A Câmara Municipal de Oeiras apresentou oficialmente, na última quinta-feira, a candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027, numa decisão que catalisa um novo ciclo de desenvolvimento do concelho.

A ideia do projeto, segundo Jorge Barreto Xavier, comissário da candidatura, é desenvolver uma “cidade polinucleada com serviços de curta distância para os cidadãos, um polo de referência internacional nas aéreas de ciência e tecnologia, um motor de desenvolvimento para o país, um nó crítico da rede na Área Metropolitana de Lisboa e um território que faz da cultura o cimento” que liga os cidadãos.

Depois de Lisboa em 1994, o Porto em 2001, e Guimarães em 2012, Oeiras quer ser a próxima capital Europeia da Cultura em Portugal. A iniciativa Oeiras 27 inclui essa mesma candidatura, mas é um programa projetado num horizonte mais largo e que irá avançar, garantem os responsáveis, mesmo que a atribuição daquele título fique pelo caminho. O objetivo é usar a cultura como elemento de empoderamento do território urbano, tanto na componente material, como na componente imaterial.  

“Tudo na nossa vida é coberto por esta estranha palavra que tem centenas de definições que é a cultura. Tudo na nossa vida está contaminado, não só pelas dinâmicas do quotidiano, como na receção que fazemos do património do passado por uma ideia de cultura. A cultura é um elemento crítico para a inovação e para a criatividade”, realçou Jorge Barreto Xavier, na cerimónia que decorreu no auditório do Taguspark, em Porto Salvo.

Assente em quatro eixos – Ecossistema Urbano, Capital da Poesia e das Culturas de Língua Portuguesam Capital das Artes e da Criatividade, Capital das Heranças Culturais e Capital do Património Marítimo –, a candidatura de Oeiras a Capital Europeia da Cultura 2027 prevê vários investimentos paralelos. Linda-a-Velha vai ganhar um centro cultural, Paço de Arcos um centro de congressos e Porto Salvo um hub de indústrias criativas, num investimento de 400 milhões de euros, para valorizar o concelho através da arte e da cultura.

“É uma oportunidade de consolidação da nossa comunidade e um desenho para o futuro e, portanto, também um instrumento de desenvolvimento, tanto a nível da comunidade local, como para a região onde esta comunidade se insere, como um contributo para o desenvolvimento para o país e para a projeção internacional”, disse o comissário da candidatura, sublinhando que é através de novas “dinâmicas de ideias” que é possível preparar um novo ciclo de desenvolvimento, como as atividades empreendedoras e criativas.

Apontando para uma competição saudável entre os municípios, o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, explicou que Cascais, Sintra, Lisboa, Almada foram chamados a envolverem-se nesta candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027.

“Queremos que o epicentro seja aqui em Oeiras, mas não excluímos a possibilidade do contrário, que haja uma interatividade, uma proatividade, com todos esses municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Que esta candidatura seja vista como uma alavanca, seja para o turismo, seja para a atividade cultural de toda a Área Metropolitana de Lisboa”, afirmou o autarca deste que, com 175 mil habitantes, é o município português com maior índice de educação e salários, e o segundo do país que mais contribui para a criação de riqueza.

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, na presentação da Candidatura de Oeiras à Capital Europeia da Cultura 2027

Depois de mudanças muito significativas no concelho – como a qualificação da habitação ou a atração de dinâmicas empresariais, da ciência e inovação –, conseguidas nas últimas décadas, referiu o presidente da câmara, o programa Oeiras 27 traduz-se agora na intenção de um levar a cabo um novo ciclo de desenvolvimento alavancado pela cultura.

Apelo à participação dos cidadãos

Para Isaltino Morais, o concelho conta com todas as “condições materiais, imateriais, identitárias” para receber o título de Capital Europeia da Cultura, apelando ao envolvimento dos cidadãos – para que a comunidade do concelho seja “mais coesa, plural inclusiva e sustentável” no futuro, como também tinha frisado Jorge Barreto Xavier.

“O que queremos agora é o envolvimento das pessoas. Que todos participem e reconheçam a importância desta participação e se mobilizem em função do interesse público. Isto é determinante para o sucesso da candidatura e dos resultados que ficarão para depois disso”, invocou o autarca.

“Demonstramos, há décadas, ter políticas de inclusão e coesão social, procurando, agora, colocar num novo patamar as dinâmicas comunitárias, a participação, a qualidade de vida” – palavras de Isaltino Morais, inscritas na brochura de apresentação da candidatura, entregue durante a cerimónia, onde o conselheiro estratégico Robert Palmer, a comissária europeia Elisa Ferreira, o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso e a fadista Katia Guerreiro manifestaram o seu apoio ao município de Oeiras. “Tal será feito de uma forma sustentável e integradora, com o contributo dos interfaces digitais e de todas associadas, mas tendo por referências a centralidade da cidadania, num projeto de cidade democrática, valorizadora das pessoas e dos equilíbrios com a Natureza”, pode ler-se.

Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Leiria, Guarda, Oeiras e Viana do Castelo são as cidades que já manifestaram intenção em serem Capital Europeia da Cultura 2027, que decorrerá em simultâneo em Portugal e na Letónia. A vencedora será anunciada em 2023.

Texto por Flávia Brito
Fotos disponível no Facebook do Município de Oeiras

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