Miguel Abreu

Actor, encenador e produtor cultural é fundador e diretor da produtora Cassefaz desde 1987 e presidente da Academia de Produtores Culturais desde 1999. Foi diretor do Maria Matos – Teatro Municipal, programador de Teatro do Centro Cultural de Belém e programador de Teatro e Diretor Geral de Produção de FARO – capital nacional da Cultura 2005. Em 2008 criou para a Câmara Municipal de Lisboa o festival TODOS-caminhada de culturas do qual é diretor e cuja primeira edição aconteceu em 2009. Assume também funções de programador artístico junto de Madalena Victorino e Giacomo Scalisi por si convidados para integrarem a equipa de programação.

Um Festival para Todos quer dizer que temos um coração grande ou somos indecisos e não conseguimos escolher?

Quer dizer que temos um festival empenhado em sensibilizar o maior número possível de pessoas para a importância da Convivialidade entre todos (que se abram os corações, os grandes e os pequenos…).

O Festival tem também no nome Caminhada de Culturas, isso quer dizer que aderiram também ao estilo de vida saudável e querem por os lisboetas a andar mais pela cidade?

Sim, desejamos que as pessoas de Lisboa, bem como as de fora, passeiem cada vez mais pelos bairros da cidade e os conheçam mais profundamente, de modo a pensarem melhor as possibilidades integrantes e integradoras da cidade intercultural e mais cosmopolita do Futuro.

Quiseram pôr-nos a pensar sobre os vizinhos de cá e de lá. O que podemos esperar desta vizinhança cultural? 

Das novas Vizinhanças deveremos esperar melhores conhecimentos e combater preconceitos – a boa vizinhança do quotidiano implica a nossa disponibilidade para conhecer e compreender modos de vida distintos dos nossos; nestes casos a gastronomia é uma boa aliada para aproximar os Vizinhos…

É indiscutível o património histórico e cultural que o Todos pôs na rua. O que é preciso para que este património possa ser cada vez mais acessível a todos?

O património, material e imaterial, identifica-nos e caracteriza-nos, bem como a forma como o respeitamos ou não; compreender o património, escutá-lo, desafia-nos a imaginar como ele se integrará no desenvolvimento presente e futuro da cidade, que ele inspirará… O Todos assume que discutir o futuro intercultural da cidade implica-se com o seu património histórico, social, económico e cultural.

Entrevista por Ana Azevedo

Foto por Maurízio Agostinetto