Publicação a 13 abril
A liberdade de expressão foi, durante anos, suprimida pelo Estado Novo, sujeitando notícias, livros, obras de arte ou peças de teatro ao lápis azul, que riscava tudo quanto pudesse contestar o regime. Após o 25 de abril a democracia trouxe liberdade de pensamento e de opinião, levando ao desenvolvimento de imprensa livre e à proliferação de ideologias distintas. Multiplicaram-se os espaços de opinião nos jornais, os programas de comentário e de debate que permitem confrontar ideias.
Com o desenvolvimento da Internet e a banalização do acesso a tecnologias digitais observa-se um fenómeno de democratização do acesso à informação e dos canais onde esta é disseminada. Todos podemos criar um blogue, página ou fórum de discussão onde as opiniões se desdobram entre os argumentos fundamentados, as teorias da conspiração ou o coletivismo discriminatório. Até que ponto podemos aceitar a divulgação de ideias racistas, xenófobas, homofóbicas? Quais os limites da liberdade de expressão? Onde começa a difamação? Até onde é possível limitar o discurso? Devem as grandes empresas tecnológicas ter o poder de apagar comentários ou publicações? Está o espaço digital sujeito às mesmas regras democráticas?
No dia 24 de março celebram-se 17.500 dias de vida em liberdade e, finalmente, a democracia ultrapassa em um dia o tempo que vivemos em ditadura em Portugal. A Idade da Liberdade é uma iniciativa do Gerador que, entre 24 de março e 25 de abril, se propõe a fazer uma reflexão profunda sobre a importância do 25 de abril e as consequências para os jovens hoje, numa programação que inclui conversas, um clube de leitura, workshops, reportagens especiais e até um estudo com jovens de todo o país.