Na vaga de outubro do Barómetro Gerador Qmetrics quisemos perceber a disponibilidade dos portugueses para participar em diversas atividades, tanto no momento do questionário como numa situação em que já houvesse vacinação em larga escala.

Quando inquiridos sobre a disponibilidade para participarem em iniciativas culturais, à data do questionário, numa escala de 1 a 10, onde 1 significa nada disponível e 10 muito disponível, os portugueses revelaram estar muito desconfortáveis em ir a festivais de música, concertos e espetáculos de teatro, atividades que apresentaram valores médios abaixo de 4. A única atividade com uma média inferior a estas é a ida a discotecas, com 2,4 valores.

Restaurantes e hotéis apresentam médias um pouco mais altas (5,9 e 5,3 respetivamente), porém, em estudos que utilizam as escalas de 1 a 10, considera-se que quem responde abaixo de 7 revela um sentimento de desconforto e incerteza, pelo que podemos concluir que a participação nestas atividades também deixa os portugueses desconfortáveis. Os museus, cinemas, bibliotecas e património, apresentam ainda valores inferiores a 5..

No entanto, para averiguar o impacto da vacina na disponibilidade dos portugueses para estas mesmas iniciativas, elaborámos um cenário hipotético: imaginando que, no final de março de 2021, já todos os portugueses estariam vacinados, como se sentiriam em ir a estes locais em abril?

Tal como esperado, as pontuações médias sobem bastante. No entanto, apenas o cinema (7,2), o património (7,3), os hotéis (7,6) e os restaurantes (8) têm respostas robustas, estando acima de 7.

O teatro (6,3), os concertos (6,5), as bibliotecas (6,6) e os museus (6,9) mantêm-se todos abaixo de 7, embora estes últimos se aproximem mais. Isto demonstra que os portugueses precisam ainda de ganhar confiança nas estruturas culturais para que percam o receio de as frequentar num cenário futuro.

Para ajudar a compreender como esta confiança pode ser ganha, perguntámos ainda aos inquiridos a quem deveria caber a responsabilidade de evitar a propagação da doença, quando eventos culturais com mais de 100 pessoas já possam ser realizados. Tal como no Barómetro Gerador Qmetrics 2020 (abril/maio), os portugueses consideram que cabe a cada um deles o dever de evitar a propagação do vírus, mas mais de 50% considera que essa também é uma responsabilidade do organizador do evento.

Barómetro Gerador Qmetrics é um estudo anual que analisa a opinião dos portugueses sobre a cultura. Realizado pela primeira vez em 2019, o âmbito do questionário deste ano incidiu, principalmente, nas consequências da pandemia na sociedade e na cultura. A primeira vaga de análise aconteceu entre abril e maio deste ano, tendo sido já complementada com duas vagas adicionais, uma em junho e outra em outubro, onde foi registada a evolução da situação atual da pandemia aos olhos dos portugueses. Sabe mais sobre o relatório de 2020 aqui e pede o teu relatório completo aqui.

Quinzenalmente mergulhamos no Barómetro Gerador Qmetrics para trazer análises dedicadas ao comportamento da cultura em Portugal. Fica atento aos próximos artigos.

Síntese Ficha Técnica
Universo do estudo é constituído por indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal Continental e Ilhas. A Amostra desta terceira vaga intermédia, com 313 entrevistas validadas, foi estratificada por região, sexo e escalão etário, em Portugal Continental, e por Ilhas, e distribuída em cada estrato de acordo com a repartição da população alvo em cada estrato. As entrevistas foram realizadas de 20 a 29 de outubro de 2020, através de um questionário aplicado online utilizando o método CAWI (Computer Assisted Web Interview). Os resultados são apresentados com um nível de confiança de 95%. A margem de erro para a média na escala 1 a 10 é de 0,43 pontos e a margem de erro para a proporção é de 8,48 pontos percentuais.