A 43.ª Sessão do Comité do Património, que decorre até dia 10 de julho, em Baku, no Azerbaijão, classificou hoje, dia 7 de julho, o Real Edifício de Mafra e o Santuário do Bom Jesus, em Braga, como Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O Real Edifício de Mafra, composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra, assim como o Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga são os mais recentes integrantes da Lista do Património Mundial, que conta com 1092 sítios em 167 países. Portugal conta, a partir de hoje, com 17 sítios integrantes na lista.

Durante a avaliação, o Conselho Internacional de Monumentos e dos Sítios (ICOMOS), realçou algumas dúvidas relativas à documentação do complexo monumental de Mafra, suscitando uma pequena discussão que prolongou a classificação. “Tivemos muitas discussões sobre este sítio porque o elemento crucial deste conjunto, mas achamos que a Tapada não está suficientemente documentada. Sem haver mais informações, não faz sentido recomendar este lugar como Património Cultural Mundial", disse a representante do ICOMOS.

Apesar das recomendações de Angola ou ainda da Indonésia para a conservação e um estudo cartográfico do complexo monumental, o Real Edifício de Mafra foi aprovado com o apoio do Brasil, da Tunísia e da China, assim como outros Estados que fazem parte do comité.

Em defesa da candidatura, a representação de Portugal, confirmou que “Mafra reúne todas as condições para ser reconhecido. Desejamos inscrever um edifício de valor extraordinário que tem também um jardim e uma tapada e não o inverso, como indica o ICOMOS".

“É um dia histórico para Mafra e para Portugal, porque esta candidatura preparada há 10 anos foi hoje aprovada e só peca por tardia, porque já devia ter sido classificada há muito tempo”, disse Hélder Sousa Silva. A inscrição de Mafra na lista “não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida e traz responsabilidades acrescidas para a manutenção [do monumento] a curto prazo”. O autarca espera ainda que a classificação represente uma “virada para a recuperação do património”.

“A inevitabilidade de um reconhecimento não poderia, nem deveria ser protelada, porque Mafra e o seu monumento há muito que mereciam esta inscrição”, defendeu o diretor do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira, citado numa nota de imprensa enviada pela autarquia.

Também a Escola das Armas e o Exército, a direção da Tapada Nacional e a Paróquia de Mafra, outros parceiros da candidatura, se regozijaram com a classificação.

O complexo monumental data do século XVIII, construído pela ordem de D. João V com a riqueza resultante do ouro vindo do Brasil, é um dos principais monumentos barrocos em Portugal, sendo por isso um exemplo de afirmação do poder real.

É também integrante do monumento, coleções de escultura italiana, pintura italiana e portuguesa, para além de uma biblioteca única, dois carrilhões, seis órgãos históricos e um hospital datado da sua construção.

Apesar de em 1910 ter sido classificado como Monumento Nacional apenas o Palácio, a Basílica e o Convento, em junho deste ano, a Direção-Geral do Património Cultural propôs alargar a classificação à Tapada e ao Jardim do Cerco.

Tal como o Real Edifício de Mafra, o Santuário suscitou algumas questões quanto à autenticidade e integridade do monumento assim como a preservação e prevenção de acidentes, e possíveis incêndios à volta do complexo religioso. Portugal esclareceu que todas as dúvidas sobre o monumento bracarense já estavam esclarecidas no dossier entregue por Portugal e que as recomendações do ICOMOS já estão a ser seguidas no santuário. A representação portuguesa afirmou ainda que o monumento também já está inscrito como património nacional, fazendo finalmente com que a candidatura fosse aprovada.

O Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga, por sua vez, constitui um conjunto arquitetónico e paisagístico construído e reconstruído a partir do século XVI, no qual se evidenciam os estilos barroco, rococó e neoclássico.

Compõe-se de um “Sacro Monte”, de um longo percurso de via-sacra atravessando a mata, de capelas que abrigam conjuntos escultóricos evocativos da morte e ressurreição de Cristo, fontes e estátuas alegóricas, da Basílica, culminando no “Terreiro dos Evangelistas”, refere.

"É uma responsabilidade acrescida de Portugal em relação ao património cultural. Mais importante do que inscrever os bens, é termos capacidade de os preservar, proteger, conseguir que esta dimensão patrimonial esteja ligada à nossa vida. Compreender que o património não é passado, é o presente e é o futuro. Não é uma coisa histórica, é a nossa realidade e se não soubermos preservar o nosso património, não temos futuro", indicou o antigo reitor da Universidade de Lisboa.

Ao lado de Sampaio da Nóvoa durante esta votação, estiveram várias figuras que se têm batido pela inscrição destes dois sítios como o presidente da Câmara Municipal de Mafra ou o presidente da Confraria do Bom Jesus, algo que intensificou o momento vivido esta manhã no Azerbaijão.

Numa nota publicada na página da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa congratula-se com as decisões da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), referindo que "é um motivo de grande regozijo para o Presidente da República e para todos os portugueses".

Em 1983, Portugal viu o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, assim como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, em Lisboa, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, em Tomar, receberem as primeiras classificações.

Texto de Rita Santos e Lusa
Fotografia de ©Palácio Nacional de Mafra – Património Mundial

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