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Mariana Miserável: “Tem acontecido desenhar sobre a vulnerabilidade porque a acho honesta”

A edição 43 da Revista Gerador conta, na sua capa, com uma obra de Mariana Miserável.

Texto de Amina Bawa

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Traduzir os sentimentos através de ilustrações é o trabalho de Mariana Santos, conhecida como Mariana, a Miserável. Nascida em Leiria, escolheu o Porto como nova morada desde 2010, ano em que passou a dedicar-se exclusivamente à ilustração. 

Formada em design gráfico pela Escola Superior de Artes e Design nas Caldas da Rainha, produziu diversas exposições individuais e coletivas, em Portugal e no exterior, trabalhou para grandes marcas, renomados estúdios de design, editoras, lecionou em universidades, foi reconhecida por críticos de arte, além de ser reconhecida na imprensa portuguesa e em publicações internacionais de design.

Convidada para ilustrar a capa da edição 43 da Revista Gerador, conversámos com a artista sobre a sua carreira e sobre os seus processos de criação.

©Fred Gomes

Como Mariana Santos descreveria Mariana, a Miserável?

Descrever Mariana, a Miserável, é descrever o que faço. O nome surgiu a partir de um fanzine homónimo que tinha nos tempos de faculdade. Decidi apropriar-me dele sem pensar bem no futuro, na altura para um blogue e depois para o cartaz da minha primeira exposição a solo há 14 anos. A «miserável» foi ficando e crescendo comigo, acabando também por influenciar a temática dos desenhos e dos projetos mais pessoais. O nome sobreviveu ao tempo (e à minha paciência para inventar respostas criativas sobre ele), mas não é uma marca, não foi marketing, não foi uma estratégia ou um plano muito pensado.

Não sou refém de uma persona nem sinto que tenha de obedecer a uma regra. Embora a coerência não seja algo que almeje, ela acontece porque os riscos vêm todos da mesma mão e é inevitável não passar um pouco de mim.

Por quais caminhos a sua carreira como ilustradora a tem levado?

Por quais caminhos a sua carreira como ilustradora a tem levado?

Ser ilustradora tem-me levado a fazer muitas coisas que não são ilustração, primeiro porque, no início, não existia espaço no «mercado editorial» e, uns anos depois, porque percebi que, afinal, gostava de me desdobrar e experimentar outro tipo de projetos e suportes.

Embora seja muitas vezes associada à palavra ilustração, tenho feito muitas coisas sem pensar em que caixas caibo ou que rótulo lhes dou. Não ser só uma coisa é libertador.

Há beleza nas coisas tristes? Como retratá-las em suas obras?

Desde 2010, entre exposições, comissões e afazeres mais comerciais, têm aparecido desenhos meus com temáticas trágicas, cómicas, trágico-cómicas, pessoas que choram, que caem, que se levantam das mais diversas maneiras, entre o riso e o choro. Tem acontecido desenhar sobre a vulnerabilidade porque a acho honesta. Em 2020, lancei um livro de pessoas a chorar chamado Meninos das Lágrimas, entretanto, também fiz uma série chamada «é preciso imaginar sísifo feliz». A beleza está em tudo, basta estarmos atentos. Eu acho que gosto de procurá-la em sítios menos óbvios.

Conte-nos um pouco sobre o seu processo de criação da imagem que ilustra a capa desta edição.

O tema desta edição não foi, de todo, fácil de ilustrar porque não queria que fosse algo óbvio.

Neste desenho, peguei da ideia da desigualdade, através da diferença de tamanho das personagens, uma não cabe na página e outra é pequena e está a um canto.

Esta ideia de poder é dada pelo sapato que pisa o cachecol da estudante, não permitindo que ela avance, as folhas voam e ela olha para trás com um ar incomodado. Existe violência nesta ação, mas ela é subtil.

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