O Festival DDD - Dias da Dança regressa no dia 20 de abril entre o digital e o presencial. A 5º edição No Palco/ Em Casa conta com 22 espetáculos que se espalham pelas cidades do Porto, Gaia, Matosinhos e, pela primeira vez, Viana do Castelo.

O ano de 2020 encerrou salas de espetáculo e adiou a cultura, fazendo com festivais como o Festival Dias da Dança tivessem de ser cancelados. Contudo, a emergência em levar de novo a dança aos palcos tornou-se imperativa e o DDD adaptou-se à conjuntura atual criando uma edição que se divide entre o online e o presencial. Assim, entre os dias 20 e 30 de abril, o DDD - No Palco/Em Casa, regressa não só às principais salas de espetáculo do Porto, Gaia, Matosinhos e Viana do Castelo, mas também ao online.

A 5ª edição começa no Grande Auditório do Teatro Rivoli (e online de 23 a 25 de abril), pelas 19h00, com a estreia absoluta de Bate Fado, da dupla de artistas portugueses Jonas & Lander. No mesmo dia, às 22h, o palco online será inaugurado por uma das estreias nacionais do festival, Room with a View, uma peça do colectivo francês (LA) Horde e de DJ Rone com o Ballet National de Marseille. Este espetáculo será também exibido no Facebook, de forma gratuita, e na RTP2 no dia 24 de abril. O encerramento do DDD, no dia 30 de abril, começa pelas 19h com a apresentação da peça SIRI, de Jorge Jácome e Marco da Silva Ferreira, no Teatro Campo Alegre (e online), pelas 21h30. Também nesse dia North Korea Dance, da coreógrafa sul-coreana Eun-Me Ahn, "regressa" ao festival depois de, em 2017, ter apresentado o espetáculo Dancing Grandmothers. no Rivoli.

Este ano o Festival Dias da Música, reforça a sua aposta no panorama nacional dando destaque a artistas de diferentes gerações. De um lado, nomes já conhecidos dos palcos, como Victor Hugo Pontes, João Fiadeiro, Carolina Campos, São Castro, António M Cabrita, Teresa Silva, Sara Anjo e Miguel Pereira, apresentam as suas criações mais recentes. Do outro, artistas que começaram a dar os primeiros passos no mundo da dança, como Catarina Miranda, Ana Isabel Castro, jovem artista associada ao Teatro Municipal do Porto, Luísa Saraiva e Renan Martins, dão a conhecer quatro de seis obras em estreia nesta edição do festival.

North Korea Dance, de Eun-Me Ahn. Fotografia de JM Chabot.

A apresentação de peças internacionais, presença característica do Festival, irá ser, maioritariamente, online, devido à conjuntura atual. Além de Room With a View, SIRI e North Korea Dance, serão ainda apresentadas, (B)reaching Stillness, da coreógrafa helvética Lea Moro, e L’affadissement du merveilleux, da canadiana Catherine Gaudet. Please Plase Please, uma peça que resulta da colaboração entre as coreógrafas Mathilde Monnier, La Ribot e o encenador português Tiago Rodrigues, poderá ser vista ao vivo no palco TECA - Teatro Carlos Alberto, no Porto.

O festival traz ainda duas exposições, mais uma vez entre o presencial e o online, com uma exposição em Serralves, de 22 de abril a 22 de julho, no Museu de Arte Contemporânea, e no site do festival, de 20 a 30 de abril, de forma gratuita. "Para Uma Timeline a Haver genealogias da dança enquanto prática astística em Portugal, exposição a ser vista em Serralves, é um trabalho de Ana Bigotte Vieira, Carlos Manuel Oliveira, João dos Santos Martins e Marco Balesteros que espelham na peça a tradução de um desafio que levou os autores numa viagem cronológica sobre a "genealogia da dança enquanto prática artística em Portugal" no período centrado entre os séculos XX e XXI. Poromechanica, de Catarina Miranda, é um projeto expositivo virtual criado em relação com a estreia no DDD da sua peça de dança Cabraqimera, que decorre a 28 de abril, no Rivoli, e online, de 28 a 30 de abril.

E porque um festival também é feito de conversas e aprendizagem, o DDD recebe conversas, masterclasses online e residências artísticas. Com base na pertinência das temáticas abordadas em cada trabalho apresentado no festival, pelos artistas nacionais, a edição deste ano traz à mesa virtual do festival o ciclo de conversas Dança Iminente, no dia 24 e 25. Serão quatro debates que contam com o contributo de artistas, moderadores e instigadores de outras áreas relacionadas com a dança, para uma discussão sobre questões que as obras suscitam relativamente à atualidade - "Oráculos & Transcendência", "Inteligência Artificial & Sensorial", "Produtividade & Procrastinação" e ainda "Hot Bodies & Clubbing".

Um festival online também é sinónimo de partilha e interação, por isso o site do festival foi adaptado para servir de janela e plataforma de divulgação dos artistas programados para esta edição, sejam eles nacionais ou internacionais. Para além da parceria com a RTP para a legendagem, em inglês, dos episódios integrados na série Portugal Que Dança, a 5ª. edição propõe duas festas online para que os corpos se possam agitar também em casa. A primeira festa será a de abertura e a outra de encerramento, onde a música fica a cargo, primeiro de Nídia e, no último dia, do Colectivo XXIII.

O penúltimo dia do festival será assinalado pelo Dia Mundial da Dança, e o DDD decidiu celebrar este dia com dois espetáculos ao vivo. Viaduto, um projeto do coreógrafo e performer brasileiro, Renan Martins, com música de Frankão, será apresento no Auditório Municipal de Gaia, e Victor Hugo Pontes, irá trazer, ao Teatro Municipal Sá de Miranda, Os Três Irmãos, a sua mais recente criação que nasce da colaboração com o coreógrafo e escritor Gonçalo M.Tavares.

Os Três Irmãos, de Victor Hugo Pontes. Fotografia de José Caldeira

Os preços dos bilhetes para o Festival DDD "No Palco/ Em Casa", variam entre os 3,5€ e os 9€, para além do passe que inclui 50% de desconto, e podem ser comprados na Bilheteira Central do Teatro Municipal do Porto. A programação pode ser consultada na integra, aqui

Texto por Patrícia Nogueira
Fotografia de Dieter Hartwig

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