Este ano, o festival Bons Sons não acontece como o conhecemos mas, ainda assim, a organização do festival preparou uma programação muito especial e cuidada. Durante o mês de agosto, sempre aos sábados, aconteceram pequenos concertos, projeções, conversas e também workshops, exclusivos para os habitantes da Aldeia de Cem Soldos.

Neste sentido, o Gerador foi desafiado a programar uma conversa para o evento Cem Soldos Habita a Rua. Esta será uma reflexão participativa, com convidados especiais e onde a população é convidada a dar também o seu contributo. A conversa “Pode a Cultura ser uma aldeia?” acontece dia 29 de agosto na Aldeia de Cem Soldos e conta com a presença dos convidados Hugo Cruz, diretor artístico, João Leirão, curador e programador, e Lara Seixo Rodrigues, produtora e curadora. A moderação fica nas mãos da jornalista do Gerador, Raquel Botelho Rodrigues.

Pode a Cultura ser uma aldeia? Pode ser um organismo vivo, um lugar habitável e habitado, onde cada um(a) se encontra, partilha, sustenta e reconhece? Pode ser um movimento para o bem comum? Há comunidade sem Cultura? Apesar do tempo que atravessamos, o festival Bons Sons continua a desejar entrar nos quintais, bater à janela, esperar que se abra e convidar para conversar. De uma nova forma, procura voltar às raízes para recordar que a Cultura está na rua, é da rua, e cada casa é um lugar de fala, que nos leva até alguém.

Vamos refletir sobre o impacto sociocultural deste evento na aldeia em todas as suas dimensões, a importância da cultura e, particularmente da arte, na criação, desenvolvimento e reforço das comunidades. Estas reflexões abertas, através de uma conversa participativa com a população da aldeia e com os convidados Hugo Cruz,  João Leirão e Lara Seixo Rodrigues, permitirão repensar a importância do Festival Bons Sons e a possibilidade de criar novos modelos.

Hugo Cruz, desenvolve o seu trabalho no espaço da criação artística e participação cívica e política. Enquanto criador, tem trabalhado em escolas, prisões, bairros sociais, centros comunitários, fábricas e casas do povo. Além de diretor artístico é também professor e consultor do Partis – Programa práticas artísticas para a inclusão social e de diversos programas nacionais e internacionais de arte e comunidade. Coordenou ainda os livros “Arte e Comunidade” (2015) e “Arte e Esperança” (2019) editados pela Fundação Calouste Gulbenkian.

João Leirão, formou-se em Belas-Artes e está agora numa pós-graduação em História da Arte Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa. Desde 2010, dedica-se ao projecto Moledo Acontece, onde o principal objetivo é contribuir para a democratização e descentralização da arte, assim como para o desenvolvimento social e cultural da aldeia de Moledo. Desde então tem trabalhado como curador, produtor e programador cultural do referido projecto, onde se destaca a implementação da rota de arte dispersa pela mesma, a MAP de Moledo.

Lara Seixo Rodrigues formou-se em Arquitectura, mas rapidamente começou a interessar-se por outras áreas artísticas, especialmente Arte Urbana. O associar desta paixão ao orgulho em ser serrana, fez surgir o WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã, e desde então procurou aventurar-se noutros formatos, geografias e públicos, sendo exemplos disso, o LATA 65, o MURALIZA, o ESTAU e FAZUNCHAR. Faz curadoria e produção de diversas acções culturais e exposições, e para conseguir gerir todas estas facetas, fundou em 2014 a MISTAKER MAKER – Plataforma de Intervenção Artística, que tem por missão fomentar criativamente a produção e promoção de exercícios de Arte Contemporânea, em todas as suas formas de expressão. 

O Gerador é parceiro do Bons Sons.

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