Dia 29 de outubro o Linha de Fuga encerra a programação em Coimbra. O espetáculo de dança contemporânea da coreógrafa Vera Mantero e do “construtor sonoro” e cénico Jonathan Uliel Saldanha acontece às 21h30, na Oficina Municipal de Teatro, Coimbra.

Descrito como um “recital híbrido”, o espetáculo nasce de um encontro colaborativo, no qual os artistas, de forma enigmática, “propõe-nos uma viagem a um outro espaço mental, um lugar de todos os monstros possíveis”, como se pode ler no comunicado.

Procurando um lugar onde a dança pode levantar questões em relação ao lado mais obscuro do ser-humano, podemos ler ainda que Vera e Uliel começaram por trabalhar “a ideia de um corpo que se modifica e que se deforma até ao irreconhecível. Corpos invadidos por fungos que os transformam até à dismorfia.”

Peça “Esplendor e Dismorfia”, fotografia de Pedro Figueiredo

É sob esta perspetiva que os artistas voltam-se para “Le Monstre dans l’Art Occidental”, um livro de Gilbert Lascaul, que surge no início da peça e se faz ouvir através da “voz metalizada” de Vera.

Pensado para um programa Vive le Sujet! da 73.ª edição do Festival d’Avignon (2019), o espetáculo passou pelos palcos do festival GUIdance, em Guimarães. Agora, adaptado para um sala de espetáculos, encerrará o Linha de Fuga 2020, em Coimbra.

“Esplendores invisíveis. Híper-futuro e híper-passado. Entre a dismorfia, o sol e a carne.”, é assim que Vera Mantero e Uliel Saldanha se fazem ouvir e desenham o movimento nas suas mais diversas formas.

Peça “Esplendor e Dismorfia”, fotografia de Pedro Figueiredo

Quase na reta final, o festival que tem vindo a ser uma “afirmação de resistência” , abordou diversas temas dedicados à democracia e à sua forma de pensamento e conceito; pensou sobre “a importância do anonimato. da desistência do ego, do centralismo e do protagonismo”; questionou a “responsabilização dos artistas pela partilha de seus trabalhos com a população e sobre as formas de estar juntos diminuindo as desigualdades e convidou ainda a comunidade a participar em atividades que “implicaram pensar a importância do espaço público para a construção do bem comum: o espaço da democracia.”

Estas dinâmicas, atividades e espetáculos apresentaram:

O Laboratório:

  • 3 oficinas de criação, 3 oficinas de práticas artísticas
  • 1 Masterclass,
  • 2 processos artísticos dentro do laboratório desenvolvidos em ligação com a cidade,
  • 1 conversa sobre Democracia
  • 3 line-ups de música inspirados no tema Democracia
  • 4 Grupos Satélites que interagiram com os artistas e a programação do laboratório e do festival
  • 13 apresentações de processos dos artistas do Laboratório, de entre todos os 14 participantes presentes
  • 3 artistas a participar à distância pela impossibilidade de sair dos seus países

O festival na íntegra:

  • 6 espetáculos programados
  • 18 espaços ocupados em Coimbra:
  • Entidades apoiantes e uma organização que permitiu toda a construção do festival
Texto de Patrícia Silva
Fotografia de Pedro Figueiredo

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