Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Opinião de Ana Pinto Coelho

Saúde mental e Cinema

Se existe mensagem imediata, pela força da imagem e interpretação dos actores, é o desenvolvimento…

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Se existe mensagem imediata, pela força da imagem e interpretação dos actores, é o desenvolvimento de um personagem que nos conquista através do ecrã. Seja através de uma história baseada em factos verídicos ou uma ficção criada por alguém que estava para aí virado, uma narrativa bem contada e melhor interpretada conquista-nos de imediato.

Quantas histórias retratam os “males da alma”, os desencontros com a realidade, a desnoção da verdade, o abandono, desatino, fuga para a frente, desistência, elevação, superação, conquista e redenção?

Quantos personagens nos transmitem fraquezas, demónios interiores, desorientações e perdições e quantos lutam contra tudo o que de menos bom lhes acontece?

E destes, quais são os loucos, os moribundos, os tresloucados, os malignos ou os benévolos, crentes, optimistas e focados?

O cinema é tudo isto através de uma actriz e de um actor. É o carácter em pessoa, com ou sem maquilhagem, com ou sem final feliz, apenas e só a total entrega a uma tarefa que nunca é simples: a de percebermos o outro, como é, como está, como foi, em suma, como se esteve a sentir naquele momento que até deu para contar uma história.

O cinema está pejado de personagens com perturbações mais ou menos graves, mentes menos sãs, períodos complicados, um acumular de azares que enlouquecem qualquer um. As pessoas podem ser tudo, os actores também, mas a história tem de ser verdadeira, ou baseada num qualquer pedaço de realismo, para acreditarmos nela.

E é depois do escritor e do argumentista, raras vezes a mesma pessoa, que entra o realizador, aquele que tem uma noção geral de como quer contar a história e dedicar mais tempo ao sentimento do personagem ou aos acontecimentos que o levaram a chegar a um estado insano.

É também através destes filmes que nós, sentados confortavelmente, somos confrontados com algo que também nos passou ou passa pela vida. Relembramos momentos muito parecidos com os que estamos a ver nesta narrativa. Lembramos alguém que passou por um episódio semelhante, recordamos momentos que tomámos as mesmas decisões, boas ou más, mas é o cinema que, de todas as artes, tem mais força a transmitir estes problemas. Porque os vemos e ouvimos. É simples.

Quantas pessoas pode um filme ajudar? Quem sai de uma sala de cinema pronta a mudar a sua condição que não está a passar o melhor momento, porque sentiu uma força que a impele para, pelo menos, falar do que a atormenta. Quem nunca pensou, comentou em voz alta ou repetiu mais tarde “eu passei por aquilo”?

O cinema mostra-nos uma simples realidade: todos os personagens passaram, estão ou vão passar por um período menos bom nas suas vidas. E não é exactamente isso que acontece com todos nós?

*Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

-Sobre Ana Pinto Coelho-

É a directora e curadora do Festival Mental – Cinema, Artes e Informação, também conselheira e terapeuta em dependências químicas e comportamentais com diploma da Universidade de Oxford nessa área. Anteriormente, a sua vida foi dedicada à comunicação, assessoria de imprensa, e criação de vários projectos na área cultural e empresarial. Começou a trabalhar muito cedo enquanto estudava ao mesmo tempo, licenciou-se em Marketing e Publicidade no IADE após deixar o curso de Direito que frequentou durante dois anos. Foi autora e coordenadora de uma série infanto-juvenil para televisão. É editora de livros e pesquisadora.  Aposta em ajudar os seus pacientes e famílias num consultório em Lisboa, local a que chama Safe Place.

Texto de Ana Pinto Coelho

As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

21 Abril 2026

Multilinguismo? O controlo da diversidade cultural na UE

7 Abril 2026

Valério e Gonçalo vão à luta

24 Março 2026

Um mergulho na Manosfera

10 Março 2026

Depois vieram os trans

24 Fevereiro 2026

Protocolo racista, branquitude narcísica

10 Fevereiro 2026

Presidenciais e Portugal – algumas notas

27 Janeiro 2026

Museu dos sapatos

13 Janeiro 2026

A Europa no divã

24 Dezembro 2025

Medo de assentar

10 Dezembro 2025

Dia 18 de janeiro não votamos no Presidente da República

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Camila Romão sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0