“O fogo só terminou quando não havia mais que arder."

É com os grandes incêndios de Outubro de 2017, que começa a peça que se propõe a analisar questões “do trauma e da catástrofe”. Luto é o título do espetáculo promovido pela CRL – Central Eléctrica, que estará em cena na 44.ª edição do FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, nos dias 4 e 5 de maio.

Este projeto transdisciplinar tem direção artística de André Braga e Cláudia Figueiredo, e foi criado em residência artística na vila de Tábua, província da Beira Alta. O trabalho foi desenvolvido a partir de testemunhos do grande incêndio que teve início a 15 de outubro de 2017, na região Centro, mas não se esgota nessa dimensão e pretende abordar “dimensões que ultrapassam a esfera local do incêndio e lançam um pensamento e questionamento mais amplo”, segundo comunicado enviado ao Gerador.

A peça explora “a dupla significação do termo ‘luto’, enquanto processo de lidar com a perda – de vidas humanas, de memórias, de espaços físicos – e enquanto verbo lutar – resiliência e empenho das populações e da natureza por imaginar outros futuros”.

“A violência extrema do fogo e a sensação geral da proximidade do apocalipse só podiam fazer-nos colocar a questão algures na eminência do Fim, quando fica claro que é urgente uma nova filosofia, um novo pensamento, um ser político radicalmente diferente”, lê-se ainda na mesma nota.

A dramaturgia é de Cláudia Figueiredo com o apoio de Gonçalo Mota, e a interpretação está a cargo de Diogo Martins, Diogo Peres, Gil Mac, Mafalda Saloio, Odete Claro, Paulo Mota, Soraia Cavaco e Valentina Parravicini.

As apresentações acontecerão hoje, pelas 20h30, no Centro Cultural e Desportivo Zé da Micha, em Vila Nova de Gaia. O trabalho insere-se na Rede Artéria, um projecto com coordenação artística do Teatrão e foi co-financiado por Portugal 2020.

Local: Centro Cultural e Desportivo Zé da Micha, Vila Nova de Gaia
Horário: 20h30
Preço: 5,00€

Fotografia de José Caldeira