Nos últimos anos, o percurso multidisciplinar de Vanessa Ribeiro Rodrigues levou-a mundo fora, dando-lhe a oportunidade de contar histórias sobre aqueles cujo tempo e o momento histórico condenaram ao anonimato.

Vanessa Ribeiro Rodrigues vai acumulando ofícios: jornalista, realizadora de cinema documental, escritora, professora universitária, mas de forma ininterrupta “caçadora de histórias”. Dona de um percurso multifacetado,a autora nascida em Matosinhos tem primado por uma abordagem polifónica, ao contar histórias em que dá voz aos vários testemunhos com os quais se cruza.

Viveu no Brasil, onde trabalhou como correspondente para diversos órgãos de comunicação, mas também na Jordânia, onde foi coautora do guião do documentário Remember Us, da realizadora Dalia Abuzeid,sobre os refugiados do campo de Jerash. Realizou ainda a reportagem da TSF Palestina, Diários de um lugar incerto, pela qual recebeu uma menção honrosa da UNESCO em 2015.

Mas é no cinema que mais recentemente se tem destacado com Ba[p]tismo de Terra, documentário em que leva para a tela a memória de vários casos de emigração luso-brasileira, distinguido no Hollywood Women’s Film Institute pela sua fotografia.

Ba[p]tismo de Terra, documentário em que leva para a tela a memória de vários casos de emigração luso-brasileira

Neste cruzamento de diferentes linguagens, Vanessa publicou também Ala Feminina, livro em que se propõe a refletir sobre a condição humana, com os testemunhos de vida de 17 mulheres reclusas.

“É o cruzamento de linguagens que melhor me complementa. Permite-me pesquisar, pensar visualmente, escrever, refletir, dar voz e criar narrativas”, explica a autora, realçando que as «questões sociais» estão na origem das suas inquietações.

Perante um tempo de grande urgência no que toca a certas temáticas sociais, Vanessa Ribeiro Rodrigues tem procurado dar vida a histórias, muitas vezes ignoradas pelo contexto mediático e político. A essa “essência primordial criativa”, Vanessa remete-nos para um instinto de sobrevivência, em que estas histórias figuram como alerta face ao, tantas vezes comum, “conhecimento superficial das realidades”. Sair desse espetro faz como os diversos meioscom que trabalha possam ter impacto e, em última instância, contribuir para uma verdadeira “transformação social”, conclui.

Podes ler este artigo no número 27 da Revista Gerador, disponível numa banca perto de ti ou em gerador.eu.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves

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