O Tomaz Hipólito Studio, inaugurou no dia 20 de fevereiro a exposição I Will Take the Risk, uma exposição que marca a história do armazém em Marvila por ter sido a primeira com artistas fora do âmbito das residências artísticas que organiza. Um grupo de 29 artistas emergentes ocupou o espaço que se abriu portas no contexto expositivo com curadoria de Carolina Trigueiros. 

No evento do Facebook a ideia do conceito já tinha sido lançada antes da inauguração através de um frame do filme La Chinoise, de Jean-Luc Godard, no qual se podia ler “uma minoria com as ideias certas não é uma minoria”. Carolina explica ao Gerador que a relação se criou por ser “um filme onde se discute sobre transformação e revolução. E claro, de como os jovens estão à procura de “uma” linguagem, da sua linguagem. Com todas as contradições e conflitos inerentes”. No fundo, La Chinoise serviu de ponto de partida, mais do que inspiração para uma literalização das ideias que Godard apresenta. “Nesta exposição não há a pretensão de revolucionar alguma coisa. No limite, já é bom se possibilitar novos olhares. Mas somos parte dos tempos em que vivemos. Os artistas são agentes essenciais desses tempos. E por isso estas pequenas acções representam a vontade de pensar a nossa condição presente, aceitando a falha, o incerto. Sem caução nem garantias”, explica a curadora. 

Trailer de La Chinoise, de Jean-Luc Godard

Enquanto jovem curadora Carolina acha importante conhecer e trabalhar com artistas da sua geração, pensando “na sua preponderância na construção de um futuro também”. Procura proporcionar algo fora do habitual, dando espaço e visibilidade a artistas que ainda não estão representados no circuito galerístico português, e cruzar públicos diferentes que encontrem artistas que ainda não conheciam, sempre num contexto informal. Ao juntar 28 propostas diferentes trouxe para Lisboa jovens provenientes de vários cantos de Portugal, do Porto a Sesimbra, às Caldas da Rainha, a Évora e até Faro.

Ainda que a seleção final tenha resultado em 28 propostas, a pesquisa e a pré-seleção começaram com 50 nomes em cima da mesa. “Falei com vários artistas, visitei alguns ateliers, pedi portfolios. Depois tivemos de perceber que trabalhos estavam disponíveis e/ou poderiam ser concebidos especificamente para a exposição”, explica Carolina. Seguiu-se a seleção de propostas e o planeamento da ocupação das peças no espaço, algumas já existentes e outras concebidas propositadamente para a exposição. Com Tomaz Hipólito a pensar a arquitetura do espaço expositivo, o projeto acabou por ser discutido numa reunião coletiva que aconteceu uma semana antes da montagem. A curadora confessa que “foi assustador perceber como 28 propostas iam coabitar aquele armazém ainda por arrumar”, mas que aos poucos “as peças do puzzle” se foram compondo. 

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I Will Take the Risk, o nome que à primeira vista pode parecer arrojado, surgiu em conversas entre Carolina Trigueiros e Tomaz Hipólito, precisamente por sentirem a necessidade de arriscar e ver trabalho mais “fresco” num contexto expositivo. Segundo Carolina, procuravam “algo menos preso ao mercado e à lógica das galerias ou instituições – em que algumas vezes pode predominar a necessidade do “sucesso”. ” “Queríamos uma ocupação quase radical, mas também atentar à singularidade das propostas artísticas. E claro, que fosse possível dar a conhecer ao público um conjunto de artistas portugueses na sua maioria nascidos nos anos 90.”, continua. 

Diogo Bolota, Carolina Serrano, Vítor Israel, Mónica Coelho, Fábio Colaço, Rui Castanho, Alice dos Reis, Francisca Aires Mateus, Ana Rostron , Manuel Tainha, João Pedro Trindade, José Taborda, Luísa Abreu, Bárbara Bulhão, Diogo da Cruz, Adriana Proganó, Hugo Bernardo, João Pedro Fonseca, Rodrigo Gomes, Francisco Barahona, Xavier Ovídio, Rui Gueifão, Maciel Santos, Inês Brites, João Viotti, Rodrigo Rosa, Eduardo Fonseca e Silva + Francisca Valador e Beatriz Coelho foram os escolhidos para representar a geração e materializar o risco que Carolina e Tomaz queriam tomar, e que se pretende “catalisador de mudança e reflexão”, como afirma a curadora no texto curatorial. 

Os 29 artistas, que se refletem em 28 propostas, são parte da geração da qual Carolina também faz parte e juntos lançam um desafio: olhar nos olhos os problemas e possibilidades que carregam consigo, até ao dia 27 de fevereiro no Tomaz Hipólito Studio.

Texto de Carolina Franco

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