No âmbito do projeto “Não Brinques com o Fogo”, o Leirena Teatro apresenta já amanhã o último espetáculo ao ar livre “Sob a Terra”, na Larçã, Freguesia de Souselas e Botão, em Coimbra.

O espetáculo “Sob a Terra” foi uma das propostas selecionadas no âmbito do projeto-piloto “Não Brinques com o Fogo” promovido pela Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais e pelo Ministério da Cultura. Sob a operação da Direção Regional da Cultura do Centro, o Leirena Teatro apresentou o espetáculo ao ar livre em quatro municípios: Coimbra, Ourém, Penacova e Vila Nova de Poiares.

Entre os envolvidos neste projeto estiveram o dramaturgo Luís Mourão, responsável pelo estrutura dramatúrgica da peça e o processo criativo, o artista plástico Nuno Viegas, a artista Débora Umbelino (Surma), o realizador Álvaro Romão, responsável pelo documentário que regista o processo criativo, e Frédreric da Cruz, Diretor da Companhia de Teatro de Leiria e encenador da peça. Este último conta em entrevista ao Gerador que “apesar da pandemia e de todos os efeitos negativos que ela causou à cultura em Portugal, a equipa Leirena Teatro não baixou os braços”. Assim, quando tiveram conhecimento da candidatura através da Direção Regional da Cultura do Centro, e pela promoção da comunicação social, “vimos que era uma excelente forma de combater um problema real que são os incêndios e desenvolver um consórcio artístico que pudesse unir criativos e técnicos da região que estavam mais que motivados para fazer acontecer”.

Assim nasceu o “Sob a Terra”, “um espetáculo de intervenção para público geral cujo objetivo é minimizar comportamentos de risco que possam causar incêndios florestais”, afirma o encenador. Realça que “o importante é que o público perceba que tanto os incêndios florestais e as alterações climáticas são efeitos causados pela ação do homem e que estamos constantemente a ser avisados”, pelo que “se continuarmos com a mesma conduta, elas deixam de ser um aviso e passam a ser a verdadeira ameaça”.

Questionado sobre de que forma a cultura e as artes podem alterar comportamentos de risco e moldar mentalidades, mas sobretudo potenciar a reflexão para questões prementes como é o caso das alterações climáticas, a proteção do ambiente e do património, Frédéric da Cruz afirma que “a arte está cá para nos provocar, para nos pôr em causa, para refletirmos acerca de comportamentos num mundo onde não vivemos só. Por isso, ela pode alterar comportamentos de risco e moldar mentalidades. Ela sempre o fez, no combate à violência, ao fanatismo e às armas. Mas agora o termo não pode ser “combater”, mas sim “prevenir”. Se a arte é uma ferramenta poderosa na prevenção? É, sem dúvida. É necessário acreditar no artista e deixá-lo criar”.

O Leirena Teatro apresenta amanhã, dia 17 de outubro, o último espetáculo. A mini-tournée apresentada pelo grupo tem tido uma “receção fantástica do público e dos autarcas da região”. Nem o frio, nem a covid-19 têm impedido o público de participar: “Os espetáculos são à noite e realizados na rua e mesmo com o frio do outono as pessoas com as suas mantas não querem perder o espetáculo. E isso dá-nos uma gana enorme de repetir e repetir o Sob a Terra”.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Fotografia de Carlos Gomes