"Mudam-se os tempos, mudam-se as canções. Mas a luta continua!" É este o mote com que se apresenta Luta Livre, o novo projeto de Luís Varatojo, que lançou, na última sexta-feira, 5 de fevereiro, o álbum de estreia, Técnicas de Combate, disponível nas plataformas digitais, em CD e LP.

“Política”, “Ninguém Quer Saber”, “Iniquidade”, “O Problema é o Sistema”, “Sushi Era No Japão" ou "Escravo do Patrão" fazem parte das dez canções que pretendem pôr na ordem do dia assuntos como a precariedade no trabalho, a cidadania, as iniquidades, a desinformação, o racismo, o populismo ou as alterações climáticas. Em jeito de spoken word, Luta Livre é fruto de um olhar interventivo sobre a sociedade e a atualidade que ganha força numa sonoridade onde o jazz e a pop marcam presença.

Com letras, músicas e produção de Luís Varatojo – músico ligado a projetos como Peste & Sida, Despe e Siga, Linha da Frente, A Naifa e, mais recentemente, Fandango –, o disco foi gravado e misturado entre janeiro de 2019 e outubro do ano passado e conta com a participação de vários convidados, como o Coro Gospel Collective, Ricardo Toscano, Kika Santos, Edgar Caramelo, entre muitos outros.

Gerador (G.) – Luta Livre é um projeto de música de intervenção em tempos de democracia. A música de intervenção tem hoje o mesmo poder que noutros tempos?

Luís Varatojo (L.V.) – Eu diria que é mais um projeto de música de esclarecimento. A intervenção também é esclarecimento, mas, às vezes, fala-se da música de intervenção como música de protesto. Acho que aquilo que fiz neste disco é mais esclarecer e informar do que protestar contra algo. Obviamente que a informação traz sempre um esclarecimento e uma noção da realidade que nos faz depois tomar uma opção, que é, ou viver com ela, ou fazer alguma coisa para que essa realidade se altere. E nesse sentido, sim, pode ser considerada intervenção, como esclarecimento.

Acho que faz todo o sentido, senão não o fazia. Acho que, em tempo de democracia, também há muitos problemas. Alguns que, se calhar, nem todos nós sentimos, porque se calhar estamos numa faixa da população em que não sentimos esses problemas. Mas o nosso amigo do lado, ou a pessoa que vive ao nosso lado, se calhar confronta-se com eles. Uma das canções de que me estou agora a lembrar que é o "Escravo do Patrão", que fala da precariedade. Nesse exemplo, peguei no caso dos entregadores de comida, pessoal do UberEats, da Glovo, etc. É uma situação que me faz mesmo muita confusão. Aquelas pessoas vão estar ali a trabalhar, não têm segurança social, não têm assistência médica, não têm nada, basicamente. É um problema. Esse aí, nós vemos, pelo menos quem vive nas cidades confronta-se com ele. Portanto, apesar de estarmos em democracia, há muitas coisas.

A iniquidade, por exemplo. Vemos isso em montes de notícias. Cada vez é maior o fosso entre quem tem mesmo muito dinheiro e quem não tem nada. A informação chega-nos através de todos os meios. Se há iniquidade aqui, num país da Europa, muito maior ela é, por exemplo, em países da América Latina, em África. Nos Estados Unidos, que eram um país muito próspero, neste momento, uma grande parte da população sobrevive no limiar da pobreza, mesmo trabalhando oito, nove, dez horas por dia. Portanto, há muitos assuntos que merecem ser falados e merecem ser postos em música.

G. – Não é muito habitual ouvirmos em canções temas como a autoajuda ou sequer as alterações climáticas. São temas de que já se fala bastante, mas não neste registo.

L.V. – Sim, realmente não é muito habitual. Se calhar, aqui. Eu acompanho, por exemplo, a música da Colômbia, Argentina, e aí há muita gente a fazer música que se preocupa. Se calhar, porque esses problemas lhes estão mais perto, mas esses problemas acabam por ser de todos. Pode não se sentir aqui tanto na pele, mas eles também são nossos e acho que devem ser abordados. E quando ponho isso em música, de certeza que vou chegar a pessoas que, se calhar, ainda não se tinham preocupado com isso e, se calhar, através da música, vão olhar para essas questões de outra forma. E, quem sabe, de futuro vão ter outra atitude. Pelo menos, isso seria o ótimo do resultado que a música poderia ter, e a intenção é essa, obviamente: é por à vista determinadas questões que, às vezes, não estão assim tão à vista.

G. – Vivemos tempos bastante particulares, em que – dizias isso numa entrevista – a pandemia veio, no fundo, evidenciar uma série de questões com as quais já convivíamos: o afastamento das pessoas da política, os populismos, os extremismos, a desinformação. Em que contexto é que decidiste criar esta Luta Livre?

L.V. – Para ser sincero, não sabia o que era isso da Luta Livre. Não foi uma coisa assim tão pensada. Isso teve a ver com uma prática em duas frentes. Por um lado, eu sou um consumidor de notícias e gosto de estar informado em relação a tudo. Leio muitas notícias. Todos os dias de manhã, dou uma volta pelos meios de comunicação nacionais e internacionais e gosto de estar informado. E, a partir do início de 2019, comecei a tirar umas notas no telefone, ia pondo notas de artigos, às vezes copiava um parágrafo, porque eram artigos que me interessavam, os assuntos interessavam-me. Não sabia o que ia fazer com aquilo, mas, a determinada altura, quando já tinha um bom volume de textos, comecei a trabalhar esses textos e comecei a tentar organizá-los, de forma a que esse texto pudesse ser a minha voz sobre esse assunto.

Por outro lado, como habitualmente todos os dias faço alguma coisa, pelo menos tento fazer um beat, uma sequência de acordes, fui contruindo uma série de pedaços de música, sobretudo à volta de samples de discos de jazz, porque é uma sonoridade que me estava a agradar bastante e gostava de pegar nela e manipulá-la. Não fazer disto um disco de jazz, porque não sou músico de jazz, mas pegar nessa sonoridade e fazer qualquer coisa com ela. E, a determinada altura, comecei a juntar as duas coisas, esses textos e essas sonoridades. E esses textos tão crus que vêm das notícias, tão diretos, achei que isso poderia ter alguma graça, esses textos em cima desta música dos sopros, dos saxofones, de algum improviso e esse ambiente todo que vem do jazz. Foi assim que foi começando a aparecer o que depois acabou por ser a Luta Livre.

De início a ideia até era – e, aliás, começou por isso – ter um canal do YouTube, onde fui trabalhando, ia colocando as músicas, trabalhando também com alguns artistas visuais gráficos de quem gosto e que quiseram participar no projeto. A ideia era criar esse canal de comunicação e, uma vez por mês, de dois em dois meses, ir comunicando, ir passando essas mensagens. A determinada altura, disseram-nos que não podíamos ir para a rua, tínhamos de ficar em casa confinados, e eu usei o tempo para desenvolver as canções que tinha, os esboços que tinha, e isso acabou por dar um disco, e tive de lhe dar um nome. E aí vem a Luta Livre.

A ilustração da capa do álbum Técnicas de Combate é da autoria de João Pombeiro, o artwork é de Luís Carlos Amaro e as letras são desenhadas por Cristina Viana.

G. – Este é um disco que pretende pôr as pessoas, acima de tudo, a refletir. Que feedback é que tens tido dos vídeos que foste lançando?

L.V. – Tenho tido um bom feedback, porque tem causado discussão, e isso é bom. Alguns mais do que outros. Por exemplo, o primeiro, que o nome é "Política", que é uma palavra tão mal vista neste momento, causou logo uma enorme discussão. Foi lançado em março, mas depois voltei a pô-lo a rodar no Facebook e no Instagram, por volta da altura do 25 de Abril – nessa altura até o José Luís Peixoto fez um texto para acompanhar o vídeo –, e gerou uma grande discussão entre pessoas que diziam "lá vem a política”, “isto não tem nada a ver com política" e logo a tentar enquadrar essa música em determinado quadrante ideológico político, que ela não tem. Houve discussão acesa. Por exemplo, no Facebook, às tantas, tive de moderar a discussão entre pessoas que achavam isto e pessoas que achavam aquilo. Nunca entrámos, como às vezes se entra nas redes sociais, em agressões. Felizmente, nunca lá chegámos – também avisei que não ia permitir isso –, mas houve muita discussão de esquerda, direita, e sociedades assim, sociedades assado, e isso foi bom. Essa canção teve logo algum propósito, porque a canção fala exatamente das pessoas se absterem da participação política, absterem-se de votar, por exemplo, absterem-se de se organizarem em coletivos, sejam eles associações de estudantes, sindicatos, partidos, o que quiseres, coletivos. Essa canção fala disso e acabou por pôr pessoas que, se calhar, não se interessam por política a discutir, portanto, acho que aí já foi bom. E isto passou-se depois noutros temas também. Quanto mais os temas falam de política, mais geram essa discussão, e isso é interessante.

G. – Ao nível da política, é interessante perceber que as pessoas tendem a achar que uma música mais interventiva tem de cair ideologicamente para esquerda, para a direita, para o centro e, por vezes, isso não tem de acontecer assim. 

L.V. – Acho que essa música é bem exemplificativa disso. Essa canção, "Política", que o refrão é "Associações, Sindicatos e Partidos/ As classes dominantes têm horror aos coletivos", isso o que é que quer dizer? Quer dizer, exatamente, que há pessoas que estão em determinado estrato da sociedade, que apostam na divisão de nós todos para poderem ter mais benefícios. E quando nós nos organizamos, essas pessoas têm mais dificuldade em atingir esses benefícios, portanto, isto é válido para um coletivo político, do PCP ou do CDS, mas também é válido para os outros coletivos todos. Não há nada na canção que diga que eu caio para a direita, ou caio para a esquerda. O que digo é «nós temos de nos organizar todos, meus amigos, temos de nos organizar, que só assim é que conseguimos melhorias na nossa vida».

G. – Viveste o período do 25 de Abril, um período de grande mobilização e intervenção pública. Li numa entrevista que tinhas nove anos. O que te recordas dessa altura?

L.V. – Tive muita sorte e muita felicidade em ter vivido esse período, realmente, porque o que eu me lembro era de um grande espírito de coletivo. Contrariamente, agora estamos a viver uma era altamente individualista. Havia um grande espírito coletivo, que veio da revolução, obviamente. Lembro-me, por exemplo, de no bairro onde vivia haver uma comissão de moradores, e essa comissão de moradores reunia para melhorar a vida de todos os moradores, inclusive, marcava jornadas de trabalho. Lembro-me de ao domingo de manhã sair toda a gente para a rua, por exemplo, para apanhar as ervas do passeio, limpar a rua, etc. Toda a gente se preocupava com meio envolvente, com as outras pessoas, organização de festas. Os santos populares eram organizados pela comunidade. A lembrança que tenho é de um tempo muito solidário e muito coletivo, em que as pessoas pensavam primeiro no conjunto de pessoas, nos vizinhos, nos colegas de trabalho, do que propriamente no benefício próprio. Vivi isto a seguir ao 25 de Abril, mesmo. Se calhar outras pessoas viveram de outra maneira, mas, para mim, foi mesmo um período muito feliz, e isso marcou muito a minha formação.

G. – Achas que é essa falta de envolvimento social e político que faz falta nos dias de hoje?

L.V. – Sim, nos últimos tempos tem-se vindo a exacerbar isso. Cada vez que uma pessoa pensa mais nela do que nos outros, pensa mais no lucro que há de obter de determinada situação do que no bem que pode fazer ao coletivo ter determinada ação, isso é a destruição da sociedade. Completamente. Temos um bom exemplo agora nos Estados Unidos, onde que essa loucura do individualismo nos levou a uma situação inimaginável há uns anos que é uma invasão do Capitólio. Não passaria pela cabeça de ninguém que isto acontecesse nos Estados Unidos. Talvez na Argentina, em El Salvador, no Panamá, mas não nos Estados Unidos. E isso aconteceu realmente. Acho que é sobretudo resultado desse individualismo, desse culto de determinada personalidade, das notícias falsas, etc. Quanto menos estivermos em conjunto com as outras pessoas, também menos informação temos e menos podemos discuti-la, portanto, também menos abertos somos, menos plurais, e isso trás, evidentemente, problemas, e os problemas já são graves neste momento e vão tender a agravar-se, se não nos organizarmos de outra forma. Acho mesmo muito importante que a malta se organize.

G. – Sentes que as pessoas se descartaram um pouco das suas responsabilidades, como do ato de votar, e têm noção disso, ou não têm noção de que têm efetivamente poder para influenciar aquilo que é decido para o país e, consequentemente, para as suas próprias vidas?

L.V. – Acho que as pessoas se têm descartado dessa responsabilidade, mas acho que não é um ato consciente e voluntario. Acho que têm sido manipuladas para isso, porque convém a algumas pessoas. Quanto menos nos preocuparmos com essa participação cívica, mais poder ganham essas pessoas. Se não formos votar, alguém vai ser eleito na mesma. Nós só não participamos nessa escolha. Portanto, acho que as pessoas, em primeiro lugar, têm sido manipuladas para isso. Há sempre muita escolha no espetro político da democracia, e as pessoas podem sempre escolher alguma coisa e ainda assim, se não gostarem de nada do que existe, podem sempre fazer uma proposta nova e angariar pessoas para seguir essa proposta. Agora, se não houver uma consciencialização dos cidadãos que têm de participar…

Essa consciencialização existe muito mais, por exemplo, nos países do norte da Europa, onde a cidadania é muito mais forte. As pessoas acham – e têm toda a razão – que fazem parte da sociedade e, se tiverem interferência nela, ela pode ser melhor. Portanto, se as pessoas não tomarem essa atitude, ela nunca pode ser melhor.

Por exemplo, uma vez estive em Berlim e estava lá um amigo, que é designer gráfico. Fui visitá-lo, tivemos lá dois ou três dias e surgiram várias conversas. Nessa altura, estavam a impor cá, em Portugal, aquele sistema que temos agora de fazes um trabalho, tens de passar uma fatura. Não existem trabalhos sem faturas. Elas são registadas nas finanças. Parece que não, mas há uns anos isso não existia cá. Mas agora existe e foi nessa altura, por volta de 2013. Estava a falar-lhe nisso e estava a perguntar-lhe – isto porque ele me tinha dito «ainda ontem fiz um trabalho para uma capa de um disco e passei uma fatura». «E que fatura é que passaste?» E ele disse-me: «Um documento no Word, onde pus o valor e mandei-o». «Mas como é que isso pode ser assim? Assim é tudo a fugir ao fisco». E o que ele disse foi: «Isso não passa pela cabeça dos alemães, fugir ao fisco. Os alemães sabem que têm de contribuir para a sociedade e sabem que não vão fugir ao fisco, porque eles também beneficiam do fisco. Porque eles também têm sistema de saúde, têm educação, têm isso tudo. Portanto, isso é uma coisa portuguesa. Aqui não passava pela cabeça de ninguém fugir com a fatura.»

É essa consciência de estar em sociedade e participar na sociedade que se tentou pôr em funcionamento a seguir ao 25 de Abril, com todos os defeitos que teve, mas que depois foi sendo desfalcada. As pessoas foram recebendo sempre informação vinda daqui, vinda de acolá. Foram sendo manipuladas de que não vale a pena participar, que isto está sempre entregue aos mesmos. Mas o que é facto é que já vamos com 46 anos, as eleições continuam a acontecer, mas ou menos abstenção, os governos continuam a tomar posse, e as pessoas que não votam continuam a ter que se submeter às leis dos governos que são eleitos pelos outros que votam. Esta é que é a realidade. Uma pessoa se quiser sair fora do sistema, aí então vamos para a anarquia. Temos de entregar o cartão de multibanco, o bilhete de identidade, não podemos ter nada disso. E temos que viver sem dinheiro. Isso é o verdadeiro antissistema.

G. – O que é que achas que contribuiu para caminharmos para esta apatia social e alienação?

L.V. – Acho que contribuiu muito a forma como os vários poderes – não falo só do Governo, estou a falar também de grupos de comunicação, por exemplo – têm encarado esta coisa de nos transmitir aquilo que querem que nós sejamos. A estupidificação através de programas de televisão, por exemplo, nas últimas décadas, tem conduzido a isto. Cada vez são piores. Se já eram maus nos anos 90, agora são péssimos. Temos um serviço de televisão, todos os canais… O único que escapa talvez seja a RTP2.

G. – Quase por obrigações legais também...

L.V. – Por obrigações legais, sim. Mas atenção que os outros canais também têm obrigações legais, só que não cumprem. Porque, se nós formos ver a constituição, dar licenças a canais de comunicação tem as suas obrigações, que não são cumpridas de todo. Desde a defesa da divulgação da cultura portuguesa, defesa da língua, o dever de informação… Isso não é minimamente cumprido. E acho que um dos principais motivos é esse. Se calhar esta geração agora está a crescer com a internet, a minha cresceu com a televisão e, em ambos os casos, é esta estupidificação através do mau entretenimento de programas maus que não querem que as pessoas pensem, que basicamente fiquem ali sentadas a absorver lixo. Acho que isso é um dos principais fatores. Haverá outros com certeza, mas temos crescido muito com os ecrãs. Ora a televisão, ora a internet, temos crescido com ecrãs, e é isto que tem moldado um bocado as nossas personalidades.

G. – A música de intervenção é um espaço que estava vazio em Portugal, ou consideras que há outros artistas que ocupam este espaço?

L.V. – Acho que a falar destas coisas, sobretudo com esta abordagem musical, pelo menos eu não conheço nada. As questões político-sociais têm sido tratadas sobretudo dentro da área do hip-hop, e aí têm acontecido. Há vários artistas e conheço vários. Já estive com alguns, inclusive, já tive em programas de discussão, de debates com alguns deles. Aí há essa intenção até porque faz parte da cultura do hip-hop. Mas há uma consciencialização. Eles olham à volta e falam realmente das coisas que os afetam. Nas outras áreas da música, acho que temos estado virados para outro lado. Mesmo quando são canções de amor, etc., há muito pouco assunto. Há uma banalidade e há um formato. Não será banalidade, será mais uma formatação. Acho que há medo também de abordar determinados assuntos. Há um certo receio de depois não passar na rádio, não ser bem visto aqui, não entrar acolá, ferir suscetibilidades, ser politicamente incorreto. Acho que há esse receio da parte de muitos artistas e muitos músicos. E depois também é o facto de a maior parte dos músicos das outras áreas que não o hip-hop vir sobretudo de camadas da classe média. Pessoas que têm a sua vida instalada, que não têm grandes problemas, logo, como não os sentem na pele, não falam deles, apesar de eles estarem ali ao lado. Acho que também têm a ver com isso. Conclusão, tirando o hip-hop, acho que há um défice de pôr estes assuntos na ordem do dia, porque acho que isto também ajuda a que as pessoas pensem um bocadinho. Podem não gostar, mas, se ouvirem, já ficam a pensar. Alguma coisa há de lá ficar. Acho que é importante que isso seja feito. 

Texto de Flávia Brito
Fotografia de Sara Varatojo

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Luís Varatojo