O projeto “Nossa Língua – Nosso Chão”, do Alentejo, Camões pelo Teatro de S. Carlos, e a exposição virtual “Ritmos e Sonoridades da Língua Portuguesa” estão entre as celebrações do Ministério da Cultura para o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

A efeméride, que se assinala hoje pela primeira vez, é comemorada pelos diferentes organismos, num programa global hoje anunciado pelo Ministério da Cultura.

“Nossa Língua – Nosso Chão”, da Direção Regional do Alentejo, em parceria com a cooperativa Chão Nosso e a associação Andante, e em colaboração com rádios locais e bibliotecas municipais do Alentejo, propõe-se assinalar, por toda a região, “esta conquista tão relevante” para a língua portuguesa, “que tantas pontes culturais criou e cria na aproximação” entre pessoas de “todo o mundo através da sua cultura”, lê-se no comunicado do Ministério.

Este projeto visa apoiar os esforços de valorização da língua junto de diversos públicos, unindo os cerca de 260 milhões que falam português em quatro continentes, “o que lhe confere a dimensão mundial que hoje se celebra”.

Almada Negreiros, António Torrado, Fialho de Almeida, Florbela Espanca, João Pedro Mésseder, Joaquim Figueira Mestre, Lídia Jorge, Manuel da Fonseca, Mia Couto, Rita Taborda Duarte, Sylvia Orthof, Vítor Encarnação, Virgínia Dias são alguns dos escritores a divulgar ao longo do dia, através das rádios do Alentejo.

A Língua Portuguesa festeja-se também pelo Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), em Lisboa, com Camões, em dois momentos: num primeiro, com a história de Pedro e Inês, “o acontecimento que em toda a nossa existência como país mais material forneceu ao mundo da música”, recordando como Camões a exprimiu no Canto III d’”Os Lusíadas”.

Num segundo momento, com um soneto, também de Camões, escolhido por Eugénio de Andrade, na sua “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa”.

No âmbito da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), o Arquivo Distrital de Bragança oferece uma exposição virtual chamada “Ritmos e Sonoridades da Língua Portuguesa”, a partir do espólio documental de registos paroquiais, bibliografia, provérbios, adivinhas, poemas, canções, orações, e objetos artesanais alusivos à cultura dos povos transmontanos.

A Biblioteca Nacional disponibiliza o site temático “Fontes Linguísticas do Português”, com acesso ao conteúdo integral das obras, desde o séc. XVI ao princípio do séc. XX, sobre gramática, ortografia, manuais e métodos de ensino da língua, dicionários, e obras de reflexão linguística do português.

O cinema associou-se também às celebrações, tanto através do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), como pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, com propostas de filmes pertencentes a diversas coleções de arquivos de todo o mundo, e com o “Crianças Primeiro”, iniciativa do Festival Cinanima, que reúne 21 curtas-metragens de animação, de estímulo à literacia.

O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi proclamado pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em novembro de 2019 e é celebrado pela primeira vez enquanto data mundial da língua comum em 2020.

A nível global, o Camões Instituto, em parceria com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), UNESCO e ‘ONU News’, disponibiliza uma comemoração no seu canal do YouTube.

A ação tem testemunhos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro português, António Costa, do chefe de Estado de Cabo Verde e presidente em exercício da CPLP, Jorge Carlos Fonseca, do secretário executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, e de Sampaio da Nóvoa, representante de Portugal na UNESCO.

São ainda divulgados testemunhos de escritores, desportistas, cientistas e artistas, como Manuel Alegre, José Ramos-Horta, Mia Couto, Germano Almeida, Maria Manuel Mota, Adriana Calcanhotto, Fernando Pimenta, Flora Gomes, Carminho, Milton Hatoum e o cardeal José Tolentino Mendonça.

A sequência encerra com um concerto de Aline Frazão (Angola), Ivan Lins (Brasil), Teófilo Chantre (Cabo Verde), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Stewart Sukuma (Moçambique), João Gil (Portugal), Tonecas Prazeres (São Tomé e Príncipe) e Zé Camarada (Timor-Leste), que permanecerá disponível e de acesso público no YouTube.

Texto de Lusa
Fotografia de João Silas via Unsplash

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