Apresentado pela primeira vez ontem, dia 9 de dezembro, o estudo “Património Cultural em Portugal: Avaliação do valor económico e social”, analisa a necessidade do país obter um retrato abrangente, aprofundado e credível do património cultural do País.

Resultante de uma parceria entre a Spira (empresa), o Observatório do Património, a Universidade NOVA de Lisboa (Nova SBE) e a Fundação Millenium bcp, o estudo trabalha dados quantitativos e qualitativos, de maneira a avaliar objetivamente o valor económico e social do património cultural de Portugal, sendo um fator importante para o desenvolvimento do país.

Rapidamente se conseguiu perceber através destes dados que, o património imóvel classificado em Portugal tem potencial para gerar o dobro de visitantes, o triplo das receitas de bilhética e ainda disponibilizar um emprego a tempo inteiro em cada 25 000 visitantes, por ano.

Catarina Valença Gonçalves, diretora-geral da Spira, revela que “Finalmente, podemos passar do nível de “intuição” do património cultural ser um recurso a ter em conta no desenvolvimento do país conforme perpassa em todos os documentos estratégicos de política pública, para uma afirmação objectiva, quantificada e com um primeiro conjunto de linhas de actuação macro claramente definidas”.

Com grande fôlego e “policy oriented” este estudo tem atenção às especificidades das regiões do interior e das ilhas “quantificando, pela primeira vez, o potencial económico e social deste recurso endógeno e o seu possível contributo para o desenvolvimento sustentado do país.”, revela a equipa de estudo que é formada também por José Maria Lobo de Carvalho, José Tavares, entre outros contributos.

O Embaixador António Monteiro, presidente da Fundação Millennium bcp, afirma que “era determinante haver um Estudo como este que contribuísse para o desenho de políticas concertadas e de longo prazo no campo do património cultural, atendendo ao evidente potencial económico e social deste bem: a Fundação congratula-se de ter possibilitado este documento estratégico para o sector”.

Além de destacar uma caracterização das políticas públicas e do sistema da gestão patrimonial, o estudo descreve minuciosamente a distribuição geográfica do parque patrimonial português, tendo em conta as diversas caraterísticas sociais, económicas e demográficas do país.

Temas como o posicionamento do papel do Estado e a necessidade de novas políticas públicas estratégicas e interministeriais, entre outros, foram destacados nesta análise.

José Maria Lobo de Carvalho, diretor do Observatório do Património, considera que “Sem pretensão de exaustividade, antes de síntese, este trabalho pretende enquadrar histórica e conceptualmente o universo patrimonial português, no sentido de permitir uma visão global sobre o sector, levantar as suas principais necessidades e contribuir para uma necessária reflexão e planeamento estratégico.”

No caso de José Tavares, professor catedrático da Nova SBE, esta é uma
oportunidade “de medir como o património cultural português, em diálogo com o seu enquadramento geográfico, económico e social, pode criar valor e afirmar-se como factor incontornável de coesão do país.”

De olhos postos na importância do património cultural, reflete-se assim um “bem coletivo estratégico de desenvolvimento económico e social sustentado do país”.

Texto de Patrícia Silva
Fotografia via website Lusa

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