fbpx
Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Flávio Almada: “Devemos recusar a geografia do medo”

Neste episódio da rubrica Entrevista Central, Flávio Almada, ativista e porta-voz do movimento Vida Justa, acredita que aqueles que habitam os bairros periféricos da área metropolitana de Lisboa são “acantonados em guetos”, como resultado de “mecanismos institucionalizados de domesticação”. Defende ainda a legitimidade de reivindicar melhores condições de vida e de ocupar as ruas: “Devemos recusar essa geografia do medo porque, afinal de contas, é legítimo aquilo que nós estamos a reivindicar. Nós trabalhamos, produzimos riqueza aqui e, no entanto, não há investimento em políticas públicas direcionadas para estas comunidades”.

Texto de Margarida Alves

Flº´

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

O Vida Justa nasce na Cova da Moura, no concelho da Amadora, com o intuito de construir sujeitos políticos que se mobilizam pelo fim do policiamento dos bairros e para exigir respostas a falhas estruturais na saúde, na habitação, nos salários e nos transportes: “acabámos por priorizar a construção do movimento porque houve uma senhora que nos disse: ‘temos de reparar o preço do gás, o preço da comida, o preço da habitação’. Foi por essa razão que nasceu este movimento que já tem um ano”. A necessidade de colmatar os problemas que a pandemia da covid-19 veio agudizar fomentou a discussão entre os bairristas: “Durante o confinamento, boa parte da população destes territórios andava a aguentar as cidades. Então encontrámo-nos na Cova da Moura para discutir sobre algumas formas [de luta], sobretudo sobre a questão do uso de Internet para promover ideias de combate”, recorda. 

A crise na habitação tem marcado particularmente as agendas pública e política, mas Flávio Almada reage a um problema já antigo: “A questão da habitação não é uma coisa nova para [quem mora nas] periferias e para as populações racializadas, africanas, ciganas, imigrantes. Desde há muito tempo que nós temos sido alvo de despejos e de demolições de várias comunidades”. O ativista acrescenta ainda que “a forma como a financeirização da habitação tem sido feita empurra os trabalhadores e os pobres para serem expulsos das cidades. São empurrados para a periferia da periferia, onde os equipamentos sociais são precários”. “As casas são húmidas, as casas são mais frias do que a rua. Não são só os negros que vivem isso, vários trabalhadores à escala nacional estão nessa situação”, alerta.

Para o porta-voz do movimento Vida Justa, o coletivo “acaba por ser uma plataforma que amplifica as vozes não ouvidas da periferia”. Debruça-se ainda sobre a ausência de representatividade de afrodescendentes em cargos de poder: “Portugal é um país super racista e essa questão, por exemplo, de como o racismo permeia a transformação social faz com que o negro ou a pessoa negra seja incorporada só se for para ser um negro doméstico, um negro obediente. Os negros no setor político têm sido usados para decorar”. “E a outra questão que se deve colocar: ‘é representatividade com substância ou representatividade só com cor?’”. Na sua opinião, é preciso uma representatividade que se traduza em políticas públicas direcionadas para essas comunidades.

Apesar do forte apelo à mobilização, o movimento enfrenta obstáculos que se refletem numa adesão que fica aquém das expectativas, de acordo com Flávio Almada. “O fator medo opera em vários eixos, não só na questão do terror da polícia”, afirma. A repressão policial, a criminalização do ativismo e as narrativas veiculadas pelos órgãos de comunicação social criam um clima de suspeição e de insegurança: “Sempre que há uma manifestação que envolve a periferia começam a ser produzidos artigos nos jornais e na televisão. [Pode ler-se] ‘polícia ameaça para o perigo e para a violência’, que é uma forma indireta de dizer ‘olha, não vão a uma manifestação’” 

Veja ou ouça a entrevista na íntegra aqui

Publicidade

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

14 Junho 2024

Tempos Livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

13 Junho 2024

Ansiedade Política: Como Lidar com a ascensão da Extrema Direita?

12 Junho 2024

42: Prólogo

12 Junho 2024

Haris Pašović: “Não acredito que a arte deva estar desligada da realidade”

11 Junho 2024

Sobre o Princípio de Reparação do Dano Ambiental (e a Necessidade de Tutelar o Direito ao Ambiente)

11 Junho 2024

Prémio Fundações vai dar 50 mil euros a projetos de arte, ciência, cidadania e solidariedade

10 Junho 2024

Matilde Travassos: “A intuição é a minha única verdade”

7 Junho 2024

Tempos Livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

6 Junho 2024

Em voz alta: Medo em tempos de ódio

6 Junho 2024

Sobre o novo aeroporto e a sustentabilidade do setor da aviação

Academia: cursos originais com especialistas de referência

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online e presencial]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Práticas de Escrita [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

O Parlamento Europeu: funções, composição e desafios [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Planeamento na Produção de Eventos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Pensamento Crítico [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Narrativas animadas – iniciação à animação de personagens [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Introdução à Produção Musical para Audiovisuais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Iniciação ao vídeo – filma, corta e edita [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Planeamento na Comunicação Digital: da estratégia à execução [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Viver, trabalhar e investir no interior [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Iniciação à Língua Gestual Portuguesa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online ou presencial]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Soluções Criativas para Gestão de Organizações e Projetos [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

5 JUNHO 2024

Parlamento Europeu: extrema-direita cresce e os moderados estão a deixar-se contagiar

A extrema-direita está a crescer na Europa, e a sua influência já se faz sentir nas instituições democráticas. As previsões são unânimes: a representação destes partidos no Parlamento Europeu deve aumentar após as eleições de junho. Apesar de este não ser o órgão com maior peso na execução das políticas comunitárias, a alteração de forças poderá ter implicações na agenda, nomeadamente pela influência que a extrema-direita já exerce sobre a direita moderada.

22 ABRIL 2024

A Madrinha: a correspondente que “marchou” na retaguarda da guerra

Ao longo de 15 anos, a troca de cartas integrava uma estratégia muito clara: legitimar a guerra. Mais conhecidas por madrinhas, alimentaram um programa oficioso, que partiu de um conceito apropriado pelo Estado Novo: mulheres a integrar o esforço nacional ao se corresponderem com militares na frente de combate.

A tua lista de compras0
O teu carrinho está vazio.
0