Samba de Guerrilha é o mais recente projeto de Luca Argel. O novo disco é editado no próximo dia 17 de fevereiro e fala-nos da centenária história do samba, através, não só de música, mas também de narração, ilustração e poesia.

Depois de dois álbuns de registo suave, Bandeira e Conversa de Fila, em que o cantautor carioca, radicado em Portugal há quase 10 anos, apresentou com doçura e bom humor a poesia de seus sambas, o músico transporta-nos agora para a história do samba, marcada por luta, glória e desventuras.

Samba de Guerrilha não se assume apenas como um disco, mas sim uma obra que reúne múltiplas expressões artísticas em si: da música à narração, ilustração e poesia. "É uma samba opera, conceito emprestado da rock opera popularizado por Pete Townshend (The Who)", pode ler-se em comunicado.

Para compreender este disco importa também perceber as origens do conceito. Samba de Guerrilha é um projeto que começou em 2016 e cresceu, durante 5 anos, até se transformar em disco. Nasceu como um concerto-workshop sobre a história política do samba. Fora dos palcos, este conceito desenvolvido por Luca Argel tomou a forma de artigos escritos, seminários, programas de rádio, até finalmente se efetivar num quarto álbum do cantautor — e o primeiro de versões.

De acordo com o comunicado, "este trabalho é uma viagem no tempo, onde conhecemos histórias e personagens do combate ao racismo, à escravidão e às desigualdades. Um samba que está permanentemente a testar os limite das suas possibilidades musicais, um samba reinventado, eletrificado, nascido a um oceano de distância da tradição".

Entre clássicos e jóias pouco conhecidas do repertório do género, dois singles já foram apresentados e os restantes temas são todos eles versões de sambas já existentes mas que, juntos neste trabalho, contam a história deste género musical.

Ao invés de suporte físico em CD ou vinil, o álbum será editado na forma de um jornal ilustrado, com a íntegra dos textos e canções gravadas. Também será editado no digital em todas as plataformas.

“Pesadelo”, o atual tema de apresentação, foi uma composição censurada pela ditadura militar brasileira na década de 1970. O single anterior, “Almirante Negro”, conta com um teledisco em animação que recria em fantasia a história da Revolta da Chibata, um dos episódios mais marcantes da luta anti-racista no século XX brasileiro.

O álbum completo sai a 17 de fevereiro deste ano e guarda mais convidados especiais, como os rappers Vinicius Terra e Frankão (a.k.a. O Gringo Sou Eu), a autora angolana Telma Tvon e a cantora e compositora brasileira Karla da Silva.

Texto por Flávia Brito
Fotografia de Kristallenia Batziou

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.
Lucas Argel