O espetáculo inspirado no trabalho curatorial de Hans Ulrich Obrist integra o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica - FITEI, nos dia 4 e 5 de maio, que se realiza no Teatro Rivoli, no Porto. Dedicado às palavras, à sua interpretação e à forma como se transportam em diferentes atmosferas "Maratona de Manifestos" é um mote de reflexão em todas as realidades.

Distinguindo-se como um espetáculo site-specific, a adaptação aos espaços é algo que "Maratona de Manifestos" transporta em si. Encenado por Isabel Costa, a companhia de Teatro Os Possessos, na qual a encenadora também se integra, percorre as vozes, o tempo e o espaço. Dividida em sete espaços, cada um deles com um ator ou uma atriz, o tracejado que marca cada piso pelo qual o espetador ou a espetadora passam, não só ultrapassa os "distanciamentos" como abraça uma cronologia, mapeada, que se localiza nas palavras.

De olhares fixos, no chão, em pé ou sentados, os manifestos fazem-se ouvir. Em dias em que parar para ouvir é uma tarefa, cada discurso que sai das vozes dos atores realça-se de forma intimista, apenas para um pequeno grupo de espectadores.

Fotografia de Leonor Fonseca

Num momento de desconstrução e de contrariar a leitura tradicional de um manifesto, que tende a ser panfletária, é a partir do real - a atmosfera da sala, a arquitetura/estrutura dos espaços e a moldura dos visitantes - que os atores iniciam esta “conversa”.

Através da atenção das palavras no mundo de hoje, em que as mensagens de esperança, denúncia, do dia-a-dia, do mundo e do quotidiano chegam ao espetador como um meio de reflexão, os artistas, partindo sessa base, envolvem-se num espaço que desmistifica não só através da fruição como também através do olhar nivelado, em que a disposição de igualdade começa por se sentir desde o momento inicial. Os atores acompanham o espetador. É através dessa ligação, quase uniforme, que as palavras fluem e ultrapassam uma fase que estará posterior ao monólogo. A expressão corporal é também uma caraterística que deambula em torno das palavras e, por isso, se assume como uma resposta. Uma expressão.

OS POSSESSOS, intérpretes e criadores

OS POSSESSOS são uma jovem companhia de teatro, sediada em Lisboa e Almada. Atualmente composta por sete elementos - Catarina Rôlo Salgueiro, Isabel Costa, João Pedro Mamede, Leonardo Garibaldi, Leonor Buescu e Nuno Gonçalo Rodrigues -, os Possessos trabalham em torno de projetos teatrais e performativos, tendo por base narrativas universais e a criação de uma ficção comum sobre a realidade entre os artistas e o público.

Desde 2013, apresentaram os espetáculos Hansel e Gretel (2013), Rapsódia Batman (2014), II – A Mentira (2015), Marcha Invencível (2017), O Novo Mundo (2018),  A Bolha (2019) e Maratona de Manifestos (2021). Para além dos espetáculos, contam ainda com várias performances e ações de curta duração tais como: E uma criança a ver... (2012), Speed – 8 (2015), Acção Adiada (2015), Janeiras (2016), O Tempo é uma Pastilha Elástica (2017).

Integrado no Festival de Teatro de Expressão Ibérica - FITEI - que promove o teatro, as artes performativas e como fomenta a criação artística - contam ainda com uma sessão a realizar-se no dia 6 de maio, disponível por 24 horas, online. Sabe como podes aceder aqui.

Texto de Patrícia Silva
Fotografia de Leonor Fonseca

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