A Rádio Gerador é a nova voz do Gerador. Todos os meses, na última noite do mês, emitimos um programa de rádio, resultado de uma conversa à mesa com convidados de honra.

Na edição deste mês conversámos com a Aida Tavares, directora artistica do São Luiz Teatro Municipal, com o Bruno Humberto do Limiar na Zaratan e wrongwrong.net, com o Pedro Alves do Teatro Mosca de Sintra e ainda com o Bruno Cochat, bailarino coreógrafo, professor, produtor e programador. O mote da conversa? Como programar uma sala de espectáculos?

Como sempre, no final, deixamos-te com mais um capítulo do nosso romance colectivo Modernista Tradicionalista, que sai directamente da Revista Gerador para a voz de 10 actores portugueses bem conhecidos de todos. Desta vez, falamos do capítulo da escritora Gabriela Ruivo Trindade, aqui interpretado pela actriz Ana Guiomar.

“Os públicos são muitos e vastos. O São Luiz tem uma programação bastante ecléctica, fazemos todas as áreas das artes performativas.”

“Tens de perceber o mapa da cidade onde te inseres, do ponto de vista da oferta cultural. É o primeiro acto em que eu penso: o sítio onde estou. E depois olhar para os meus pares, no sentido institucional. Isto exige que nos sentemos todos e conversemos sobre isto.”

“Os artistas portugueses têm uma enorme capacidade. Devem ser optimistas e continuar a trabalhar.”

Aida Tavares

“Como criador, conheço imensas pessoas de várias áreas. Nas artes plásticas, na dança, na escrita. E vi que os tempos de criação são muito diferentes dos tempos de programação. Por exemplo, um coreógrafo tem num ano, uma ou duas produções, em determinado espaço mas tem outras ideias a marinar. É bom haver espaços de experimentação e de partilha.”

“Um programador deve ser um curioso. A programação é, em si, um objecto que ele tem de esculpir, mas para isso precisa de estar atento ao que se está a passar.”

“O meu desejo é que as cidades, o poder local e o ministério da cultura tenham uma política articulada para que haja uma dinâmica diferente. Lisboa está a tornar-se num parque de diversões. E devia ser um parque de fruição, com ideias a circularem.”

Bruno Humberto

“No outro dia perguntaram-me como se pode criar público. Eu disse-lhe: a melhor maneira é procriares, ter filhos, não há outra maneira de criar público.”

“Associamos o Cacém a um dormitório. Uma pessoa pensa que a malta no Cacém dorme lá num casulo, acorda zombie, metem-se nos comboios, desaparecem, e o Cacém morre. É altamente errado. É uma das imagens que associamos à periferia.”

“Programador nenhum vai a Sintra ver os nossos espectáculos. Onde está a periferia? Está em Lisboa, porque não vem ao meu centro, onde eu trabalho diariamente, onde desenvolvemos um trabalho contínuo, de risco.”

Pedro Alves

Se os programadores programam, é importante conseguir chegar a eles. Há programadores que não respondem. Os artistas e os programadores têm que se conhecer.”

“Eu sei de um padre que, em parceria com um festival, recomendava às pessoas, em confissão, ir assistir a um concerto.”

“As pessoas que eu reconheço que como programadores têm um trabalho mais sério e mais bem feito, não são criadores. Não quer dizer que os criadores não possam ser bons programadores.”

Bruno Cochat

Convidados desta conversa
Aida Tavares, São Luiz Teatro Municipal
Bruno Humberto, Do Limiar na Zaratan e wrongwrong.net
Pedro Alves, Teatro Mosca de Sintra
Bruno Cochat, Foyer

Locutor – Pedro Saavedra
Captação de Som – Jorge Cabanelas
Sonoplastia – Rui Miguel/Dizplay

Quarto Capítulo do Modernista Tradicionalista
Texto de Gabriela Ruivo Trindade
Interpretação de Ana Guiomar
Captação de som e sonoplastia Telmo Gomes
Música: Sonata No. 25, Op. 79 in G (Ludwig van Beethoven) – Complete Performed by Paavali Jumppanen
Co-produção ZOV e Gerador