De 1 a 4 de julho a Fábrica Braço de Prata vai receber o Triste Para Sempre, um festival de cinema dedicado à normalização da tristeza, melancolia, e dos finais tristes.

Em 2019, António Simão e Carolina Serranito criaram o Triste Para Sempre, um evento de cinema focado na tristeza. Depois de uma primeira edição com lugar no espaço Com Calma e no Palácio Badalaya, e uma segunda edição no Selina Secret Garden em Lisboa, é a vez da Fábrica Braço de Prata receber o festival que quer levar a tristeza ao grande ecrã. A ideia surgiu entre dois jovens que, após passarem por vários festivais de cinema em de Lisboa, quiseram criar o seu. O festival é composto sobretudo por curtas-metragens que vão a competição pelos prémios Lágrima Nacional, Lágrima Internacional e Lágrima do Público, onde o público também é convidado a votar.

Com o objetivo de normalizar a (con)vivência com este sentimento denso e complexo, uma vez que é experienciado por todos nós de uma forma singular, Triste Para Sempre irá realizar-se pela terceira vez, promovendo o cinema independente e de autor e apresentando filmes realizados nos últimos dois anos, tanto nacionais como internacionais. Os filmes escolhidos pela organização do festival pretendem perscrutar as várias dimensões da tristeza, abrindo um espaço seguro para explorar as nossas emoções e abordar a saúde mental, nostalgia, morte, solidão, a dicotomia partir/ficar, entre outros temas que despoletam diferentes emoções no espectador. 

O festival, que tem início no dia 1 de julho, irá abrir com a primeira sessão competitiva, sob o tema Saúde Mental. Ao longo do festival serão exibidas as 31 curtas-metragens, onde se destaca o filme Eva de Bernardo Lopes, caracterizado pelo silêncio gritante da personagem principal, ilustrando o sofrimento de uma relação abusiva e o Beekeeper de William McGregor, que retrata a história real de uma tratadora de abelhas do País de Gales que enfrenta a perda iminente do trabalho de uma vida face à construção de uma central nuclear.

No encerramento do Triste Para Sempre serão exibidas as longas-metragem Les Statues de Fortaleza de Fabien Guillermont, um documentário que aborda a questão dos refugiados venezuelanos no Brasil e a crise humanitária que estes enfrentam, e a longa-metragem brasileira Pelas Mãos de Quem Me Leva de João Côrtes, um filme coming of age, que retrata uma rapariga órfã de 22 anos que, na sua perda e solidão, conhece um homem mais velho que traz mudanças à sua vida.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia via Pexels

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