A partir desta quarta-feira, dia 1 de julho, o MAPAS, projeto “porta a porta que leva a cultura ao domicílio”, inicia a sua primeira viagem na cidade de Leiria. A materialização desta iniciativa faz-se através de uma carrinha, que servirá de palco para música e diversos espetáculos, uma galeria de artes visuais, cartas, conversas e vídeos.

Até 12 de julho, o projeto, que representa o acrónimo de “Mobilidade, Acessibilidade, Proximidade, Artística e Social” e que surge do cancelamento do festival A Porta em virtude da pandemia de covid-19, pretende servir como resposta “às novas condicionantes da realidade”, explicam os organizadores em comunicado.

No total, serão apresentadas 12 propostas que vão chegar a 30 lugares. O MAPAS contará assim com as intervenções visuais no espaço público de  ± MaisMenos ±, projeto de arte de intervenção do artista português Miguel Januário que oferece uma reflexão crítica sobre o modelo de organização política, social e económica que administra as sociedades urbanas contemporâneas; e do Coletivo Til, grupo de arquitectos e artistas que se orienta por princípios de multidisciplinariedade e colaboração, materialidade responsável e sustentável, aprender fazendo, processos democráticos e autonomia.

A nível musical, o projeto apresenta uma colaboração inédita entre Fado Bicha e LaBaq. O duo lisboeta de Lila Fadista e João Caçador que reinventa o fado à medida da identidade queer, dando voz às questões urgentes das comunidades LGBT+ juntam-se a Larissa Baq, cantora-compositora brasileira radicada em Leiria e representada pela Omnichord Records. Por sua vez, a artista Surma junta-se ao saxofonista João Cabrita para juntos criarem um concerto inédito no âmbito desta iniciativa.

Juntam-se ainda os Lavoisier, a dupla composta por Patrícia Relvas e Roberto Afonso, que apresentam “Viagem a um Reino Maravilhoso”, disco conceptual envolvido na poesia de Miguel Torga e nos trilhos do poeta na natureza transmontana; os músicos Nuno Rancho e Inês Bernardo criam um espectáculo de canções dirigido a um público infanto-juvenil; e a Sociedade Artística Musical dos Pousos – SAMP  apresenta um cardápio de artistas, alinhados com a sua missão de difusão de música, trabalho de intervenção social e terapêutica e de ensino de música à infância.

Subordinado a um mote de proximidade com a população, o MAPAS apresenta a série PESSOAS-MAPAS, uma colecção de 4 vídeos que mapeiam a cidade e o seus habitantes, com realização da Casota Collective; um projeto de troca epistolar, organizado em corrente, intitulado 12 Cartas para Leiria e para o Futuro, que convida personalidades da cultura e da vida da cidade, explorando Leiria, o outro e o futuro como referência; Rostografia, um  projeto  de  retratos de um fotógrafo mistério que toma rostos como nomes visuais para as viagens e as memórias. Os retratos serão feitos e apresentados durante toda a duração do  evento; e ainda duas Conversas públicas trazem para discussão temas de educação, inclusão, comunidades e transformação pela arte e pela cultura.

O MAPAS tem direcção artística de Gui Garrido ( Festival A  Porta) e António Pedro Lopes ( Tremor Festival). Horários, dias e lugares de apresentação, regras de segurança, normas sanitárias, site e parcerias podem ser consultados aqui.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Susana Neves

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