É pelo nível de excelência no triplo salto que os portugueses conhecem Patrícia Mamona, mas não só de desporto se faz a atleta. Consciente quanto à situação atual do planeta, Patrícia não só sabe o que vai correndo mal como também consegue apontar pequenos passos para a mudança. Desafiada por Rúben Caeiro para integrar a obra fotográfica da Revista Gerador 27, Patrícia deu o corpo ao manifesto por uma causa que, acredita, “não se cinge apenas a algumas pessoas”, uma vez que se trata “de um problema global que afeta todos que habitam neste planeta”. 

Patrícia nasceu em São Jorge de Arroios, em Lisboa, no ano de 1988, e cresceu no Cacém. Em 2001 inscreveu-se na Juventude Operária de Monte Abraão, dando início a um percurso a um percurso no desporto que viria a tornar-se vitorioso. Mudou-se para os Estados Unidos da América quando atingiu a maioridade, para conseguir conciliar os estudos em medicina com uma aposta por completo na área desportiva. Desde 2010 representa o Sporting Club de Portugal em triplo salto e tem deixado o seu nome ouvir-se pelas bocas do mundo.   

Em entrevista ao Gerador, Patrícia realça a importância de uma possível “criação de leis que apelassem a uma eliminação progressiva de todos os produtos plásticos que não são completamente recicláveis” e realça dicas para uma possível mudança, tanto para os consumidores como a nível político.

Gerador (G.) — Recentemente participaste na obra fotográfica do Rúben Caeiro, publicada no número 27 da revista Gerador. O que é que te levou a aceitar este convite?
Patrícia Mamona (P.M.) — Gostei do conceito e da forma como o Rúben pretendeu sensibilizar sobre o problema atual do plástico. As imagens são simples mas fortes e certamente levam ao público uma sensação de desconforto.

G. — Estando a temática relacionada com a poluição e os malefícios da utilização do plástico, acreditas que ainda há um trabalho a fazer na sensibilização das pessoas para estes assuntos? Porquê?
P.M. — Penso que é necessário haver mais sensibilização pois o plástico , principalmente o descartável , ainda está muito presente no nosso dia a dia.  A temática da poluição dos plásticos não se cinge apenas a algumas pessoas, trata-se de um problema global que afeta todos que habitam neste planeta. Sendo este um problema que afeta todos, deve ser então resolvido por todos e por isso é crucial que estejamos todos a par da situação. A sensibilização e consciencialização de pequenas ações no nosso do dia a dia podem contribuir positivamente para a diminuição dos efeitos negativos deste problema. Pequenas ações como a redução da utilização de plásticos de uso único como por exemplo sacos plástico, garrafas de água, recipientes de take-away que são habitualmente descartados imediatamente; reciclagem e a escolha do papel em vez de plástico. Aliado a estas pequenas acções penso que seria eficaz ter mais medidas a nível governamental de modo a controlar as entidades que produzem e fornecem plástico ao público.

G. — Em que sentido é que achas que o facto de seres conhecido pelos portugueses pode contribuir para uma maior sensibilização deste assunto, associando-te a estas causas?
P.M. — Penso que o facto de ser conhecida pelos portugueses contribui positivamente para a sensibilização deste assunto, pois estamos numa era em que as redes sociais têm um grande impacto na distribuição de informação, e quando se é reconhecido publicamente existe maior potencial de atingir mais pessoas do que outros métodos de publicidade tradicionais. Gosto de participar em causas como esta pois sei que estou a contribuir para uma maior visibilidade do problema que afeta a nossa comunidade e que juntos podemos o resolver.

G. — Este é um tema que já entrou na agenda política nacional? O que é que falta fazer?
P.M.— Sim, já entrou na agenda política nacional mas penso que há mais a fazer. Existem evidências científicas de que os plásticos são problemáticos uma vez que não se decompõem no ambiente natural e representam um perigo para a vida animal. Desta forma penso que um bom passo a tomar seria a criação de leis que apelassem a uma eliminação progressiva de todos os produtos plásticos que não são completamente recicláveis. Sei também que há países onde existem centros de reciclagem que compram garrafas de plástico; mais medidas como estas, por exemplo, aumentariam certamente o interesse público na reciclagem de plásticos e por consequência diminuição do impacto da poluição dos plásticos.

G. — A fotografia imortaliza a tua relação com este tema, mas se tivesses de reunir algumas dicas, o que dirias?

Para o consumidor:
– Evitar a compra de sacos de plástico e procurar alternativa como sacos de papel reciclado, ou um saco de tecido reutilizável;
– Evitar comprar produtos pre embalados que podem ser comprados sem os mesmos como a carne, frutas e legumes;
– Substituir o recipiente de plástico pelos de vidro que adicionalmente têm mais benefícios na conservação da comida;
– Colocar o lixo no seu devido lugar;
– Reciclagem de plásticos.
A nível governamental:
-Leis que obriguem á produção de plástico recicláveis;
– Promover o uso de alternativas ao plástico através de campanhas;
– Criação de grupos voluntários para a limpeza de ruas , praias e outros locais que sejam afetados pela poluição direta dos plásticos;
– Criação de mais eco-pontos disponíveis para reciclagem.
“CH2 = CH2” foi publicada na Revista Gerador 27. Ao longo desta semana serão publicadas entrevistas a diferentes intervenientes da obra fotográfica de Rúben Caeiro, com o objetivo de perceber qual a sua visão no que toca ao panorama atual da utilização dos plásticos e às medidas que têm sido sugeridas e implementadas. Podes recordar a entrevista ao fotógrafo, publicada ontem, aqui.
Texto de Ricardo Ramos Gonçalves e Carolina Franco
Fotografias de Rúben Caeiro

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