Os discos; as cassetes; as trocas de conhecimento; as guitarras ao ombro e os escassos momentos em que" havia tempo para ouvir". O Punk e o Rock bateram porta. Nos finais da década de setenta, ainda se vivia o rescaldo do 25 de abril quando se deram os primeiros passos em Portugal. Em 2017, Rui Miguel Abreu escrevia num artigo da Blitz que a história do Punk Rock chegou-nos pelo "disco pirata de António Sérgio. Vieram depois os Faíscas e os Aqui d’el Rock. Por cá, mas também lá fora, um jovem Zé Pedro tomava notas sobre aquela que viria a ser a influência primordial dos Xutos & Pontapés. Traçamos o percurso do punk português, passando pela “resistência” dos anos 80, com Mata Ratos, Crise Total e Ku de Judas, a “tradição coimbrã” dos anos 90, com os Tédio Boys e a vaga hardcore dos X-Acto".

Mergulhando ainda mais fundo, referências não faltam em alguns documentários como "A Um Passo da Loucura" de Hugo Conim e Miguel Newton, que contou com o apoio da Antena 3 ou até mesmo o "Fantasma Lusitano", um documentário sobre Jorge Bruto, frontman dos Emilio e a Tribo do Rum, Capitão Fantasma, Bruto and the Cannibals, realizado por David Francisco e o radialista Nuno Calado, em que o "nome incontornável" do rock´n´roll nacional nos chegava tão perto.

Havia quem quisesse violentar o sistema: "os AQUI D’EL ROCK vão violentar o sistema!" Zé Serra, Fernando Gonçalves, Alfredo Pereira e Óscar Martins, falavam sobre o desejo de trazer a linguagem da rua para as canções e de fazer delas um regresso ao rock como combustível para mudança - o rock como ação direta. Mário Lopes e Daniel Belo contaram-no em 40 anos de canções na Antena 3. Lá diziam que esta banda de "revolucionários" que não sabia o que seria, mas que queria fazer algo "não sabiam como acabar com o sistema e que outro sistema devia nascer. Sabiam que havia que praticar malvadezas sobre essa entidade indefinida". É também nesta altura que a cultura juvenil pretendia ser ouvida. Hoje, a missão continua a ser a mesma. Distantes de um passado de alguns, mas muito presentes naquela que é a referência para xs mais jovens artistas, Victor Torpedo, Rita Sedas, Helena (aka Synthetique), Catarina da Silva Henriques, Adam d'Armada Moreira, Mariana Rosa, Luís Raimundo (R.A.Y), Carolina Torres e Kid Richards foram alguns dos nomes com quem o Gerador esteve à conversa.

Das memórias que compõem gerações, aos discos e cassetes de família e amigos que lhes passavam pelas mãos, procuramos pensar o Punk e Rock, hoje. Sem localização exata, atitude que passa despercebida e com vista naquela que se afirma ser uma evolução sem medida, a questão principal prende-se em "onde vive o Rock e o Punk, hoje, em Portugal?".

Da atitude à evolução no universo musical, a partilha de vivências até chegar à atualidade de cada umx destxs artistas mostrou-se interminável. De referências bem assentes e com ciclos de vida a assinalar, o Punk e o Rock continuam por documentar, mas desta vez, numa geração que vive muito daqueles que foram os gloriosos anos 80 e 90 (ou não).

"Primeiras Pisadas", as gerações que o digam e a geografia também

Tédio Boys: Toni Fortuna, Paulo Furtado, Victor Torpedo, Kaló e André Ribeiro

Partindo daquele que é um dos nomes mais consagrados e reconhecidos em Portugal, Victor Torpedo, "um gajo do rock and roll com atitude punk", fez parte dos Tédio Boys, um dos nomes mais marcantes na história do Rock em território lusitano, que se fez ouvir depois de "explosivas" tours nos USA. A banda foi convidada a tocar no aniversário de Joey Ramone, no New York Continental em 1997 - Carolina Torres perguntou a veracidade desta informação a Victor e nós também - Em Portugal as tours com os The Fall e John Spencer Blues Explosion não faltaram.

Em 2000 Victor, ex-guitarrista de Tédio Boys, e Pedro Xau, ex-baixista de 77, voaram até Londres. Foi então que nasceram The Parkinsons. Tornaram Inglaterra o seu palco, conseguindo singrar e criar uma "autêntica legião de fãs". No entanto, antes de tudo isso acontecer, a coleção de discos do jovem Victor e da irmã foi um dos motes - além da primeira vez em que subiu ao palco para cantar no coro da catequese ao invés de ver o jogo de Portugal que tanto queria - para que se alinhasse com o Rock.

The Parkinsons_Live

"Eu juntamente com a minha irmã, começámos a fazer a nossa primeira coleção de discos que comprávamos na Rock in Stock. Lembro-me que o "it's alive" dos Ramones não paravam de tocar em todo o lado, nessa altura. Era giro porque não havia informação quase nenhuma. Eu tenho um single que cheguei a comprar numa rádio, que trazia um papel dento com a história toda deturpada dos Evil. Hoje parece surreal, mas era giro porque tu criavas um imaginário em tornos dessas bandas, sem que fosse real", conta.

Sempre a par das novas tendências - até daquelas que eram moda e que não gostava assim tanto - começou a perceber qual o que lhe entranhava. A dona Ângela - não se recorda ao certo do nome - da loja de discos em Coimbra passava-lhe "boas referências" e deixava-o a par daquilo que ele, eventualmente, gostaria. O passo seguinte foi tocar. "Meio perdido" e sem instrumentos, foi na Olímpio Medina, em Lisboa, que encontrou, nos anos 80, as primeiras guitarras.

Reconhecendo que a dificuldade de acesso a registos musicais como o Punk e o Rock, quer para concertos ou até mesmo para ouvir em determinadas áreas é algo que se prolonga ao longo dos anos e que, de certa forma, bebe da influência da geografia e da geração, ainda que, agora, com mais facilidade dada a evolução dos meios, geográfico e até mesmo geracional. "Percebe-se isso em Coimbra. Depois de voltar de Inglaterra senti que perdi muito conhecimento a nível de bandas em Portugal. Eu não conhecia os Ornatos Violeta, por exemplo. Sabia o nome, ouvia os miúdos a cantar em coro, mas não conhecia as suas músicas. É engraçado o que estás a dizer, até porque quando ouves os Ornatos sentes que é um som do Norte, com o sotaque especial e um som especial. Eu sentia isso quando ouvia os GNR também. Era uma linguagem que eu compreendia perfeitamente. No caso de Coimbra, no território nacional, torna-se ainda mais interessante. Coimbra era uma espécie de laboratório cultural, não só na música como na performance. Nos anos oitenta passaram por cá os Mão Morta, Sétima Legião e por aí fora.", explica.

Considerados "outsiders" os Tédio Boys reconheceram-se como uma banda de culto, "com um certo secretismo e veneração por um grupo do imaginário". Acreditando ter sido a banda sonora da vida de muitas pessoas, reconhece que foi um 'movimento' que aconteceu no momento certo e que muito tem que ver com o tempo e uma geração.

O telefone toca. Do outro lado, Carolina Torres. Durante cerca de trinta minutos foram diversas as reflexões que a artistas fez. Uma delas, voltada para os Tédio Boys e ao seu reconhecimento em Portugal.

Comecemos pela "grande sorte" que teve pela "sua mãe gostar de ouvir boa música". Passando pelos Roxy Music e pelas coisas "meio Punk e meio disco" foi através da sua mãe que este gosto peculiar e dedicado ao Punk e Rock lhe chegou. A primeira banda pelo qual se "apaixonou" foram os Nirvana. Depois de passar por alguns programas voltados para a música é também com 08/80 que revisita os anos 80, juntamente com Catarina Falcão e Filipe Gonçalves.

Carolina Torres, fotografia de João Mello

Reconhecendo que cresceu na Maia, um local que, na altura, grandes espaços em que se ouvisse música Rock ou Punk, "eu era uma miúda que ouvia Nirvana e coisas bastante pesadas para a altura, como era o caso de Marilyn Manson e, depois, ia sair com os meus amigos e acabava a ouvir House, porque não havia como encontrar outros registos. É muito importante que te deem acesso a vários escolhas musicais nas cidades mais pequenas, até porque o público o procura. É uma componente artística. Tens a título de exemplo a cidade de Covilhã, nesta medida", explica.

No caso de R.A.Y, também conhecido como Luís Raimundo, aliou a música ao skate. Com cerca de 10 e 11 anos, fase em que acaba por estar com diferentes pessoas, de vários locais e bairros. Foi então que a troca de cassetes com os demais jovens levaram-no a "um movimento ou cultura", tal como nos indica, que lhe fundava uma corrente de partilha enorme. Entretanto, aprendeu uns acordes. Depois disso, teve mais de uma década sem tocar numa guitarra. Foi com Bonés que os acordes ficaram. E, mais tarde, se fizeram ouvir. Depois The Poppers, onde também cruzaram caminho com Bruno Cantanhede (aka Kid Richards), aos "vinte e tal anos" dão o início a uma banda de rock 'n roll.

"Eu lembro-me de ir para a escola, em jovem, e pensar 'era tão fixe que conseguíssemos ouvir a banda sonora da nossa vida, na nossa cabeça, sem estar dependente de um aparelho qualquer para ouvir música'", partilha o artista. E assim aconteceu.

Luís Raimundo (R.A.Y), fotografia e Kid Richards

Recorrendo à influência cultural, R.A.Y acredita que " se existirem duas pessoas, em que uma deles percebe bastante de música, tem essa paixão e queira partilhar com um outro alguém na escola, no trabalho... é aí que a propagação começa, ou seja, é necessário haver alguma disposição mental, além da geográfica até. Tem ainda que ver com com as zonas geográficas, o ADN da cidade, da zona que estamos a falar. Quando falo em ADN, falo até na textura das pessoas que lá estão e que podem ou não ter essa curiosidade. Efetivamente, ao final do dia, o que muda tudo são as pessoas", afirma.

Punk, uma linguagem universal

No caso das Anarchicks, do outro lado do ecrã, surgiram exatamente dessa forma: através de uma conversa online com a Priscila Devesa, em tempos vocalista da banda, "pretendíamos fazer uma banda de Punk". Desde 2011, que xs artistas se dedicam a uma filosofia de vida e ativismo dentro do universo musical, "infelizmente, e digo infelizmente porque uma banda completa de de sexo\género feminino é uma coisa revolucionária. Ainda é. Quanto mais com um transexual. As nossas letras exploram muito os temas e mensagens atuais", explica Helena. Rita, compositora da banda, acrescenta que sempre foi uma das suas preocupações, a mensagem.

Adam reforça também que "além da mensagem estar implícita naquilo que fazemos, há também uma outra parte: a nossa própria necessidade de usar a música como um veículo para transmitir coisas que se calhar não temos espaço para fazer no resto da nossa vida." Acrescenta que já existe uma preocupação e presença das mulheres, comunidades LGBTQ no mundo da música, exemplo Queers, no entanto é uma evolução que está a decorrer, "ainda existe desigualdade, mas acreditamos que é algo que tem e pode ser ultrapassado. É uma necessidade, além de uma vontade, nossa debruçar-nos sobre este tema".

Anarchicks, Catarina da Silva Henriques, Adam d'Armada Moreira, Rita Sedas, Helena (aka Synthetique) e Mariana Rosa (não presente na fotografia)

Com a promessa de nos trazer um disco mais reivindicativo, depois de "Loose Ends", xs artistas pretendem refletir e "deitar para fora" aquilo que estão a sentir, agora, perante os acontecimentos e realidades vividas atualmente "sinto que estamos muito mais empoderadas e isso, além dos diferentes registos e dos novos elementos, reflete muito a fase da vida em que estamos que, de certa forma, também afeta a nossa composição", explica Rita. Depois de um disco mais emocional e introspetivo, chegar-nos-á "um grito de glória".

Ciclos de (longa) vida, o universo musical também os vive

"Curiosamente, os projetos acabam no melhor ciclo da banda ou do artista", diz-nos Victor. A maturidade é, muitas das vezes, a reta final das bandas. O artista explica-nos que quando gravavam demos funcionava quase como um "parto": eu precisava disso para escrever e desenvolver outras coisas. A realidade é que era um processo mesmo bonito e engraçado ao mesmo tempo. Esta evolução é até engraçada porque antes tinhas um disco para lançar em 89, mas depois só saía em 93. Era difícil, chegava alturas que quando ias para lançar a música já nem gostavas tanto assim dela, mas tinhas que a registar. E isso está muito visível nas bandas de música Portuguesa que, na altura, eram os primórdios."

Victor Torpedo, imagem retirada do facebook do artista

O artista realça ainda a necessidade com que, atualmente, as bandas se deparam em tornar toda a sua música muito mediática e isso, entristece-o, "é por isso que há também tão poucas bandas. Já não há uma grande preocupação com o fazer música, mas sim responder às necessidades e expetativas. Na minha opinião, por isso é que as bandas se tornaram tão enfadonhas. Não há rodagem. Percebia-se muito, por exemplo, quando uma banda americana vinha à Europa. Essas bandas criavam-se na estrada. Em Portugal não era assim".

O único propósito era viver a música com toda a urgência. Foi nessa altura que os "Tédio Boys vingaram" e por essa mesma razão existia uma "devoção" para consigo mesmos. Era disso que se tratava a atitude Punk. Ainda é.
Carolina Torres diz-nos que o Punk, o verdadeiro, não contesta com Educação. Pensa, reflete, mostra a sua urgência e diz, sem rodeios. Essa é atitude Punk e, por essa mesma razão, concorda que Tédio Boys foram, talvez, uma das únicas bandas que conseguiu ter reconhecimento em Portugal, aliada a esta mesma questão.

O desenvolvimento do digital trouxe ainda novas ferramentas de acesso e bagagem vasta no que toca à Música. R.A.Y partilha connosco que toda esta versatilidade acaba por se mostrar uma dicotomia profunda, "na minha opinião os géneros musicais têm ciclos de vida. Eu acho que, de tempos a tempos, ou seja, de 20 em 20 anos há ciclos de Rock. Aquilo que apareceu nos anos sessenta volta a aparecer. Nos finais dos anos setenta com o Punk, principalmente em Inglaterra... Ou seja, existem ciclos, talvez com menos anos, de 10 em 10 e, neste momento, o ciclo relacionado com o Rock está um bocadinho 'mais esticado', que acabou por ser muito alimentado com os Nirvana em noventa e tal. Depois aparece-te o novo Rock nos anos 2000. Agora, já estamos em 2021, e o Rock não vingou assim tanto como tem vingado em outros tempos e, isso, leva-nos a pensar que a tecnologia que está a aparecer neste momento, poderá estar a influenciar nessa mesma transição.", afirma.

R.A.Y continua reconhecendo que "há demasiada informação e o ser humano não está preparado para assimilar tanta oferta. Hoje em dia, as pessoas estão habituadas a que tudo lhes seja entregue nas mãos. Muitas coisas boas, no meu entender, lhes passa ao lado porque não procuram. Agora, há efetivamente uma franja de pessoas muito interessadas que conseguem descobrir coisas e, de certa forma, isso é ótimo. O que é certo é que o facilitismo nunca fez bem ao ser humano e, neste momento, é o que têm em mãos."

Já Carolina e Kid acreditam que esta diversidade com a evolução também permite dar palco a muitos outros jovens que, de outra forma, não teriam como mostrar ou explorar o seu trabalho, no entanto, Kid, reconhece que "eu não sei bem lidar com essa avalanche de informação com que sou bombardeado todos os dias. A minha primeira arma é tentar travar isso e, nesta situação, o Spotify, por exemplo, é muito útil porque através daquilo que vais gostando e com que te identificas, acabas por ter acesso a mais bandas, músicas e artistas, mas, hoje em dia, somos constantemente bombardeados com tudo. Músicas, fotografias e eu acho que isso vai ter que parar algum dia porque senão vamos simplesmente 'arrebentar", explica.

Kid Richards, The Poppers e R.A.Y

Atitude Punk, agora

Falar sobre a atitude Punk é "pronunciar o aqui, agora"; é contestar "o aqui e o agora"; é "pensar sobre o aqui e o agora"; é não ser educado "aqui e agora". Estas foram algumas das expressões que se foram ouvindo ao longo das últimas décadas. Mais do que abordar "o aqui e o agora" a célebre expressão "atitude Punk" é para muitos artistas uma filosofia de vida completamente conectada com o ativismo. Não se tratam apenas de causas, mas de abordagens que são refletidas e se querem fazer ouvir.

Helena (Anarchicks) explica-nos que é também isso que move xs artistas. Em cada letra, música, harmonia e performance que xs envolve.

Carolina Torres acrescenta ainda que, hoje, a atitude Punk, faz-se ouvir no Hip-Hop, por exemplo, "Eu acho que o Punk vive na memória. A atitude Punk está muito mais do lado dos miúdos do Hip-Hop, neste momento. Há bandas que fazem Rock, sim, mas a atitude Punk, como disse, também já se torna universal. Não é suposto ser educado. Há pessoas que não gostam porque há uma crítica evidente, mas a questão é mesmo essa. O 'Punk Punk' é isso mesmo."

"As pessoas pareciam ter perdido a convicção de quase tudo". Afirmou-o Bob Dylan em "Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese" (2019). O Punk e o Rock também o fazem. Afirmam-no. E, por essa mesma razão, além de registos musicais mostram ser veículos, pensamentos e necessidades de contestar e trazer a palco o que "realmente importa" para que possa ser refletido.
No caso dos Linda Martini, cantaram-no no passado dia 21 de maio, no Campo Pequeno, pelas 20h30. Passado cerca de um ano, o Campo Pequeno, mostrava-se em êxtase. Quem assistia ao espetáculo e quem o fazia. Da "tensão inicial virou emoção". Os Linda que o digam: havia lugares vagos, poucos, dentro da medida do necessário. Quanto aos olhares lacrimejados, é certo dizer que em relação a isso 'não sobrou ninguém'.

Preto, negro, de cor escura
Branco ou cor-de-rosa, como cal em pedra dura
Chinês made in Taiwan, amarelo, olhos em bico
Um cigano, um do leste e um zuca
Entram num bar com um ar aflito

Por cada braço em riste
Será que te riste
Ou levaste a sério?
Quando vierem por ti amanhã
Vais gritar “ai mamã, ai mamã
Cresceu-me um império de ódio no cu!

Ai, que te roubam o trabalho
A mulher, o salário, ai
A bandeira, o país
Ai, a culpa é dos outros
Tu pagas impostos, não é?
Só queres ser feliz

A minha pele é cor de água
A minha pele é cor de vidro
A minha pele é cor de mágoa
Um tom qualquer desconhecido

A tua pele é cor de pó
A tua pele é cor de mofo
A tua pele é uma cor só
Um tom qualquer, eu nem te oiço"

Linda Martini, E Não Sobrou Ninguém, 2021

Texto de Patrícia Silva
Fotografia via Unsplash

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