No dia 25 de julho, o Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho foi atribuído pela primeira vez pela Associação Portuguesa de Escritores ao livro Existência de Gastão Cruz.

Nascido em Faro, em 1941, o poeta e ensaísta licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e trabalhou como professor do ensino secundário, tendo dirigido, ao longo de quase três décadas, a companhia Teatro Hoje, que ajudou a fundar, depois instalada no Teatro da Graça, tendo encenado peças de dramaturgos como August Strindberg e Anton Tchékhov, além do romance “Uma Abelha na Chuva”, de Carlos de Oliveira.

De 1980 a 1986 foi leitor de português no King’s College, na Universidade de Londres.

Esteve nas greves académicas, em tempos de ditadura, em particular na Crise Académica de 1962, da Academia de Lisboa, e entrou na Antologia de Poesia Universitária, ao lado de Ruy Belo, Fiama Hasse Pais Brandão e Luiza Neto Jorge.

Foi igualmente um dos redatores do jornal Grafia, da Pró-associação de Letras, no início da década de 1960, ao lado de Eduardo Prado Coelho e Fiama Hasse Pais Brandão. A publicação de resistência contou igualmente com colaborações de Sottomayor Cardia, Luísa Ducla Soares, Luiza Neto Jorge, entre outros, e só pelo “facto de existir já era resistir”, lê-se na página do escritor Mário de Carvalho, no Facebook.

Gastão Cruz é atualmente presidente da Fundação Luís Miguel Naval e dirige a revista literárias Relâmpago.

“O gosto pelo teatro e pelo mundo da poesia ‘empurra-o’ para a tradução de títulos dramáticos de, entre outros autores, Strindberg, Shakespeare e Cocteau”, bem como para a organização de recitais de divulgação poética, lê-se na biografia publicada ‘online’ pela Assírio & Alvim.

Já previamente premiado, Gastão recebeu pela primeira vez o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 2002, e o Grande Prémio de Literatura DST, em 2005. Em 2009, foi distinguido com o Prémio Literário Correntes d’Escritas. “Existência” já tinha sido um dos 12 livros finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no Correntes d’Escritas, o sucessor de “Óxido”, lançado em 2015.

A carreira enquanto ensaísta fica marcada pela publicação de “A Poesia Portuguesa Hoje”, em 1973, que atualizou seis anos depois numa segunda edição.

A primeira edição do Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho, teve como prémio monetário de 12 500€, patrocinado pela Câmara de Loures. Em comunicado, a organização expôs que a obra de Gastão foi vencedora com o voto do professor, ensaísta e poeta António Carlos Cortez e da professora Rita Patrício, enquanto o voto do escritor Fernando J. B. Martinho pendeu para A Noite Imóvel, de Luís Quintais.

Texto de Rita Matias dos Santos e Lusa
Fotografia de Art Lasovsky disponível via Unsplash

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