Nos próximos dias 9, 10 e 11 de outubro, A Voz do Operário acolhe este novo festival com concertos, uma exposição, uma oficina, uma conversa e um espaço de venda de discos e livros.

Organizado pela Clave na Mão, em parceria com A Voz do Operário e com o apoio do Fundo de Emergência Social da Câmara Municipal de Lisboa, o festival inclui os concertos de Bernardo Moreira Sexteto (com “Entre Paredes”), Quang Ny Lys, César Cardoso Ensemble (com “Dice of Tenors”), Songbirdd e ainda o espetáculo lúdico pedagógico, para todas as idades, “O Jazz é Fixe!” (com produção do JACC – Jazz ao Centro Clube), que terão como palco o Salão d’A Voz do Operário com uma extensão ao Largo de Santa Marinha, também na Graça.

Além dos concertos, a programação conta também com uma exposição que traz ao público cartazes antigos do Hot Clube de Portugal, uma oficina de ilustração de André Letria, um espaço de conversa com três músicos portugueses ou a residir em Portugal e um ponto de venda da Jazz Messengers. “Este tipo de programação é representativo de uma linha que queremos manter em organizações futuras. Por fim, mas não menos importante, um outro caminho que queremos seguir é o de desafiar os músicos para pensarem em novos projetos que possam ter no festival um primeiro momento de apresentação pública. É o que acontece com o trio Quang Ny Lys, que junta a Rita Maria ao João Mortágua e ao Mané Fernandes, e que terá a sua estreia nesta edição d’O Jazz tem Voz, preparando-se já  para continuar o seu caminho noutros palcos”, partilham, com o Gerador, Sérgio Machado Letria e Márcia Lessa, da Clave na Mão.

O Jazz tem Voz! procura assim apresentar uma programação mais abrangente, além dos espetáculos musicais. “A ideia do festival é a de levar, a todos os que estiverem connosco nos três dias, boa música. Essa é a ideia principal. Mas, como achamos que a apresentação de concertos pode ser complementada com outro tipo de programação, no sentido em que estes festivais podem ser momentos de criação de públicos, criando novos ouvintes de jazz, cativando os que já o ouvem, e dando a conhecer formas de diálogo deste género musical com outras linguagens artísticas”, explicam os organizadores.

Ao longo do festival, serão mais de trinta os músicos e técnicos que subirão ao palco, numa altura em que, por via da pandemia da Covid-19, muitos continuam a ver os seus concertos cancelados ou adiados. “Quando a Clave na Mão foi criada, para booking de músicos, pensámos que, para além destas área de trabalho, seria interessante poder organizar concertos ou festivais, não só para os músicos com quem trabalhamos, mas também para outros. Quando, em pleno período de confinamento, soubemos da abertura do Fundo de Emergência Social da Câmara Municipal de Lisboa, pareceu-nos ser o momento para avançar e apresentámos, a partir de nossas casas, um projeto, este do festival O Jazz tem Voz!, que foi aprovado”, contam os responsáveis Sérgio Machado Letria e Márcia Lessa.

Também por isso a programação é composta na totalidade por músicos portugueses ou residentes em Portugal. “Enquanto a situação de crise se mantiver, achamos que é o ideal, por ser a forma de contribuir para que as dificuldades possam ser ultrapassadas. No futuro, estamos abertos a trabalhar com músicos estrangeiros, permitindo diálogos entre eles e os portugueses, abrindo outros e novos caminhos, assim que tenhamos possibilidades para isso. De qualquer forma, avaliando a enorme qualidade do jazz que por cá se faz, se mantivermos uma programação exclusivamente portuguesa estaremos muito bem servidos”, garantem.

Texto por Flávia Brito
Fotografia de Ruca Souza via Pexels

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«O Jazz tem Voz!» e faz-se ouvir na Graça!