Há cerca de um ano, o projeto Arte e Olhar — promoção da inclusão surdos/ouvintes através do teatro, promovido pela Academia de Teatro Tin.Bra, integrou a lista de vencedores da 1ª edição do PARTIS & Art for Change. Esta iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação ”la Caixa” apoiou, no total, 16 projetos de promoção da integração social através da expressão artística, totalizando cerca de 1,5 milhões de euros.

O nome da iniciativa em questão deixa pistas sobre o que trata: a palavra “arte” remete para teatro, e o “olhar” para o elemento que procura o outro. O projeto tem como objetivo a promoção de encontros em meio escolar entre estudantes surdos(as) e ouvintes, com idades entre os 15 e os 18 anos. A ideia foi levada a cabo no Agrupamento D. Maria II, em Braga (instituição de ensino de referência bilingue) e foi alvo de uma reportagem do Gerador, que podes consultar aqui.

Os trabalhos tiveram início em setembro de 2021, altura em que, conforme inicialmente planeado, o Arte e Olhar deu início à primeira de três fases: a realização de grupos focais com os participantes (alunos, pais, professores e educadores surdos e ouvintes, intérpretes, terapeutas, psicólogos, docentes e assistentes operacionais). Neste momento, o coletivo encontra-se na segunda fase, aquela que diz respeito ao desenvolvimento coletivo de um texto dramático bilingue que será apresentado brevemente ao público num espetáculo (que constitui a terceira fase).

De forma a perceber os contornos do trabalho desenvolvido e quais as conclusões extraídas deste projeto, falámos novamente com Maíra Ribeiro, coordenadora artística do Arte e Olhar e vice-presidente da Academia de Teatro Tin.Bra. De todas as etapas percorridas até aqui, a responsável não tem dúvidas em sublinhar qual a maior lição:  “Só nós, ouvintes, é que podemos mexer-nos para aprender Língua Gestual Portuguesa e vir ao encontro da comunidade”, afirmou.


Gerador (G.) – Para quem ainda não conhece, o que é o Arte e Olhar e como surgiu?

Maíra Ribeiro (M.R.) - Este projeto só existe graças à vontade de dois parceiros fundamentais. Ou seja, [o projeto] Arte e Olhar não existiria se, do outro lado, o nosso parceiro - que é representado pela coordenadora social, a Luísa Campos - o Agrupamento de Escolas Dona Maria II, não tivesse aceitado o desafio.

Esta vontade, na verdade, vem da nossa presidente, a Maria Batista, que sempre quis trabalhar com a comunidade surda. Portanto, já há muito tempo que ela gostaria de ter feito este tipo de projeto de inclusão através da arte, através do teatro (que é a nossa essência). Na verdade, ela e a nossa coordenadora social já se conhecem há muitos anos dentro do âmbito escolar e nunca tinha surgido esta oportunidade. Surgiu graças à Gulbenkian e à Fundação la Caixa, com este financiamento.

Enquanto a nossa essência, a nossa matéria é o teatro, já do lado do parceiro social é perceber as suas dinâmicas, porque o Agrupamento de Escolas D. Maria II é o agrupamento de referência para o ensino surdo no norte do país.

Então, a experiência da nossa coordenadora social passa por ver que os nichos continuam. Ou seja, dentro da escola, que é a nossa base do início de interação social - o primeiro núcleo é a família, mas depois passamos a maior parte do tempo na escola, com esta segunda família - ela constata que continua a haver o grupo dos alunos surdos e o grupo dos alunos ouvintes e é o desconhecimento que é a fonte desta separação, essencialmente. Porque eu olho para um surdo e vejo-o comunicar em Língua Gestual Portuguesa e eu até posso achar muito fascinante, mas depois tenho receio de o abordar, de falar e não vou. Ao mesmo tempo, a comunidade surda, como sofre há muitos anos com essa segregação, já é também um bocado... como é que posso explicar... não é desconfiada... Não estou a encontrar a palavra certa, mas passa muito por [pensar] "ok, vou ficar na minha comunidade porque não há interesse em chegar [até mim]", e é só a comunidade ouvinte que pode fazer esse passo, porque um surdo não vai voltar a ouvir. Só nós, ouvintes, é que podemos mexer-nos para aprender Língua Gestual Portuguesa e para vir ao encontro da comunidade.

Então, o Arte e Olhar surge porque o teatro é quase uma terceira língua que se vai meter aqui no meio, para tentar fazer a ponte. Através do teatro [queremos] conseguir, pelo menos, promover esta união e encontrar os caminhos para trabalhar em conjunto. Foi essencialmente esta a ideia principal: utilizar o teatro como ferramenta para promoção da inclusão entre os alunos surdos e ouvintes (neste caso dentro do agrupamento), mas isso já está a acontecer com a equipa, porque começa aí. Nós temos os professores de Língua Gestual Portuguesa, que são surdos, temos os intérpretes, que fazem a ponte, temos o realizador, o José Luiz Rebel, que é surdo e que vai fazer um documentário sobre o projeto. Eu, por exemplo, tenho que lidar diretamente com ele. Eu estou a estudar, já há dois anos, Língua Gestual Portuguesa por causa deste projeto. Isto muda a nossa forma de estar, a nossa forma de ver o mundo enquanto criadores.

G. - O projeto tinha o início previsto para setembro deste ano...

M.R. – E começou [nessa altura].

G. – Ok, começou em setembro deste ano. Pelo que sei estava previsto fazer grupos de debate.

M.R. – Foram feitos, sim.

G. – Quais as conclusões que retiraram desses grupos?

M.R. - Então é assim: obviamente, para a construção de um projeto dessa envergadura, nós já começámos em 2020 com as reuniões de trabalho, ainda em fase de candidatura. Vamos criar um espetáculo de teatro bilingue e, não fazia o menor sentido para nós, criar uma dramaturgia que vai falar justamente sobre isso e sobre as dificuldades de comunicação entre esses dois mundos, se nós não ouvirmos os diretos interessados e aqueles que estão a sentir isto.

Portanto, fizemos três grupos focais: com alunos surdos e ouvintes, com professores, técnicos e auxiliares da própria escola, surdos e ouvintes, e com os pais surdos e ouvintes. Pais inclusive, [que são] ouvintes com filhos surdos, pais surdos com filhos surdos e pais surdos com filhos ouvintes.

Então, foi assim... eu nem consigo materializar. Há ali uma carga enorme. Em cada um dos grupos há necessidades e levantamentos de dificuldades diferentes. Enquanto que nos alunos é mais aquela coisa da vergonha, da curiosidade, do "ah, mas ele não vai perceber!". Depois os alunos surdos [pensam] que [os ouvintes] também não querem aprender. Dizem "eles não vêm falar connosco, acham que a gente é bicho" [risos]. Coisas assim, típico da juventude. Uns acham que eles é que têm razão, outros acham que não. Mas, o que foi bonito, no grupo dos alunos por exemplo, foi todos perceberem que não há volta a dar. É só quando aprendermos Língua Gestual Portuguesa...

G. - ... é que é possível.

M.R. - ... é que vai dar, mas é preciso dar o primeiro passo. O querer, o tentar, o quebrar esta primeira barreira. Eu, por exemplo, tenho um nível super básico de Língua Gestual Portuguesa. É o que dá e também me vale o teatro, porque se não dá [para me exprimir] em Língua Gestual Portuguesa, tento em mímica e ou outras coisas quaisquer e lá nos desenrascamos. É possível, nós conseguimos comunicar.

No grupo dos professores também foi curioso. É que, como este é um agrupamento referência, há intérpretes em sala de aula, mas muitos [dos professores que não sabem,] disseram que tentam aprender algumas coisas - "bom dia", "obrigada" - mas os adultos têm esta barreira acrescida, que é um medo mais forte de errar ou de fazer papel de ridículo. Levantaram-se questões do tipo "Ah, eu sei lá se eu estou a fazer um gesto que significa outra coisa?!". Há essa barreira, de terem que ensinar e, ao mesmo tempo, sentem-se, às vezes, frustrados por não conseguir, porque é uma literacia diferente.

A primeira língua, para os surdos, é a Língua Gestual Portuguesa, que tem uma estrutura gramatical diferente, mais simplificada. Então, muitos professores têm esta coisa de falha da missão, de se sentirem, muitas vezes, frustrados nesse sentido. É unânime, e muitos disseram-no até de uma forma muito humilde, muito querida, que tinham mesmo que aprender Língua Gestual Portuguesa, como se estivessem a cair em si e a tomar a consciência que estão a ser preguiçosos, porque têm todas as ferramentas ali, dentro daquela escola. Têm os colegas surdos professores de Língua Gestual Portuguesa...

G. – Portanto, facilmente aprendem.

M.R. – Sim. E, alguns deles, já há anos que dão aulas naquele agrupamento e não se mexeram ainda. Portanto, senti que aquele grupo tomou um pouco de consciência.

No grupo dos pais foi mais a emoção que falou, principalmente a parte dos pais ouvintes que tiveram filhos surdos. Uma mãe até usou esta expressão: contou quando o médico lhe disse que o filho era surdo e que ela disse "Meu filho é surdo, a sério???" E fez assim uma expressão de [decepção], de que lhe caiu o mundo. A contrastar, os pais surdos que têm uma surdez genética, e que sabiam que os filhos iam nascer surdos, apesar de não terem verbalizado, [exprimiram] quase que um orgulho, [como se dissessem] "ainda bem que meu filho nasceu surdo".

G. – Porque assim compreendem a situação e os desafios enfrentados.

M.R. - "Faz parte da minha comunidade". O único pai surdo com filhos ouvintes - que também foi um testemunho muito bonito - disse assim: "A primeira língua que os meus filhos aprenderam foi a minha língua materna, que é Língua Gestual Portuguesa. Depois, quando eles vieram para a escola, é que eles aprenderam o Português". Portanto, os filhos deste colega, que é professor de Língua Gestual Portuguesa, diz que os filhos são bilingues. [Ele disse]: "essencialmente, na minha casa, sempre predominou a Língua Gestual Portuguesa. Claro que, agora, eles já estão adolescentes e, entre eles, começam a falar em Português. Mas eu, de vez em quando, chamo a atenção".

Portanto, no fim, tinha pais ouvintes com os filhos surdos que fizeram desabafos muito preocupados, [do género] "o que é que vai ser do futuro do meu filho?". E os outros pais surdos disseram: "Olhem para nós. Nós somos exemplo de que eles podem ser muito felizes. Não tenham medo. Nós vamos acolhê-los". Foi bonito este momento. Nisto tudo, contámos com o apoio do Politécnico do Porto, com a professora Susana Barbosa, [cuja equipa] está a fazer a transcrição das gravações dos grupos focais para que eu, aos poucos, pegue nisso como matéria de base.

G. – A dramaturgia ainda está a ser desenvolvida?

M.R. - Sim, ainda vai ser construída. Estes grupos focais são a matéria-prima para a construção da dramaturgia. Portanto, o passo a seguir é justamente a criação desta dramaturgia que obrigatoriamente deverá ser bilingue. Agora, nós vamos começar a experimentar processos porque, a partir de janeiro, vão arrancar as oficinas. Ou seja, vamos ter, dentro da escola, a Oficina de Teatro para surdos e ouvintes. [É dirigida] não apenas a alunos, porque os professores disseram que queriam também fazer, durante os grupos focais.

Também vamos ver como é que vai ser essa experiência, de misturar professores e terapeutas da fala no mesmo grupo. A oficina de sensibilização para a Língua Gestual Portuguesa [também vai iniciar], porque muitos alunos ouvintes que participaram no grupo focal, disseram que queriam aprender. Pelo menos no seio dos grupos focais já despertou essa vontade.

G. – Depois será então feito um documentário. Ele irá abordar todas as fases deste processo?

M.R. - O documentário é um outro output do projeto. Infelizmente, nestes projetos com financiamento temporal, temos de pensar sempre no que vamos deixar, ou seja, como é que vamos fazer para que não se perca no tempo, para que esta nossa experiência, este know-how que estamos a acumular, possa ser disponibilizado a outros. Portanto, o que nos pareceu mais lógico foi documentar o processo.

O documentário vai mostrar todo o processo da construção, desde os grupos focais, às experiências nas oficinas, a construção da dramaturgia, as experiências etc., etc., que vamos fazer ao longo do tempo, bem como os bastidores da construção do espetáculo, com todas as suas fases. [Terá também] algumas entrevistas ao longo do processo, de participantes, de pessoas que estiveram direta ou indiretamente ligadas ao projeto, para que depois o processo possa ser disponibilizado ao público. Imaginemos que uma associação em Lisboa ou no Algarve quer pegar nisto e replicar no seu seio, conseguem fazê-lo a partir do documentário. Então o documentário vai sendo construído à medida que as ações vão acontecendo.

G. – O objetivo passa, então, por servir de exemplo a outras estruturas educativas?

M.R. - Sim. É quase como [um exemplo] de boas práticas. É deixar um legado para que outras realidades ou outras associações, outros grupos que queiram trabalhar a comunidade surda e ouvinte possam saber como é que o podem fazer a partir deste modelo, deste projeto. Têm lá a informação.

As redes sociais do projeto também vão deixando [registos]. Estivemos a fazer entrevistas com os participantes, construímos o teaser, etc. Tudo aquilo que vamos produzindo a nível de conteúdos, vamos publicando nas redes sociais do projeto para ficar como memória, para quem vier e quiser, consultar o que foi o Arte e Olhar e aquilo que vai deixar.

G. - Na sua opinião, de que forma poderia haver uma mudança no que toca à educação, na legislação por exemplo, para que houvesse em todas as escolas outro tipo de estrutura e outra sensibilização para isto?

M.R. - Aqui faz-me falta a nossa coordenadora social, mas eu posso dizer que, do pouco contacto que estou a ter com esta comunidade e daquilo que eu vi nos grupos focais, efetivamente a Língua Gestual Portuguesa deveria estar no currículo das escolas e já a partir dos níveis mais básicos. Porque, se nós oferecemos língua estrangeira - oferecemos o Inglês ou o Francês, o Mandarim etc., - faz todo o sentido que as escolas também tenham a Língua Gestual Portuguesa e não só as escolas de referência. Se é uma língua reconhecida e se, efetivamente nós queremos caminhar para [ter] uma educação para todos, esta luta deveria efetivamente traduzir-se nessa expressão real, no currículo das escolas.

G. – Porque acha que isso não acontece? Haverá falta de professores, falta de apoio especializado...?

M.R. - Tem que ver com o orçamento, tem que ver com... Tal como foi, na altura, a questão das Atividades de Enriquecimento Curricular (AECs). No início, os pacotes de AECs, se fossem escolhidos [aqueles que incluíam] a música, o desporto e o Inglês, as escolas recebiam X dinheiro, mas, se fosse a expressão dramática, expressão plástica e não sei quê, o pacote pagava menos. Ou seja, isto não beneficiou em nada a difusão das artes nos “extra currículos" das escolas. Este processo já foi colmatado e está mesmo a sair - no caso do teatro - a legislação para o ensino articulado do teatro, que não tem, só temos da música e da dança. Mas a verdade é que é uma soma de fatores.

Esta luta é uma soma de fatores, desde a vontade, [ao facto de ser] uma minoria - portanto a representatividade também conta. Eu acho que não há só um fator que impede que isto vá para frente, é uma série deles. Desde a parte do orçamento,  à vontade, às representações da minoria... Portanto isto é um processo mais complexo.

G. - Mas será que a arte pode continuar a desempenhar esse papel de inclusão? Ou seja, se houvesse outro tipo de iniciativas para promover a inclusão ligada às artes ou à cultura, isso também poderia fazer a diferença na vida de mais crianças e jovens? Se houvesse outros projetos pelo país?

M.R. - Todas as escolhas têm sempre dois lados, não é? E eu aqui, em relação a esses editais que colocam a inclusão pela arte quase como uma moda - "tens que ter x deficientes, x não sei quê, x não sei quantos para ter um projeto inclusivo" – [faz com que], estruturas que nunca se viraram para aí, vão "catar" quem é que trabalha com deficientes e fazem um projeto de inclusão. Vamos lá ver: naquele curto espaço de tempo e para aqueles beneficiários, eu não vou dizer que não tem um resultado positivo, só que é preciso, também, fazermos uma reflexão do que é que queremos a longo prazo e o quanto isso, efetivamente, está a mudar a estrutura social e a maneira como esta inclusão está a ser feita. Portanto, é preciso muito cuidado nesta abordagem porque, se não, é meramente instrumental.

"É preciso ter x negros, x imigrantes, x não sei quê..." E por mim falo, porque eu sou imigrante. Não sou de cá e vejo, às vezes, situações em que me abordam pelo facto de ser estrangeira, para participar em projetos. [Dizem] "porque precisamos de um estrangeiro para fazer quota aqui nesta parte do projeto". [E respondo:] "Caramba! Mas estás a contactar-me pelo currículo e pelo valor que tenho, ou estás a contactar-me só porque eu cumpro uma quota?". Eu não estou a querer generalizar e não estou a dizer que todas as estruturas utilizem a inclusão pela arte como mero instrumento, mas que há muitas vezes esse risco, pela maneira como os editais são criados, efetivamente há, porque, na verdade, só exigem que tenham uma quota X de artistas com deficiência, ou públicos alvo vulneráveis - que é outra palavra que eu adoro [risos], ou seja, devemos trabalhar com projetos com artistas, porque estão todos vulneráveis neste momento. Estou a brincar, mas é uma faca de dois gumes. É preciso ter cuidado.

G. – Portanto, seria importante primeiro perceber e medir os impactos a longo prazo?

M.R. –Talvez. Talvez passasse por um profundo acompanhamento, porque depois, a DG-Artes [Direção-Geral das Artes] não consegue medir. Estou a falar da DG-Artes porque é uma das estruturas que promove este tipo de candidaturas, como é a Gulbenkian também, mas a Gulbenkian tem uma forma de acompanhamento muito diferente, inclusivamente por ser muito rígida em relação aos impactos porque quer mesmo perceber e adaptar os seus editais para ver efetivamente qual é o legado, o que é que estamos a deixar, o que é que isto está mesmo a alterar. E eles valorizam muito exatamente isto: Qual é a consequência disso? Vai deixar frutos? Vai deixar marcas? E incidem muito nesta continuidade, neste antes e depois. Como é que ficou o depois? Houve alteração? Não houve? Se não houve, vamos refletir sobre isso. Portanto, a Gulbenkian enquanto estrutura, fundação tem esta preocupação. A DG-Artes já tem dificuldade de controlo.

Porque depois, se reparar - eu não sei se já teve esta vontade, de perder tempo a pegar nos editais da DG-Artes e ver - é tudo “chapa cinco”. São todos mais ou menos iguais na estrutura e mudam ali os destinatários, isto e aquilo. Depois não se consegue perceber os outputs. É só: "ok, vamos apoiar, vamos apoiar, vamos apoiar", mas o que é que isto está efetivamente a mudar?

G. - Não há uma noção dos impactos?

M.R. – Exatamente, do impacto. Agora, se me perguntar se vale a pena continuar com estes projetos? Claro que sim. Temos de fazer [as coisas] de alguma forma. Depois, caberá às estruturas que recebem estes financiamentos ter a sua consciência, o seu dever social, cívico, artístico, estético, de perceber o que é que estão a fazer e como é que querem contribuir para esta mudança, por assim dizer.


Texto por Sofia Craveiro
Fotografias de José Pinto

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