No dia 28 de novembro, o ator e humorista de “Porta dos Fundos”, Gregório Duvivier, inicia em Lisboa a digressão de Sísifo, um monólogo escrito pelo próprio em parceria com Vinícius Calderoni, coautor e diretor da peça.

O texto assinado pela dupla brasileira relaciona a mitologia grega com o mundo globalizado e hiper-conectado, trazendo a palco temas atuais e urgentes, para falar e refletir sobre a condição humana. Entre sessenta pequenas histórias com vários tipos de personagens, há espaço para comédia, tragédia, poesia e drama, recriando o mundo dos memes e dos gifs em palco. O assassinato de Marielle Franco, socióloga e política brasileira, e o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro são dois exemplos de temas abordados.

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Esta peça é inspirada no mito de Sísifo, que como punição das suas ações foi condenado a empurrar uma pedra de mármore até ao topo de uma montanha que, quase chegada ao cume, rola montanha abaixo até ao ponto de partida, tendo Sísifo de recomeçar o trabalho repetitivamente.

O monólogo Sísifo reflete, assim, sobre a sociedade enquanto repetidora autómata, que não sabe diferenciar o que é realidade, sonho, meme ou fake news. Tenta reestabelecer estas fronteiras e, no movimento de repetição, reestabelecer e reconstruir a própria sanidade mental da sociedade. “Não é, contudo, uma recriação fiel da história que o mito veicula, mas sim uma inspiração norteadora, um leitmotiv que se apresenta como fio condutor dentro de uma peça livre, ensaística e essencialmente contemporânea”, pode ler-se no comunicado.

O que é Sísifo, enfim? Lê aqui a sinopse:

O ator.
O ator num lugar entre outros dois lugares.
O ator sobre uma rampa.
O ator sobre uma linha reta.
Dentro desta linha reta, todas as travessias do mundo.
Dentro deste mundo, um mundo de travessias.
É sobre o tempo.
É sobre o absurdo e a maravilha de estar vivo aqui e agora.
É gif.
É meme.
É videogame, e o jogador está preso numa mesma fase.
É um país preso nas mesmas contradições.
É a eterna escalada ao topo da montanha.
É pau, é pedra, é o fim do caminho.
E o começo do caminho uma vez mais.
São sessenta travessias.
Só se tem o ponto de partida e o ponto de chegada: como se preenche este percurso?
É uma metáfora para a vida.
É a vida em si mesma.
É este o jogo.

Com a produção da H2N – Phenomena Makers, produtora responsável pelo Festival “Porta dos Fundos” e pelo espetáculo de improvisação “Portátil” em Portugal, Sísifo estreia-se em Lisboa no dia 28 de novembro, no Teatro Tivoli BBVA, passa por Braga (30 de novembro – Espaço Vita), pelas Caldas da Rainha (1 de dezembro – Centro Cultural e de Congressos), pelo Porto (2 de dezembro – Teatro Sá da Bandeira) e por Estarreja (3 de dezembro – Cine-teatro de Estarreja), regressando novamente à capital no dia 4 de dezembro, de novo no Tivoli BBVA.

Texto de Rita Dias

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