Vítor Manuel de Aguiar e Silva, professor e ensaísta, é o vencedor do Prémio Camões 2020.

Após a seleção do júri, o professor foi anunciado pela voz da Ministra da Cultura, Graça Fonseca.
Segundo o comunicado divulgado no seguimento da reunião do júri da 32.ª edição do Prémio Camões, Vitor Aguiar e Silva foi o eleito dada a sua “importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel ativo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”.

Destacado pelas suas qualidades “intelectuais e académicas” e pelo “perfil humanista com que marcou e um modo decisivo gerações de alunos, um pouco por todos os lugares onde ensinou, bem como leitores”, a ministra da cultura descreve ainda a obra do ensaísta como uma demonstração do seu “apurado sentido crítico e o sempre renovado olhar de leitor”.

A obra que “reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa”, não adota o novo acordo ortográfico. O ensaísta recusa a escrever segundo este acordo por considerar que resultou numa “língua desfigurada”, afirma à Lusa.

Nascido pelas terras de Penalva do Castelo, em 1939, estudante e professor na Universidade de Coimbra e no Instituto de Letras e Ciências Humanas, Vitor Aguiar e Silva fundou e dirigiu o Centro de Estudos Humanísticos e a revista Diacrítica. Desempenhou também as funções de vice-reitor, de junho de 1990 a julho de 2002, altura em que se aposentou.

A sua atividade de investigador tem-se centrado sobretudo nos estudos camonianos. O ensaísta tem-se dedicado especialmente ao estudo da Teoria da Literatura – domínio em que a relevância do seu ensino e da sua investigação é nacional e internacionalmente reconhecida -, e da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Texto por Patrícia Silva e Lusa

Fotografia de GCII-Universidade do Minho

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