Quem olha para a página de Instagram de @joselourenco, o instagrammer em destaque na Revista Gerador 28, encontra um arco-íris – não só de cor, mas também de criatividade. Entre alguns trabalhos e hobbies, na sua página, é possível encontrar imagens, vídeos e muita originalidade. Esta é uma história que começou há quatro anos.

«O José Lourenço é um rapaz de Lisboa, com 44 anos», começa por se apresentar na terceira pessoa. Nascido e criado na capital, o artista começou há pouco tempo a descobrir as novas tecnologias e a sua vantagem na facilidade em chegar às massas: «Sou artista plástico e há quatro anos que me tenho dedicado mais às redes digitais. Para além de artista plástico, sou animador de stop-motion.»

A sua ligação com o mundo da arte surgiu muito «naturalmente», quando ainda era novo. Começou «por gostar de desenhar e de fazer coisas, por sentir que tinha algo para transmitir». Foi aí que decidiu rumar à Universidade de Lisboa, onde tirou o curso de pintura. Não esperou pelo final do percurso académico para se envolver na área, pelo que, «no quarto ano da faculdade, já trabalhava em galerias».

Com a nova moda do Instagram, José Lourenço decidiu também aproveitar as funcionalidades desta plataforma de fotografias. Com quase 120 mil seguidores, o artista criou uma base de pessoas que apreciam e acompanham o seu trabalho. Mas, antes disso, foi o Instagram que reconheceu o seu trabalho: «O próprio Instagram divulgou-me por três vezes. Na primeira vez, falou sobre o tipo de trabalho que eu estava a desenvolver e foi aí que se deu o boom. A dado momento, comecei a fazer animação de stop-motion e, depois, as marcas quiserem que desenvolvesse trabalho enquanto pintor e animador.»

Além da página na rede social, o artista plástico alimenta um canal no YouTube com os vídeos criados. Para quem não sabe, os vídeos em stop-motion são uma técnica de animação com o objetivo de criar uma sequência de fotografias de algo inanimado para simular o movimento.

Entretanto, a vida também segue outros caminhos. «Ultimamente, tenho estado parado nas artes plásticas, mas vou voltar agora.» As inspirações ajudam muitas vezes no processo artístico e, para José Lourenço, «há sempre vários nomes» que o ajudam a transformar os pensamentos em imagens e vídeos. «No fundo, inspiro-me naquilo que me rodeia», revela, depois de momentos a refletir.

Na área da originalidade, os resultados dependem das ideias. «Há alturas em que a criatividade vem num ápice e, outras vezes, demora tempo», mas até isso pode ser trabalhado e melhorado com o tempo. «Por norma, a criatividade é algo trabalhoso, que demora a conceber. Depois de se ter uma ideia pensada, é fácil de desenvolver essa mesma ideia», diz.

Para José Lourenço, personalidade e estado de espírito são dois campos distintos. Considera-se uma «pessoa bem-disposta e alegre», com uma página de Instagram que pretende mostrar o lado mais divertido. Em contrapartida, o seu feed «reflete o estado de espírito, só às vezes». Como qualquer pessoa, há dias maus: «Todos temos momentos menos bons, mas tento não os transmitir.»

Para o futuro, há ideias e novos desafios. Apesar da arte plástica e da criação de vídeos em stop-motion, agora a pintura está a deixar saudades: «Eu quero desenvolver uma série de novas pinturas que estou a começar a fazer e quero tê-las prontas para expor no início do ano.»

Quanto à relação entre o público e os artistas plásticos, José Lourenço partilha uma avaliação positiva: «Podia ser melhor, mas ainda assim são valorizados.»

Este artigo foi originalmente publicado no número 28 da Revista Gerador, disponível numa banca perto de ti e na nossa loja online.

Texto de Gabriel Ribeiro
Fotografia de José Lourenço
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