A coreógrafa e bailarina Marlene Monteiro Freitas foi distinguida nos Prémios Chanel Next, atribuídos pela marca de moda que pretende incentivar artistas com ideias visionárias. Passando pelo Leão de Prata da Bienal de Veneza dedicada à dança em 2018, a coreógrafa de 42 anos surge em destaque, junto a outros artistas premiados, como o coreógrafo Botis Seva, a encenadora Marie Schleef ou os cineastas Rungano Nyoni e Eduardo Williams.

Os primeiros passos foram dados no Mindelo, em Cabo Verde. Foi lá que cofundou o grupo de dança Compass e também a P.OR.K, estrutura de produção sediada em Lisboa. No entanto, é em Lisboa que Marlene Monteiro tem atualmente a sua base.

Descrita pela marca Chanel como "conhecida pela sua presença eletrizante e uma estética poderosa influenciada pela tradição carnavalesca da sua ilha natal", Marlene Freitas tem também distinguindo-se pela apresentação internacional dos seus espetáculos. Além de Portugal passou ainda nos Estados Unidos, Canadá, Israel, Espanha, Itália e Coreia do Sul.

A coreógrafa irá receber - tal como os outros premiados - acesso a programas de mentoria e a oportunidades de networking para que possa "aprofundar o impacto do seu trabalho pioneiro", disse a marca à agência Lusa.

A cada um dos 10 artistas vencedores irá ser dado um valor de 100 mil euros, recursos com os quais a Chanel pretende apoiar a inovação nas artes e na cultura “uma geração emergente de criadores dispostos a arriscar", através de "projetos ambiciosos" e "ideias visionárias, testando novas formas de criação artística e de colaboração transdisciplinar", acrescentam.

Mas os feitos de Marlene não ficaram por aqui. Com distinção pelo governo de Cabo Verde (2017), o Leão de Prata de Dança da Bienal de Veneza (2018) e, mais recentemente, o Prémio de Melhor Espetáculo Internacional de Les Prémis de la Critica d'Arts Escéniques de Barcelona (2020), em Espanha, a artista centra o seu trabalho em temas de "abertura, impureza e intensidade", dando forma a gestos e palavras que não se exprimem facilmente.

É nesta renovação de olhares que procura usar a transgressão para criar metamorfoses, e dá atenção particular à emoção no seu processo criativo, segundo afirmou a artista à Lusa.

Nesta edição do prémio foram ainda distinguidos o cineasta e produtor chinês Wang Bing, a artista não-binária nigeriano-britânica Precious Okoyomon, o compositor sul-coreano Jung Jae-il, o colectivo Keiken, e o ‘designer’ de videojogos sudanês Lual Mayen.

Texto de Patrícia Silva e Lusa
Fotografia de Daniel Rocha
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