Terminou no fim-de-semana passado, em Loulé, mais uma edição da Bienal Ibérica de Património Cultural, que trouxe à cidade algarvia diversas exposições, ateliês de artes e ofícios, video mapping, itinerários temáticos, oficinas, dois debates e um roteiro nocturno, todos relacionados com o património cultural, naquela que foi a maior e mais internacional edição de sempre.

Com o tema “Sustentabilidade no Património Cultural” e Marrocos como o convidado principal, Loulé recebeu um fim-de-semana de actividades culturais, fruto de uma parceria entre a Spira e a Câmara Municipal de Loulé, cumprindo mais uma edição daquele que é o primeiro evento nacional dedicado à valorização do património cultural, promovendo a participação activa no sentido de aumentar a visibilidade do património através de, entre outras, actividades de educação patrimonial. Em 2013, a Spira deu início ao projecto Feira do Património, que assim se chamou até 2017, data em que, após se fundir com a AR&PA – Bienal de la Restauración y Gestión del Patrimonio, promovida pela Junta de Castela & Leão, se passou a chamar pelo nome que agora tem. Com o objectivo claro de aumentar gradualmente, a cada edição, a extensão do evento, a edição de 2019 cobriu todo o concelho de Loulé, com actividades em mais de 7 espaços — como o Monumento Engenheiro Duarte Pacheco, o Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé, o Palácio Gama Lobo, ou o Convento do Espírito Santo — e a participação de países como Espanha, Itália, Áustria e Brasil.

Catarina Valença Gonçalves, directora da Spira, discursa no cocktail de boas-vindas

Após o primeiro dia de apresentação da edição de 2019 da Bienal Ibérica de Património Cultural, a manhã do dia 12 de Outubro, segundo dia da Bienal, começou pelas 9h30, no Solar da Música Nova, com o debate “Arte & Ofícios como Prática de Sustentabilidade em Património Cultural”, sobre o tema dos saberes artesanais em Portugal e das suas oportunidades no futuro. À tarde, pelas 15 horas, no Palácio Gama Lobo, decorreu o outro debate do dia e o último da Bienal, sob o título “Reabilitar: uma Dimensão Incontornável da Intervenção Patrimonial?” e acerca da problemática relacionada com a prática de reabilitação urbana, cada vez mais frequente em cidades portuguesas e espanholas, e da definição do papel da conservação e restauro nesse processo.

Ainda na manhã de sábado, 12 de Outubro, decorreram também diversas iniciativas culturais de carácter educativo: a partir das 10 horas, até às 16, decorreu a Roda da Empreita, em que se juntaram em círculo artesãs, com folhas de palma, para fazer diversos objectos através da técnica da empreita. Pelas 10h30, deu-se início ao ateliê de Esgrafitos Decorativos, no qual se ensinou a confeccionar as tintas artesanais e argamassas utilizadas em painéis decorativos, terminando com a feitura de um pequeno painel. A partir das 11 horas, deu-se também início ao roteiro “Aproximem-se! Aqui vou eu, aqui vamos nós”, um projecto de sensibilização patrimonial que consistiu em percorrer rotas pelo património orientadas por membros do Projecto Bairr’art e que teve também, quer no dia 12, quer no dia 13, uma sessão à tarde, a partir das 15h. Pelas 10 horas, teve início o itinerário temático “As práticas da Dieta Medieval e Moderna em Loulé”, feito por Maria João Valente. Pelas 18 horas, decorreu a Apresentação Herifairs, que apresentou a Rede Europeia das Feiras do Património, contando com a presença dos membros fundadores – Salone dell’Arte e del Restauro di Firenze (Itália), Monumento-Salzburg (Áustria) e AR&PA – Bienal Ibérica de Património Cultural (Portugal e Espanha).

Visitas das escolas do Concelho de Loulé à zona expositiva da Bienal 

Na noite de sábado, a programação continuou com o último espectáculo de video mapping, na fachada do Mercado Municipal de Loulé, às 21 horas, 21h30 e 22 horas. À mesma hora, teve lugar, no Palácio Gama Lobo, a projecção do filme da Festa da Nossa Senhora dos Navegantes — Ilha da Culatra, ao qual se seguiu um debate, e, no Cine-Teatro Louletano, decorreu um concerto de Rão Kyao e Convidados, cujos bilhetes esgotaram. A Festa do Património teve início às 22h30, no CECAL — Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé, promovendo, com música ao vivo, o convívio entre expositores, parceiros e promotores da Bienal.

O último dia da Bienal começou às 10 horas, com o itinerário temático “Igreja de São Lourenço de Almancil”, feito por Francisco Lameira, e prosseguiu, novamente, com o roteiro “Aproximem-se! Aqui vou eu, aqui vamos nós”. A partir das 11 horas, teve início o ateliê de Figos Cheios, no qual se ensinou a fazer figos cheios, um elemento da doçaria tradicional que consiste em encher figos secos com amêndoas. Às 11 horas, iniciava-se também a apresentação do projecto “Empreita-te!”, mostrando os resultados do projecto de educação patrimonial que, durante 5 meses, ensinou e divulgou a crianças do 3º ano das escolas de Loulé a técnica da empreita. No mesmo dia, a partir das 14h30, decorreu também o ateliê de Pintura a Fresco, no qual se ensinou a antiga técnica de decoração mural.

A Bienal terminaria, assim, com o Roteiro da Água, que teve início às 14h30 e consistiu numa visita guiada ao património serrano de Loulé e à utilização dos recursos naturais do território, promovido pela Câmara Municipal de Loulé. Também às 14h30 começou, no Espaço Innovation Point, a cerimónia de entrega do Prémio do Público – Internacionalização do Património, decorrendo também a sessão de encerramento da edição de 2019 da Bienal Ibérica de Património Cultural e um concerto do Trio da Orquestra de Jazz do Algarve, promovido em conjunto pela Spira, pela Junta de Castela e Leão e pela Câmara Municipal de Loulé.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Na próxima edição, ainda sem local anunciado, dado o carácter itinerante da Bienal, mantêm-se os objectivos de continuar a expansão territorial, com edições cada vez maiores, e de continuar a importante promoção e valorização do património cultural, promovendo uma participação activa dos cidadãos em actividades culturais gratuitas em que, segundo Catarina Valença Gonçalves, CEO da Spira, «toda a gente pode participar, toda a gente pode mexer, toda a gente pode fazer perguntas», sem pré-requisitos. Com o objectivo de aproximar as pessoas do património, a Bienal caminha não apenas no sentido de estender a programação a nível geográfico, mas também em termos de público-alvo, virando o olhar para o património como «um bem que é de todos», afirma a directora da Spira.

*texto escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1945

Reportagem de Francisco Cambim
Fotografia disponíveis via página de Facebook patrimonio.pt

Se queres ler mais reportagens sobre a cultura em Portugal, clica aqui.