Regressando às salas habituais entre os dias 21 de agosto e 6 de setembro, o IndieLisboa apresenta na secção "Director's Cut", dedicada a filmes sobre o cinema, nomes como Hopper e Welles, em "Hooper/Welles"; "Três Dias Sem Deus" e "The Last Stage". Não ficando por aqui, faz-se acompanhar pela seção "Boca do Inferno", composta por uma programação "de filmes desconcertantes que rasgam fronteiras de registo e temas, sem tabus".

Em grande destaque na secção Director's Cut encontra-se o documentário Hopper/Welles, de Orson Welles, que estreou na edição passada, do Festival de Veneza, afirmando-se como a sua primeira exibição pública depois de 40 anos guardado. A conversa entre os realizadores, filmada nos anos setenta, mostra momentos cruciais das suas carreiras.
No caso de Welles "não trabalhava em Hollywood há mais de uma década, e tinha começado a confirmar-se como um artista ferozmente independente e idiossincrático, já Hopper, acabava de alcançar sucesso inesperado com o hit de contracultura Easy Rider, financiado por um estúdio. Em preto e branco, e iluminado apenas pela lareira e lâmpadas de furacão, este é um registo histórico entre duas figuras magistrais do cinema americano, que aqui conversam sobre cinema, a arte e a vida", lê-se em comunicado.

Ainda na secção "Director's Cut", Três Dias Sem Deus, a primeira longa-metragem de ficção realizada por uma mulher em Portugal, por Bárbara Virgínia, é apresentada. A realizadora que tinha à data 22 anos. Realizou o filme, foi corresponsável pelo argumento e interpretou o papel principal. O filme estreou a 30 de agosto de 1946, no Cinema Ginásio em Lisboa, e viria a integrar a comitiva portuguesa na segunda edição do festival de Cannes, nesse mesmo ano.

O IndieLisboa partilha que numa primeira projeção, o filme contava com cerca de 102 minutos (aproximadamente 2800 metros de película). Desses, foram preservados, apenas, 26 minutos (868 metros), dos quais se perdeu a banda-sonora. O resultado de uma digitalização e restauro digital desse fragmento é, agora, apresentado no IndieLisboa, no dia em que se comemoram, exatamente, 75 anos da estreia.

A anteceder a mostra será exibido o filme Lost and Found de Clara Cúllen, um documentário sobre a avó da realizadora, a primeira mulher argentina cineasta, contemporânea.

Destacam-se ainda outros dois filmes portugueses, A Távola de Rocha, de Samuel Barbosa, uma exploração do processo criativo de Paulo Rocha, após a sua estreia no Festival de Locarno em Agosto, e Diálogo de Sombras, de Júlio Alves, em estreia mundial, que se debruça sobre o universo de Pedro Costa a partir da sua exposição em Serralves, Pedro Costa: Companhia.

Segue-se The Last Stage, de Wanda Jakubowska, uma das primeiras representações da vida em campos de concentração, filmado logo após a 2ª Guerra Mundial e agora apresentado num restauro digital, e There Are Not Thirty-six Ways of Showing a Man Getting on a Horse, de Nicolás Zukerfeld, que parte de uma investigação à citação atribuída a Raoul Walsh, e consecutiva tentativa de a ilustrar.

Secção Boca de Inferno, "rasgam-se fronteiras de registo e tema"

Composta por longas-metragens, a secção Boca de Inferno destaca um clássico do terror italiano que celebra 50 anos. Ecologia del delitto, de Mario Bava, conta a história do falecimento de uma condessa rica, que desencadeia uma guerra pela sua herança e uma sequência de mortes que parece não cessar. 

Juntam-se ainda She Dies Tomorrow de Amy Seimetz que difunde o horror psicológico levando-nos ao humor absurdo; Spree, de Eugene Kotlyarenko, conta com a participação de Joe Keery, ator conhecido na série Stranger Things, "contado na primeira pessoa, é um híbrido entre a comédia e o horror, com uma mensagem de cautela em relação às redes sociais", acrescentam no comunicado.

Das curtas-metragens da secção destacam-se: Rendang of Death, de Percolate Galactic,; T'es morte Hélène, de Michiel Blanchart e MeTube3: August sings „Una furtiva lagrima“, de Daniel Moshel.

Consulta toda a programação aqui.

Texto por Patrícia Silva
Fotografia da cortesia de IndieLisboa

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