A motivação que leva um(a) jovem a ir para um curso de jornalismo não é óbvia, nem tão pouco se repete entre os milhares que se candidatam todos os anos, por volta do mês de junho. É possível que, pelo caminho, alguns ganhem a certeza de que é por ali e outros que vejam, desde logo, que é melhor pensar já em alternativas. Há jornalistas cujo entusiasmo surge no decorrer do curso, quando começam a ter contacto com as possibilidades da profissão, quando fazem a primeira entrevista ou quando encontram liberdade para escrever sobre histórias inacreditáveis de pessoas aparentemente “banais”; e outros/as que batem de frente com a “ideia romântica” que tinham, até então, da profissão. 

De Norte a Sul do país, formam-se todos os anos jovens que querem integrar redações e contribuir para o pensamento crítico dentro do jornalismo. Todos os anos, também, são muitos os que procuram oportunidades de estágio e não as encontram ou, por vezes, não recebem resposta. E tantos outros que, mesmo integrando um estágio, não encontram um lugar para começar efetivamente a trabalhar na área. É certo que é importante começar a furar o mundo do trabalho, paralelamente ao percurso académico, mas também é certo que nem todos/as o conseguem ou podem fazer. 

Independentemente das oportunidades que têm, para já, ou que podem vir a ter, finalistas e recém-licenciados olham criticamente para a área em que se formaram, ou estão a formar. Querem contribuir para a sua mudança, basta que lhes dêem uma oportunidade. E querem ser ouvidos. Não sentem que possuem todo o conhecimento do mundo — querem, aliás, aprender com os mais velhos — mas sabem que também podem levar um outro olhar para os jornais, canais de televisão ou estações de rádio, sem que estes precisem de ter o rótulo “para jovens”. Olham para o mundo com um enquadramento gerado pelo contexto de cada um, e sabem que podem ajudar a fazer a diferença; acreditam que os órgãos de comunicação têm mais a ganhar com a troca intergeracional do que a perder. 

Neste Dia da Liberdade da Informação, também eles e elas têm alguma coisa a dizer. 

Correr contra o tempo

“Creio que a essência que me levou a querer seguir Jornalismo ainda está viva: contar histórias. Porém, o entusiasmo esmorece um pouco quando olho para o mercado de trabalho e para as possibilidades existentes de criar narrativas com as minhas próprias mãos. Assusta-me o facto de ter de fazer atualidade, ou, pelo menos, de ter de começar por aí”, partilha Carlota Portugal, recém-licenciada em Ciências da Comunicação — Jornalismo, pela Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), em Lisboa. 

Para quem vem de um curso de jornalismo, onde as possibilidades de géneros jornalísticos parecem estar sempre em aberto, o que se encontra ao tentar entrar pode não ser tão abrangente. A questão da (in)temporalidade pode ser uma das mais prezadas no momento do estudo, na universidade, mas o ritmo a que os Órgãos de Comunicação Social (OCS) vivem, de uma forma geral, parece dizer o contrário. “Tenho sempre a ideia de que a informação não chega e isso acontece muito por causa da ideia do tempo, de ter de fazer agora. A rapidez com que as coisas têm de ser feitas, e o querer ser o primeiro a falar, faz com que as coisas cheguem a mim de uma forma fragmentada”, diz Soraya Évora, recém-licenciada em Ciências da Comunicação — Jornalismo, pela Universidade Lusófona do Porto, que antes de ser jornalista é, e sempre foi, leitora. 

Ao perceber melhor as dinâmicas dentro dos OCS, Soraya foi perdendo o entusiasmo que a levou a seguir jornalismo, quando ainda estava a estudar. “Não desgostei [do curso], mas tinha uma ideia muito romântica do que era o jornalismo e, quando comecei a perceber como é que as coisas funcionam, quebrou-se um bocado essa ideia romântica”, partilha com o Gerador. Como exemplo, refere a curadoria editorial, muito focada na Europa e nos Estados Unidos da América. “Essa parte de como o jornal é construído e as notícias que são relevantes para determinada área geográfica, essa forma de fazer o jornalismo, mudou muito a forma como eu via as coisas”, continua. 

Soraya Évora foi escrevendo, ao longo do curso, num blog criado por si, La Femme Noir

Carlota pensa um pouco no mesmo sentido que Soraya: “depois de três anos de Licenciatura, marcados pelo descobrimento do meu prazer pela escrita e pela procura de histórias que mudassem a minha visão do mundo, saber que não vou ter o espaço para me autodescobrir e fazer os outros descobrirem-se a si mesmos é desmotivador. Não sei se a culpa reside no curso, que nos ensinou a voar, ou no mercado do Jornalismo, que nos corta as asas. O ideal seria poder participar num espaço de notícias que me permitisse explorar a minha criatividade, tanto a nível de design da reportagem, como da própria narrativa.” 

Mas há quem continue com o entusiasmo com que entrou. “O entusiasmo que move a minha caneta é o mesmo. Estou grato pela bagagem que a faculdade me deu; mais do que uma bateria de competências pragmáticas, trouxe-me ferramentas para pensar o mundo. Isso é bom, porque veio terraformar a forma como perceciono, como seleciono o que escrever, e como o escrevo”, diz-nos Pedro João Santos, finalista de Ciências da Comunicação — Jornalismo, na FCSH. Apesar de ser “um bocado destrutivo” e prever “o pior”, conta que já consegue “ver augúrios mais fixes”. “Acho que tenho trabalhado para isso, partilha”. 

Ainda que esteja no último ano da licenciatura, Pedro João Santos anda a “escrevinhar desde sempre”, tanto em “revistas que inventava quando era puto” como em “blogs farruscos” e “bordas dos cadernos”. No 12º ano juntou-se ao Espalha-Factos, no ano seguinte tornou-se editor; meses depois,  Rui Miguel Abreu desafiou-o a entrar no Rimas e Batidas — que considera a sua “verdadeira escola” —, para onde continua a colaborar de forma regular e, mais recentemente, escreveu duas peças para o jornal britânico The Guardian. Uma delas correu a Internet, já que era um perfil dedicado a António Variações, a “estrela pop queer de Portugal”. 

“É por causa disto tudo – a entrevistar artistas que conheci há um dia, a cobrir festivais sem dormir, a viajar de uma ponta à outra do país – que consegui desenvolver um estilo próprio. E talvez seja péssimo, mas existe. Já me sinto bem com boa parte do que faço”, diz Pedro João.

Magda Cruz, recém-licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), é também um dos casos para quem o entusiasmo foi sendo crescente — sobretudo “porque se tornou cada vez mais real”, nas palavras da própria. “Por ter construído o que vejo como um currículo forte e por me ter envolvido em projetos que mimicam um ambiente de trabalho real, não demorei a estagiar”, partilha. Neste momento, quase um ano depois de se ter licenciado, e depois de ter estagiado no Público e no SAPO 24, tem “a sorte de poder dizer” que irá integrar, em breve, uma redação. Acredita que é “o reflexo de todo o trabalho árduo durante a licenciatura na Escola Superior de Comunicação Social, e também de preserverança”.  

“É preciso ter iniciativa, mostrar capacidades através de trabalho. Para além de plataformas de trabalho darem ajuda, o determinante para mostrar o meu trabalho penso que foi ter um site com tudo organizado. É um conselho para os jovens estudantes de qualquer área: tenham um site e sejam originais na forma como se expõem”, partilha com o Gerador, mas também com jovens jornalistas que a possam estar a ler.  Ao longo do seu percurso, Magda coordenou o jornal 8ª Colina, a equipa de reportagem da ESCS FM, o Repórter 360, integrou projetos como o  REC - Repórteres em Construção, e criou o podcast de literatura “Ponto Final, Parágrafo”. O podcast ganhou uma dimensão além do contexto académico — tanto é que continua a fazê-lo — e, tanto através desse formato como nos restantes que coordena, ganhou “ferramentas para poder chegar junto de um empregador e dizer — ‘Estou mais que pronta. Quando posso começar?’ ”, como explica ao Gerador

A determinação foi sendo, também, crescente: “em brincadeira, eu e os meus amigos dizíamos que já trabalhávamos antes sequer de estar no mercado de trabalho. Isto porque tínhamos bem definido o que queríamos ser — e sabemos que não queremos ser apenas mais um ou uma jornalista.” Mas não é por ser determinada que Magda não tem uma postura crítica quanto aos lugares que existem para jovens jornalistas: “acho que a capacidade de absorção das redações, ligada com a falta de dinheiro no Jornalismo, é o principal entrave”, diz Magda. 

“Se um jornal precisar de um profissional vai preferir contratar alguém com experiência, preferencialmente, porque formar um estagiário dá trabalho, apesar de poder ser mais barato. As redações fazem as contas porque tempo é dinheiro. E, nestes tempos, o Jornalismo é muito rápido. Numa reportagem que fiz no 2º ano de faculdade, o diretor do Público dizia-me que hoje é mais difícil ser estagiário por causa dessa rapidez de que eu falava. Temos de ser esponjas e absorver tudo.”

Estar integrada em projetos de jornalismo académico permitiu a Magda tornar tudo "mais real" / Fotografia do episódio 13 de "Ponto Final, Parágrafo" com José Ribeiro

Luzia Lambuça, colega de Pedro João, conta ao Gerador que "contrariamente ao que muitos dos [meus] colegas sentem, o entusiasmo em seguir jornalismo é muito maior agora do que no começo da licenciatura". Neste momento a estagiar na Mensagem de Lisboa, OCS recentemente lançado, diz que muito deve aos seus "colegas, aos professores, a Lisboa - e à FCSH", já que foi através de todos estes elementos que portas se abriram. "Foi pela via da faculdade que consegui o meu atual estágio e reconheço que isso é um privilégio que a academia fornece ao ter uma relação com as entidades competentes. É quase uma linha de montagem: somos recebidos, preparam-nos, entregam-nos aos outros, fazemos umas coisinhas de borla (no meu caso, com deleite), aprendemos... e depois? É uma incógnita."

No estágio que está a fazer neste momento, é "feliz". "Faz-me crer que trabalhar sem abdicar dos meus ideais é possível. E tanto estas como outras reportagens que pude desenvolver ao longo da licenciatura têm me dado a luz verde de que escolhi o caminho certo, coisa que não sabia quando estava mesmo a começar", diz Luzia.

Luzia está no último ano de Ciências da Comunicação na FCSH

A falta de oportunidades em estágios é um dos principais pontos apontados por Soraya que, até agora, não conseguiu nenhuma oportunidade. “Já terminei o curso vai fazer um ano e, quando tentei procurar trabalho na área, a resposta que me davam era que não tinham como contratar mais gente. Não é que não precisassem de contratar pessoas, mas não há dinheiro para manter um jornal aberto, não há dinheiro para contratar pessoas. Eu acho que há necessidade de pessoas novas, mas o jornalismo está enfraquecido, no sentido em que as pessoas não compram jornais, não procuram, então está a perder o poder que tinha antigamente”, partilha a recém-licenciada, a partir do Porto. 

No caso de Soraya, que sempre foi trabalhadora-estudante, não sobrava muito tempo para que se pudesse dedicar a projetos extra ao trabalho que já tinha para o curso. E é também por isso que nos dias correm não pode, nem quer, aceitar vagas extremamente precárias ou períodos não pagos. “Infelizmente, as condições que existem para os recém licenciados são poucas: gratuitidade do trabalho, fazer atualidade, cobrir buracos de outros jornalistas e excesso de horas de trabalho”, diz Carlota a partir de Lisboa, mostrando que, de facto, as condições oferecidas no início podem ser bastante precárias. 

“A questão dos estágios é alarmante. Quem acaba a licenciatura apenas quer poder ganhar a sua experiência através do contacto real com aquilo que é ser jornalista. As condições que nos propõem são miseráveis. Este ano fui recomendada, por um colega meu, a um jornal. Estavam a procurar alguém para uma secção que era exatamente o que eu procurava para iniciar a minha experiência. Aquando a entrevista, pediram-me que, mesmo já tendo terminado a minha licenciatura, pedisse à faculdade onde terminei o meu curso um documento que fizesse com que aquele estágio fosse curricular, ao invés de profissional”, partilha Carlota Portugal. “Estavam a pedir-me que arranjasse forma de fazer um estágio curricular quando, na verdade, tinha tudo aquilo que era necessário para fazer um estágio profissional.”

Luzia está a fazer um estágio curricular, uma vez que ainda se encontra no último ano de licenciatura. Não é um trabalho pago, e não se importa porque lhe trará frutos, mas sabe que é "um privilégio". "Estou a trabalhar - com o que gosto, é certo - de borla, e isso é um privilégio. Na medida em que só pessoas privilegiadas o podem fazer. Dependo dos meus pais para morar em Lisboa e pagar as minhas contas e não tenho capacidade de me auto-sustentar, nem prevejo vir a tê-la tão cedo neste ramo. Aliás, temo que, entre mestrados, formações e estágios não pagos, venha bem mais tarde que o suposto. E isso apoquenta-me porque se, por um lado, preciso de viver em Lisboa para fazer o que faço, por outro, quero ser financeiramente independente, e o dinheiro dos meus pais não dura para sempre", conta ao Gerador.

Apesar de ir fazendo "trabalhos de freelance rascos na área do marketing digital e gestão de redes sociais para tentar ajudar com as contas", Luzia teme que tenha de o fazer durante muito mais tempo para colmatar a falta de oportunidades.

Para obter a Carteira Profissional de Jornalista, cada jornalista tem de ter um período de estágio de 12 meses num OCS, ou em vários, para onde trabalhe na área do jornalismo como atividade principal. Para quem vem de outros cursos, este período sobe para dezoito meses. Desta forma, um recém-licenciado que não tenha um lugar que o aceite para esse período de estágio, como é o caso de Soraya, fica automaticamente com algumas portas fechadas. Quanto a isso, Magda diz que acha que “podia ser repensada a obrigação de um estágio de 12 meses antes de um recém licenciado se tornar jornalista”. “O estágio (ou estágios) muitas vezes são uma forma de exploração do recém licenciado ao lhe pagar menos do que o seu nível de ensino lhe devia proporcionar. Cabe a cada um aceitar ou recusar estágios mal pagos, que dão vantagem a pessoas em melhores condições financeiras. Repara que não ficaríamos sem uma aprendizagem na nova redação porque é preciso integrar nas equipas os recém licenciados ou seja quem for”, acrescenta, na linha do que Soraya, Carlota e Luzia tinham dito. 

Carlota Portugal está, neste momento, a tirar um mestrado na FCSH

Reestruturar e repensar: a diferença tem de partir de dentro

Magda é, no geral, uma pessoa otimista. Olha para o jornalismo português como um exemplo — “acho que é bem melhor do que as pessoas o pintam”, diz-nos — e acredita que tem “sabido reinventar-se, adaptar-se às mudanças, interagir com o público e mostrar-lhes as notícias sem esperar que o leitor, espectador ou ouvinte vá à procura”. Vivendo numa era tão tecnológica, sabe que os jovens da sua geração têm “muito a dar ao jornalismo” e que lhes cabe “ser pró-ativos, sugerir novas formas de contar histórias (porque é isso que é Jornalismo) e contribuir com o conhecimento fresco com que saímos do ensino superior”. “Temos muito a aprender com os colegas mais experientes, mas isso não invalida que possamos ensinar também. É uma questão de estar abertos a essas sinergias, sendo sempre humildes. Afinal, nós somos a base.” 

Para Magda, “é preciso ir mais à procura das notícias e não ler/ver/ouvir [apenas] as que nos interessam”. Para Soraya, o foco dos jornalistas e editores precisa de ser mais alargado. “Acho que o jornalismo português está muito acomodado. Tu vês uma ou outra reportagem diferente, uma ou outra tentativa de olhar para um tema de forma diferente e são poucas, é quase tudo no mesmo formato. São sempre os mesmos rostos, a mesma narrativa. Não estou a dizer que tem de ser um espetáculo, mas a sociedade portuguesa está tão diferente do que era há 30/40 anos atrás, e o jornalismo não representa isso. Eu sinto que certos grupos não existem na comunicação social, não têm voz; é como se eles não existissem. E a sociedade portuguesa não é a mesma. Eles não sabem quem são os portugueses, no geral. Sinto que quando vejo o telejornal, de certa forma, não sinto que estão a falar para mim enquanto mulher negra. Sinto que estão a falar para uma massa, mas não é uma massa na qual eu estou inserida.”

Soraya queria “espaço no jornalismo para novas vozes e pessoas que queiram reinventá-lo”. Carlota concorda e acrescenta que “é preciso dar lugar não só a jovens, com preocupações diferentes, na parte da redação, como abrir espaço para novas mentalidades para o design dos jornais”. “Vivemos na era das tecnologias, da rapidez da informação, e , mesmo assim, inúmeros jornais permanecem com uma atitude de inadaptação. É preciso alterar as plataformas, torná-las modernas, dinâmicas, apelativas e interessantes. Só consigo ver esta preocupação no Público e na maioria dos jornais independentes. O jornalismo [português] está a evoluir a um passo muito lento para as alterações do mundo”, acrescenta Carlota.

No caso português, Pedro João acredita que “é importante saudar os projetos que se batem por um jornalismo tão isento quanto possível, aquele que defende quem não tem voz, aquele que vai de porta em porta”, mas sublinha que “seria bom abrir a secção de opinião e não ver uma maioria de homens brancos e caducos” porque, como Soraya dizia também, “isso não é Portugal”. O maior entrave na entrada no mercado de trabalho é, à partida, “a consciência de que vamos para um meio movediço e de poucas garantias”. “Se o antigo modelo de negócio do jornalismo falhou, acho que precisamos de entender como o investimento público pode mudar isso; principalmente ao nível do jornalismo local, que precisa de reanimação”, diz o estudante. 

Pedro João tem escrito sobretudo sobre música para o Rimas e Batidas

E, mais uma vez em concordância com Soraya, tem a certeza de que é urgente as redações terem equipas diversificadas, incluindo “pessoas racializadas e marginalizadas”, “sem desculpas”. “Cabe às instituições encetarem relações de mentoria e formar quem quer saber e só ainda não teve oportunidade”, acrescenta Pedro João.

Luzia Lambuça acredita que se deve dar destaque a "projetos de jornalismo de vanguarda a florescer a nível nacional", "todos ou quase todos concebidos e coordenados por jovens", o que lhe faz crer que os jovens estão a reivindicar o seu espaço e a querer mudar o que não está bem. Mas não deixa de pensar no outro lado: "é uma lufada de ar fresco revigorante e consistente, embora com aspeto periclitante (daqui a 2 anos, ainda estarão de pé?), a remar contra o agravamento do imediatismo sensacionalista a que assistimos a nível global. Mas não deixo de pensar como estes projetos são nichados e em que condições os jovens embarcam no mercado de trabalho jornalístico, principalmente em jornalismo televisivo, para singrar na profissão."

Pelo caminho, há quem vá desistindo ou pensando noutras possibilidades, quando parece não haver espaço para si. Magda lança o alerta: "esta falta de lugares no Jornalismo canaliza bons futuros jornalistas para outras profissões, o que pode ser bom porque vão beber a outras áreas, mas nunca sabemos como seria o percurso dessa pessoa". 

Porque o jornalismo deve, ou tem de, acompanhar os tempos que vivemos, as novas gerações procuram órgãos de comunicação social que as queiram ouvir e integrar, que tenham em consideração o avanço da tecnologia e que considerem que a diversidade importa, e o tempo para pensar, procurar e escrever também. A mudança pode estar nas mãos deles; basta que lhes dêem uma oportunidade. 

Texto de Carolina Franco
Fotografia de Unsplash

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