A jornalista Isabel Cardoso é a vencedora da Bolsa Gerador Ciência Viva para Jovens Jornalistas. A jornalista irá desenvolver uma reportagem de investigação sobre os investimentos feitos a nível nacional e europeu com vista a garantir a segurança energética do fornecimento de terras raras, de modo a mitigar a dependência Europeia da China e os danos ambientais causados pela mineração de terras raras, focando-se em alternativas como, a reutilização das terras raras através da mineração urbana de lixo eletrónico. 

Apesar de apresentadas como a panaceia para a crise climática, o processo produtivo de energias renováveis, sendo dependente dos metais de terras raras, cujo processo de extração e refinação produz elevadas quantidades de lixo tóxico, torna-se prejudicial ao ambiente. Deste modo, o processo de transição energética e digital, contemplado no Plano Ecológico Europeu, pode agravar a pegada ambiental europeia ao depender do fornecimento de terras raras, monopolizado pela China.

As terras raras – “o ouro do século XXI” - são tema de grandes polémicas geopolíticas e ambientais. O fornecimento de terras raras, além de ser um processo ambientalmente nocivo e de ser praticamente um monopólio chinês, tornando-se uma arma comercial, é ameaçado por uma procura crescente devido às transições energéticas, estimando-se uma escassez das reservas do recurso em 20 anos. Questionarmo-nos sobre as respostas que a Europa, mais precisamente Portugal, dão a este problema é de elevada pertinência, uma vez que, a Europa é a maior produtora per capita dos recursos necessários à reciclagem de terras raras, o lixo eletrónico, podendo desse modo dar resposta à necessidade de adotar tecnologias sustentáveis sem depender do fornecimento chinês e sem agravar a sua pegada ambiental. Um olhar sobre o “lado negro” das energias verdes, é crucial de modo a chamar à atenção e incentivar investimentos em processos alternativos e menos poluentes de desenvolvimento de energias renováveis.

Bolsa Gerador Ciência Viva para Jovens Jornalistas é uma bolsa de jornalismo jornalismo de 2.250 eur destinada a jovens jornalistas formados ou ainda em formação, até aos 35 anos, que permite desenvolver, ao longo de um período extenso de tempo, uma reportagem de investigação com acesso a recursos técnicos, humanos e financeiros. Sabe mais sobre este projeto, aqui.