Folle Époque, o novo espetáculo dos Silly Season, estreia esta quinta-feira, dia 22 de outubro, no Teatro Carlos Alberto, no Porto, permanecendo em cena até domingo, dia 25.

A nova peça do coletivo celebra o centenário dos Loucos Anos 20 e propõe uma revisitação histórica à luz dos tempos em que vivemos. Em Folle Époque, que teve antestreia na Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré, através do 23 Milhas, projeto cultural do Município de Ílhavo, os Silly Season convocam narrativas hipotéticas que remetem para os dois tempos, frente-a-frente. 

Em entrevista recente ao Gerador, o coletivo descrevia a peça como sendo uma materialização dum tempo e dum espaço que celebra os loucos anos 20 do século passado, a que se junta um paralelismo com o tempo atual.

“É uma época muito eclética em que aconteceu de tudo. Ao mesmo tempo que tinhas o emergir de movimentos de emancipação da mulher, por exemplo, tens também as ditaduras mais ferozes a emergir”, explica Ivo Silva, um dos membros dos Silly Season, realçando que o clima de festa dessa época contrasta bem com uma ideia de “felicidade massificada e de celebração fake” que dá lugar a uma “manobra de diversão” para a ascensão dos atuais populismos, sendo igualmente uma crítica aos modos de vida das sociedades contemporâneas.

“No espetáculo também acontece isso, ou é uma celebração ou, de repente, já não há coletivo, as pessoas já não se relacionam umas com as outras. E com a covid-19 também aconteceu isso. Tornas-te mais individual, és obrigado a fechar-te em casa num sistema em que tu próprio não tenhas de fazer nada para ter as coisas”, acrescenta.

A conceção e direção é dos Silly Season, coletivo composto por Cátia Tomé, Ivo Silva e Ricardo Teixeira, que também interpretam, juntamente com Rodolfo Major, Sara Ribeiro e Teresa Coutinho.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Alípio Padilha

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