No dia 25 de Abril de 2022, marchei pela primeira vez com o meu povo de cravo na mão. Nesse dia da Liberdade, vi crianças, idosos, mulheres e homens, pessoas belas de cravo na mão. De cravo ao peito. Abraçado entre os cabelos. Embrulhados em cumplicidade. Juntos caminhando por Lisboa. E que bonita estava Lisboa. Está sempre. Mas dia 25 de Abril ainda mais bonita fica. O sol brilhava e os sorrisos da multidão descendo a Avenida iluminavam o caminho. Nesse belo dia, emocionei-me com o fervor dos cânticos. Com o calor apaixonante da luta. E apaixonei-me pela poesia nas ruas. Marchando extraordinariamente. Dançando com o vento. Cada corpo, uma luta. Cada rosto, igualdade. Juntos numa só voz. A voz da mudança. Escrevi o que agora lêem, no início de uma noite serena, o que vivi pela primeira vez. O que senti. O que admirei. O meu amor. Os meus amigos. Uns de cartaz. Outros de bandeira. O povo na cidade. O povo nas ruas. O povo a liderar. O meu povo. Escrevi o que estão a ler revivendo o que passou no 48º aniversário deste dia revolucionário. Ouvi a Grândola, Vila Morena nos timbres de todas as vozes presentes. Ouvi a melodia da brisa de primavera, cantada pelos heróis deste dia em 74. E vivi o FMI de José Mário Branco. Ao vivo e a cores. Consegui ouvi-lo a chamar pela mãe. A sua eterna inquietação. E Depois do Adeus agradeci por mais um dia em plena democracia. Guardei o meu cravo num vaso digno de tamanho simbolismo. Deitei-me na cama e revi as fotografias que tirei. A minha pele arrepiou-se de felicidade. Despedi-me. Para o ano há mais.
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