. Da realização ao argumento ainda existia um longo caminho a percorrer.

Hoje, as questões que giram em torno do mundo cinematográfico, audiovisual e da escrita difundem-se. Os realizadores são guionistas; os guionistas são escritores. E os escritores refletem todas estas profissões de diferentes formas. O que os diferencia? A técnica ou o método. No entanto, os dias que os acompanham, cada vez mais, se relativizam, assim como o nome da sua profissão. Ouvem-se interrogações constantes sobre quem são os Guionistas e a que se dedicam. Na realidade portuguesa, esquecidos ou não, eles existem.

Sobre palavras, o termo Guionismo ainda se mostra desconhecido no corretor automático. Já no que toca à sua longa bagagem na história, a visão é outra. Com descendência nos anos noventa, as histórias das grandes telas sempre precisaram de passar por um processo de escrita, no qual o fascínio e a objetividade deveriam de andar de mãos dadas, sem se sacrificar um ao outro. Quem seria o responsável pelo mesmo?
O Guionista ou Argumentista.

Quem é o Guionista ou Argumentista?
Responderemos que um argumentista é uma pessoa que empreende o ato de escrever, mas cuja obra acabada, o produto final, não está disponível nessa forma. (…) Mas, antes de tudo, terá de se lembrar que é no seu esboço, na sua obra, por muito inacabada que seja, que se baseia o filme futuro. Que só a encarnação do
seu imaginário no verbo dá origem ao filme. É deste conhecimento que jorrará o seu orgulho.

Dominique Parent Altier

Desde aspirantes aos entranhados no universo do Guionismo, as palavras permanecem. Quanto à criatividade trata-se da liberdade a que se agarram atrás da caneta e do papel (ou aos que acompanham o digital – o computador).

O Gerador foi em busca de perceber o que fazem nos dias de hoje.

Guiões de longa data. E os que ainda estão por se revelar

Henrique Cardoso Dias, Rui Carvalheira, Ana Gabriela Ribeiro, Duarte Laranjo, João Marques e Tiago Simonette Teixeira são alguns dos nomes que se relacionam com a escrita de guiões. Henrique e Rui, de contacto assíduo com o Guionismo; Ana Gabriela a estudá-lo; Duarte, João e Tiago aptos para começar.

Comecemos pelo Henrique. Do Direito ao Guionismo o passo para se integrar nesta área foi bem mais pequeno do que se imagina. Na altura, estudante de leis e códigos, percebeu que o seu caminho seria outro. Quando? Num jantar com o seu amigo de longa data, Eduardo Madeira, “éramos amigos desde a escola secundária e, depois, na faculdade. Num jantar de aniversário de um amigo, conhecemos o João Quadros, que trabalhava para as Produções Fictícias. Na altura, estávamos a contar piadas e a fazer graças e, no final da noite, o João disse-nos ‘vocês têm muita graça, não querem escrever alguma coisa? Eu trabalho numa empresa e escrevo para o Herman…’ Nós não fazíamos ideia do que se tratava mas, fomos para casa e escrevemos um sketch sobre o Baptista Bastos (1997). O Herman adorou e gravou logo. Entretanto, chamou-nos lá e perguntou se estávamos interessados em trabalhar nas produções. Passámos pelo processo de seleção, fizemos um curso com o Luís Miguel Viterbo e acabámos por ficar lá a escrever”, conta Henrique. Este foi o seu primeiro contacto.

Atualmente, apresenta uma bagagem marcada pelo seu trabalho em televisão, nomeadamente, programas, séries e telefimes. É também autor da adaptação da peça de teatro Avenida Q., e dedica-se à ficção.

No caso de Rui, o gosto pela escrita e pelo documentário chegam-lhe a partir da Restart – Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias. O guionista, que se dedica à sua carreira de freelancer, explica-nos que “naquela altura, estava a trabalhar na área do Marketing, escrevia anúncios publicitários. Com cerca de 24 anos decidi fazer um curso voltado para o Guionismo. Quando o curso terminou, tive dois professores que começaram a contactar-me para colaborar com eles em pequenas coisas, inicialmente, fazer pesquisa para documentários, escrever pequenos trechos que seriam narrados. Depois, escrevi uma longa-metragem com um ex-professor e, aos poucos, a coisa começou a acontecer. (…) Engraçado é que na altura fui estudar Guionismo sem grande expetativa, queria experimentar algo diferente. Não esperava que tivesse alguma saída profissional. Sempre gostei de filmes e tive o interesse de perceber como é que isto se fazia, mas também, numa perspetiva do ‘deixa-me ver se isto me interessa’. Trabalhava em publicidade e até me interessava, mas não ao ponto de pensar fazer tal o resto da minha vida”.

Começou por “apalpar terreno” e, hoje, ensina, realiza, produz e escreve.

Depois dos “vanguardistas”, chegam os recém-formados. Duarte, João e Tiago estudaram na World Academy, uma escola de formação profissional no âmbito da criatividade, comunicação e conteúdos.
Provenientes de diferentes meios, Duarte da Comunicação Social, João integrado em Mediação de Conflitos, e Tiago do Marketing e Publicidade, mais uma vez a curiosidade e a escrita envolveram-se na vontade de criar.

Duarte Laranjo, de 22 anos, chega à comunicação com um objetivo: escrever. Nunca pensou ser jornalista, no entanto, o seu gosto pela escrita foi algo que o fez sentir que aquele seria o ramo indicado, “durante o curso, fui descobrindo que gostava de Jornalismo, mas sempre muito ligado à escrita criativa. O que eu sempre gostei é aquilo que o guionista faz, no fundo, é criar histórias, conteúdos, etc.”, conta.
Após terminar a sua licenciatura, teve a oportunidade de estagiar na revista Visão e, foi então, que percebeu que o Jornalismo não era o seu caminho. Decidiu fazer o curso de Guionismo na escola de formação profissional, “foi quando descobri o curso e em que é que consistia a área. Quando somos mais jovens, sabemos o que gostamos de fazer mas, não entendemos ao certo o que é isto de ser guionista ou de argumentista. Sabemos que existe um programa e há quem o escreva, no entanto, não entendemos se é ao certo uma profissão ou quem são aquelas pessoas”, completou o jovem.

Dedica-se à Comédia, ainda que de forma amadora, e pertence ao grupo de jovens comediantes do Arco da Velha, um dos projetos da EmFim – Associação do Artista.

No caso de Tiago Simonette Teixeira, com 31 anos, a sua experiência desencontra-se das faladas anteriormente. Tiago procurou saber mais sobre a área para a aplicar na Comunicação e Publicidade, “eu já queria ir para Publicidade e trabalhava com Comunicação. Certo é que, lá do alto do meu pedestal, eu achava que o que me faltava era saber fazer vídeos e, portanto, decidi que era relevante fazer um curso de Guionismo. Dava-me mais valências. Já tinha passado na Restart e na ETIC (Escola de Tecnologias Inovação e Criação), portanto, já sabia como é que estas escolas funcionavam”, afirma.

Agora, dedicado à área em que sempre se envolveu, o Marketing, e, ainda que não diretamente, explora os pequenos guiões na produção de conteúdos.

João Marques vem de outras andanças. Com cerca de 35 anos, conta-nos que sempre gostou de escrita e de escrever histórias, no entanto, a sua especialidade era Direito, mais concretamente, Mediação de Conflitos da área Familiar e Escolar, “acabei por sentir a necessidade de trabalhar na área criativa e da escrita e, foi então, que me inscrevi no curso da World Academy”.

Com vários projetos na gaveta, João pretende apostar em produção e escrita de ficção.

Quanto a Ana Gabriela Ribeiro, de 31 anos, teve sempre as Artes em redor de si. Inicialmente, através da música e a escrita, “sempre foram os meus melhores amigos na infância. Sou viciada em ritmo e movimento e a minha escrita reflete isso. Passava horas sozinha, a criar histórias e a montar cenas ao mesmo tempo que ouvia discos, CDs . Comecei por querer ser bailarina, depois coreógrafa, depois atriz de teatro musical  e, por fim, cinema. A criação do projeto, o esqueleto, é que me fez explorar o Guionismo: ver as minhas personagens vivas, na tela. Aquilo que construímos com a mente”, reflete.

Atualmente, estuda Guionismo para Cinema e Televisão, no mesmo curso em que Duarte, João e Tiago estudaram, e na mesma escola. Além disso, escreveu um livro que pretende transformar em série e que tem explorado nas aulas. Depois de passar por terras francesas, onde estudou Cinema, Ana Gabriela abraça a Comédia como o seu registo de eleição.

Guionismo em Portugal: do pedestal ao abismo?

O ponto de partida da conversa com cada um destes guionistas, jovens e aspirantes, já tinha sido dado. Partilharam connosco como surgiu esta vontade, no entanto, ainda estávamos longe de conhecer este mundo.

Desde o final dos anos noventa que Henrique se decida a esta profissão: escreve guiões de obras cinematográficas e televisivas.
No entanto, o seu universo ainda é vasto, “eu a partir do momento em que comecei a escrever, interessei-me pelo Teatro, pelo Cinema … tudo o que fosse Dramaturgia interessava-me. Descobri tudo naquela altura, ou seja, comecei pelo Sketch, depois passei para programas de entretenimento, programas de ficção. Seguiu-se o Teatro. Escrevi peças de Teatro, um telefilme … isto tudo para dizer que foi algo gradual, a passar pelos vários estilos”, refere o guionista.

É com a sua longa bagagem que partilha ainda que o Cinema e a Televisão, no Guionismo, são “mercados estanques”: “Portugal é um país pequeno e ainda funciona tudo por ‘capelas’. Há claramente a ‘capela da Televisão’, a ‘capela do Teatro’ e a ‘capela’ do Cinema'”. Considera que, por esta razão (e mais algumas) Portugal é um país que pouco valoriza o trabalho de um guionista “esta área está a desenvolver-se muito recentemente em Portugal. Na verdade, existe uma indústria que se baseia nas telenovelas. O Cinema é uma coisa muito irregular e, é algo muito difícil porque, precisas de ter bons profissionais dedicado a tal e, é impossível que isso aconteça se não houver trabalho constante, para ganhares experiência e ires melhorando. Ainda assim, desde que se registou este boom das séries, já anteriormente e agora, ainda mais, com o Netflix as pessoas começaram, efetivamente, a perceber a importância da história e do guião. E, entretanto, também tivemos [guionistas] alguma evolução nos Estados Unidos, em que o Guionismo mais popstar surgiu e as pessoas começaram a conhecer não só os atores dos filmes como quem os realiza e escreve. O que ainda não se verifica em Portugal”.

Importante é também referir que, ainda no panorama português, existe uma diferença de reconhecimento com quem escreve Teatro, isto é, existe a curiosidade em querer saber quem escreveu a peça, “se te pedirem para referires nomes do mundo audiovisual, começas a pensar em nomes de realizadores de Cinema portugueses. És capaz de saber dizer uns quantos nomes. No que toca a argumentistas de Cinema, as pessoas são capazes de te dizer nomes como Tiago R. Santos e pouco mais. Já no Teatro, as pessoas que estão ligadas ao mesmo conhecem muito bem os autores que existem e, há também mais consideração pelo trabalho que desenvolves. Por exemplo, se o encenador quiser alterar algo no que escreveste tem a preocupação de falar contigo, enquanto que na Televisão e no Cinema isso já não acontece”, completa.

Em Portugal, quer o Cinema quer os olhares mais voltados para as séries são território do realizador. Em momentos, pode existir uma maior “relação com o guionista, mais pessoal, em que exista conhecimento entre ambos. No entanto, o realizador torna-se o dono, artisticamente, do projeto.” Henrique explica-nos que isto acontece em Portugal porque “onde há realmente um mercado de escrita regular em que existe uma indústria, por assim dizer, são as novelas. Lá, claramente, que o realizador é que coordena tudo. Os guionistas são mais vistos como ‘tarefeiros’. Se bem que, ultimamente isso também tem se alterado porque, na verdade, não se trata de ser um ou outro a mandar, mas sim de existir um respeito mútuo pelos dois inputs que permitem o resultado final”.

Rui concorda com Henrique e acrescenta ainda que esta realidade precária se deve também à falta produção, “o mercado é pequeno e, a verdade, é que se produz muito pouco e, isso, leva às escassas oportunidades. Sempre que há trabalhos ou projetos, a tendência é quem está a produzir procura sempre um guionista já inserido na área para garantir uma maior qualidade.”

Para os que se iniciam poderá ser uma realidade desmotivante? Henrique diz-nos com tom infeliz que sim, “Sem dúvida que sim porque, mesmo que tu saías com alguma formação na área, o único momento em que consegues ter um trabalho regular é na criação de novelas. O resto, tens que pegar numa ideia, propor a uma produtora, a um realizador, a um canal; concorrer aos concursos anuais da RTP, do ICA … não tens um sítio onde possas começar a aprender e em que tenhas um emprego, no sentido clássico, sem que seja, mais uma vez, nas novelas.
Para acrescentar, o lado ainda mais complicado, é que quem começa não tens os contactos importantes e que, de facto, necessita.”

Pela voz de Ana Gabriela, ainda a aprender apesar de já ter uma bagagem relacionada com as artes cinematográficas e a escrita, a tentativa de chegar mais longe já caiu por terra mais do que uma vez. A aspirante reflete que “as escolas acabam por nos dar uma amostra do mundo real.  Não importa ter talento, importa saber trabalhar em equipa e ser cumpridor. Quando acabei a Escola de Cinema decidi escrever um romance em forma de sátira, sobre a minha experiência no meio social que cresci. Acabei por escrever quase uma peça de teatro – ficou um género hibrido entre o Romance e o Teatro. Nessa altura, houve uma pessoa que se interessou pelo livro e levou-me para uma editora que pediu alterações na história. Não assinei nenhum contrato porque, na nossa indústria, muita coisa é feita de palavras ditas de boca. Após seis meses de alterações no livro, a editora não me respondeu  mais. Outro trabalho que fiz e esse em parceria com outro escritor (de uma série no Rio de Janeiro) também não deu em nada porque, ele não quis assinar um contrato e eu, saturada, acabei por lhe “dar a série”. O contrato serve para protegeres a tua autoria e o teu trabalho. Na nossa área existe uma tendência dos principiantes aceitarem qualquer coisa.  E é um erro fatal. Muita gente abusa e pode ficar com autoria do projeto ou simplesmente, depois de tanto trabalho, não avançarem com o projeto.”

A jovem acredita ainda que o que o guionista, como autor, precisa não é apenas de talento, “é também preciso muita resiliência,  disciplina e levar   a sua criação a sério, (com contratos). É um caminho solitário e duro, cheio de vaidade e egos e pequenos golpes,  mas se tens isso dentro de ti, o resultado acaba por ser muito compensatório. Acredito que a janela aberta tem que ser procurada pelo guionista e, como diz o cliché, não desistir”, afirma.

Já os três ex-alunos concordam que a falta de conhecimento da área leva também à falta de oportunidades e, por essa mesma razão, pode identificar-se um sintoma cultural. Duarte chega a afirmar que “somos um país muito pequeno no que diz respeito à produção de conteúdos audiovisuais, isto é, a produção de novela será sempre maior comparativamente com os filmes e séries, fazendo aqui a distinção de realidades. A produção de conteúdo mais fáceis e menos interessantes, na ótica de guionista, vai ser sempre maior. O que era ideal, e isso também acontece nos outros países, seria aumentar os dois lados, acompanhando-se. Se produzem mais novelas, também é possível produzir mais filmes e séries. Isso só permitiria existirem mais argumentistas a trabalhar em ambos os campos”. O jovem guionista completa a sua ideia com a noção que não será possível mudar o interesse das pessoas de um dia para o outro e, isso, será um longo caminho a percorrer.

Escrever e pensar o Guionismo

De que forma esta arte e as mais diversas podem influenciar as sociedades, no que toca ao pensamento crítico e à sua evolução no olhar artístico?
O guionista que trabalha por encomendas [Rui], acredita que as Artes, na sua generalidade, sempre foram “um veículo para educar e acompanhar a evolução social, sobretudo, a evolução do pensamento. Hoje em dia, conseguimos associar grandes saltos civilizacionais com mudanças de pensamento e, essas mesmas mudanças, quase sempre surgiram através de filósofos, que as escreveram. Portanto, sim, eu diria que a Arte tem potencial para colocar uma sociedade a debater-se em si própria e a pensar de onde veio, para onde caminha e que possibilidades é que tem. É, talvez, o veículo privilegiado de manter as pessoas a pensar sobre isso porque, quando tu vês um determinado filme sobre determinado tema, não é só aquela história que está a ser contada, mas também toda a problemática que está inserida no tema e que tu vês dramatizada de determinada maneira. Coloca assim, diante dos teus olhos, as preocupações específicas que estão associadas a determinado evento”, reconhece.

Com a influência das palavras e da sua forma mais crua, os guionistas permitem também educar um conjunto de códigos, pensamentos e emoções. A partir da criação das suas ideias e da liberdade técnica das recriar, pensar questões socais e problemáticas, tal como Rui e Henrique nos elucidaram, é também um trabalho que lhes cabe desempenhar. O Rui, mais voltado para o documentário e realista, e Henrique, ficcional e televisivo.

Storytelling, o escape do guionista?

O guionista de velha guarda, Henrique, reconhece que o storytelling como uma “coisa que não é tão técnica, mas sim mais generalizada: a arte de contar histórias” é algo interessante, mas não se cruza com o Guionismo, isto porque, o guião e o argumento são coisas extremamente técnicas. No entanto, acredita que “se começarmos pelo storytelling, desde da forma que se conta uma história à fase da estrutura, isso já é um caminho importante porque, quando tu passas para um guião ou argumento, já vais passar para uma forma técnica de a contar. É importante não só saber contar a história como aplicá-la de forma técnica, com as regras necessárias”.

Ainda assim, é certo que é o storytelling é mais conhecido que o Guionismo. E, por essa mesma razão, os seus significados, em alguns momentos, confunde-se ou associam-se.

Uma profissão de nicho

“Sempre será uma profissão deslocada das massas”, dizem-no os guionistas. O que se pode desejar? “Haver um maior respeito e consideração pelo trabalho”, concordam.

Henrique reconhece que “ganhar a vida a escrever já é uma coisa ‘rara’. Ganhar a vida a escrever uma coisa tão específica é ainda algo ainda mais raro.” E, por esta razão, a perceção, a capacidade e a audácia de exercer é algo muito específico, “quando estás a ver uma série, um filme ou uma peça de teatro, há pessoas que estão com um cuidado especial naquilo que é dito, na construção da personagem, na coerência e na narrativa. Mas não são muitas as que voltam a sua atenção para tal. A maior parte, fica impactada com aquilo que está acontecer, ou seja, o produto final”. A isto, chamam os sintomas daqueles que serão os profissionais do Guionismo.

“O que é o Guionismo?”, há quem pergunte se é um trabalho ligado a guias, outros, como o Ricardo Araújo Pereira vêm-se obrigados a dizer a um polícia, depois de um ligeiro acidente de carro, que são uma das pessoas que escreve piadas para o Herman José, mas rapidamente caíram no “ridículo” porque, ainda haviam polícias que achavam que o Herman tinha piada por ele próprio. Não precisava de quem as escrevesse.
Já o Eduardo Madeira respondeu ao médico que Guionismo era um profissão e acrescentou ainda: “se isto fosse um filme, o que o senhor acabou de dizer, tinha sido eu a escrever”.

Quanto à “realidade de um Guionista em Portugal?”, Ana Gabriela elucida-nos através da culinária para este desfecho: “Guionista de Cinema: Omelete sem ovos; Guionista de Novela: Omelete industrial”.

Texto de Patrícia Silva
Fotografias via Unsplash

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