Passou pelo teatro, pelo cinema e pela televisão. Margarida Pinto Correia é reconhecida como jornalista e atriz, sendo que desde 2017 assume a direção da área de Inovação Social da Fundação EDP. Há, aliás, uma experiência muito presente de intervenção social no seu percurso, que a levou a aceitar prontamente o desafio de ser fotografada por Rúben Caeiro para a obra fotográfica “CH2 = CH2”, publicada na Revista Gerador 27, juntando-se a Patrícia Mamona, Chef Kiko, Rui Unas, Benedita Pereira e Albano Jerónimo.

Margarida Pinto Correia nasceu a 30 de abril de 1966. Aos 16 anos viveu a sua primeira experiência de teatro, ao participar numa peça do Teatro da Cornucópia, e no cinema, ao entrar no filme Dois Mundos, de Luzia Maria Martins. Estudou nos Estados Unidos e após quatro anos foi convidada a trabalhar no jornal semanário de espetáculos Sete. Posteriormente passou pela rádio, mas é na RTP que se notabiliza através de vários programas que apresenta.

Em entrevista ao Gerador, Margarida Pinto Correia manifestou a sua vontade de “alertar” para a problemática da poluição dos plásticos. “Estamos a estragar a nossa casa irremediavelmente”, sustenta. No seu entender é preciso “liderar pelo exemplo” e fazer a diferença baseada na ação, num caminho que, refere, é de cada um. “Se eu não fizer, ninguém vai fazer por mim. E amanhã não estará feito. E depois de amanhã estará instalado. Válido para uma pastilha elástica ou para hábitos profundos, regulares e sistemáticos. Façam perguntas. Questionem os serviços públicos, eleitos por todos nós (foram?), dêem o exemplo a todos à vossa volta”, conclui. 

Gerador (G.) — Recentemente participaste na obra fotográfica do Rúben Caeiro, publicada no número 27 da Revista Gerador. O que é que te levou a aceitar esse convite?
Margarida Pinto Correia (M. P. C.) — A absoluta vontade de gritar alerta. E o veículo proposto, sob o olho do Rúben Caeiro. Tudo a conjugar-se para o efeito que desejo sempre: alerta. Estamos a estragar a nossa casa irremediavelmente. E ela é finita. Não temos o direito de fazer isso aos nossos netos…

G. — Estando a temática relacionada com a poluição e os malefícios da utilização do plástico, acreditas que ainda há um trabalho a fazer na sensibilização das pessoas para estes assuntos? Porquê?
M. P. C. — Imenso trabalho. Por distracção, por ignorância, por preconceito, por conforto, por preguiça, mais uma vez por ignorância. A população mundial tem mil razões para estar atrasada neste processo, mas nenhuma delas fará regressar a qualidade do nosso ar e das nossas águas. Por isso, temos de parar de lamuriar ou acusar, e passar a permanentes acções de aconselhamento, informação, conhecimento e acção. Muita acção. Liderar pelo exemplo sempre. A qualquer momento. Quando ninguém está a ver também!

G. — Em que sentido é que achas que o facto de seres conhecido pelos portugueses pode contribuir para uma maior sensibilização deste assunto, associando-te a estas causas?
M. P. C. —  Dá-lhe contexto. Nalguns casos provoca curiosidade, noutros atenção. Se alguém não nos fica indiferente, então vai tentar perceber. E se a nossa imagem for positiva, tentarão perceber porque é que nos envolvemos. O que é que a temos a ver com isso. E acabarão por estar dentro do conhecimento quase sem dar por isso. Fundamental. Advocacy também pode começar por aqui.

G. — Este é um tema que já entrou na agenda política nacional? O que é que falta fazer?
M. P. C. — Já entrou. Entrou no politicamente correcto, e nalguns casos, na atitude de facto. Mas está muito por fazer. 2020 vamos ter Lisboa Capital verde da Europa, pode ajudar. Tudo ajuda. Vamos ter o Planetiers World Gattering. Vamos continuar a ter vários exemplos de civismo proactivo, voluntarioso e autónomo como a Brigada do Mar. Temos cada vez mais artistas a intervir nesta área, na escrita, na musica, nas artes cénicas e plásticas — em enormes murais e em pequenas composições. O tema já é de acesso comum, mas o problema não é o tema. É cada um perceber que sim, eu faço a diferença. E sim, depende de mim. E sim, se não pararmos já, se não mudarmos já, os objectivos 2030 não serão para manter como está, serão para sobreviver mal num mundo empestado e pouco funcionante, com a absoluta assinatura, pela primeira vez numa geração só, de assassinos.

G. — A fotografia imortaliza a tua relação com este tema, mas se tivesses de reunir algumas dicas, o que dirias? 
M. P. C. — Acordem. Ajam. Não se iludam nem descansem. Não acusem os outros, não rabujem com
clean washing, green washing, goodwill washing – é o caminho empresarial e político. Mas o nosso, de cada um de nós, é de cidadania activa. Se eu não fizer, ninguém vai fazer por mim. E amanhã não estará feito. E depois de amanhã estará instalado. Válido para uma pastilha elástica ou para hábitos profundos, regulares e sistemáticos. Façam perguntas. Questionem os serviços públicos, eleitos por todos nós (foram?), dêem o exemplo a todos à vossa volta. Ser diferente, neste caso, é sinónimo de ser consciente. E de estar verdadeiramente clarividente sobre o que herdamos e o que fazemos com isso, num património comum, inestimável mas, repito, finito.

“CH2 = CH2” foi publicada na Revista Gerador 27. Ao longo desta semana serão publicadas entrevistas a diferentes intervenientes da obra fotográfica de Rúben Caeiro, com o objetivo de perceber qual a sua visão no que toca ao panorama atual da utilização dos plásticos e às medidas que têm sido sugeridas e implementadas. Podes recordar a entrevista ao fotógrafo aqui , a Patrícia Mamona aqui, Rui Unas aqui e ao Chef Kiko aqui.

Texto de Carolina Franco e Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Rúben Caeiro

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