"Escreve-se enquanto se faz." Esta é a frase partilhada por Pedro Hossi, João Falcão e António Terra para descrever "Uma Noite na Lua". O monólogo que se alimenta das vozes e das vivências contínuas volta a Portugal, agora pela voz e interpretação de Pedro, estreando-se a 3 de agosto, pelas 20horas, no Estúdio Time Out, em Lisboa.

As dificuldades em terminar uma peça sobre um homem solitário fazem-se ouvir. Trata-se de um ator que vive atormentado pelas recordações da ex-mulher, Berenice e que, de alguma forma, não se separa da história que cria, " a beleza da peça é que está a acontecer em tempo real", elucida Pedro, a partir de uma conferência, online, cujo palco era o Estúdio da Time Out.

Definido como um "texto intenso", o monólogo composto por "vários eus a atormentar o autor, que está numa crise existencial" transporta o público para uma visão "íntima" da história da personagem. Os artistas chegam a considerar que o público assiste "ao que está dentro da cabeça deste homem" e concordam que existe uma importância de explorar as questões relacionadas com a saúde mental e a importância do diálogo interior como um mote para a expressão.

"Uma Noite na Lua" permanece muito fiel à original, que nasceu em 1990, tendo sido recuperada em 2012 por Gregório.

Em 2016 o ator e humorista brasileiro Gregório Duvivier passava "Uma Noite na Lua" em Portugal. Anos depois, o autor do texto, João Falcão conta-nos que mesmo que a obra se construa de forma mutante aos olhos dos autores e artistas "esta noite" permanece muito fiel à original, que nasceu em 1990, tendo sido recuperada em 2012 por Gregório.

Composto por uma diversidade de experiências, questionamentos e sentimentos, o texto que "é muita coisa ao mesmo tempo" vive a noite como um ode à inspiração, à criação e à calmaria dos pensamentos.
A peça é também vivida pelo regresso aos palcos de Pedro que, nos últimos anos, se tem voltado para o Cinema e a Televisão. Este foi o resultado da "procura do texto certo para regressar aos palcos" que, segundo o autor, tem sido "um grande desafio", particularmente no que toca ao "domínio dos tempos e à projeção vocal e corporal".

A este desafio junta-se também o encenador António Terra que constrói uma peça num palco ausente do tradicional. O espetáculo acontecerá numa "semi-arena, temos o público sentado em U e uma espécie de passarela onde o ator circula", explica.

"Dramática, poética, romântica... tudo isto feito com leveza", é assim que nasce, cresce e se (re)vive "Uma Noite na Lua" até dia 30 de agosto, na Time Out.

Texto por Patrícia Silva
Fotografia retirada do website Time Out

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