Planos de contingência, uso de máscaras, realização de isolamento profilático e medição de temperatura são algumas das medidas recomendadas para a produção de cinema e audiovisual em Portugal, em tempo de covid-19, ontem reveladas.

A Portugal Film Commission publicou ontem um guia com “orientações para filmar em Portugal”, tendo por base recomendações da Direção-Geral da Saúde, em matéria de regras de segurança, de distanciamento obrigatório e de higiene por causa do novo coronavírus.

De acordo com o documento, as empresas produtoras de cinema e audiovisual têm de criar, implementar e divulgar planos de contingência antes de cada projeto e “para imediata atuação caso exista suspeita ou se detete algum caso positivo de Covid-19”.

Às produtoras é recomendado que evitem filmar “cenas que impliquem um grande aglomerado de pessoas no mesmo local” e “que acarretem contacto físico direto e pessoal entre atores”.

Se tal não for possível, pela dimensão do projeto ou porque impliquem “contacto físico direto e pessoal” entre atores, ”é altamente recomendado que os atores intervenientes provem o seu estado de saúde”.

Segundo o guia, antes do início das rodagens, os atores devem demonstrar que cumpriram um período de 14 dias de isolamento ou que fizeram teste à covid-19.

No local das filmagens devem existir “termómetros contactless, através dos quais possa ser efetuada medição de temperatura, sem registo de quaisquer dados obtidos”.

É recomendada ainda a “separação das equipas técnicas” para que não estejam muitas pessoas no mesmo espaço, e colocação de máscara para todos, com exceção do momento em que os atores estão a filmar.

Os planos de contingência devem ser adaptados às características de cada projeto e devem ser partilhados “com as empresas fornecedoras de serviços que acedam ao local de filmagem”.

Há ainda protocolos específicos e detalhados, por exemplo, para as áreas de guarda-roupa e caracterização, indo ao pormenor de recomendações para o uso de batons e rímel: “Não podem ser reutilizados em pessoas diferentes, devendo ser privilegiados, sempre que possível, aplicadores descartáveis”, lê-se.

“O departamento de guarda-roupa deve proceder à limpeza e higienização do seu equipamento, bem como do vestuário utilizado pelo elenco, de forma regular. (…) A roupa pessoal dos atores deve ser manuseada e colocada em sacos pelos próprios”, lê-se no documento.

Este guia é publicado no dia em que a Plural Entertainment e a estação de televisão TVI anunciaram que vão retomar, na segunda-feira, as gravações das novelas que foram interrompidas em março por causa da covid-19.

“Na semana que antecede o início das gravações serão efetuados testes de despistagem a todos os colaboradores da Plural”, será medida a temperatura aos trabalhadores duas vezes por dia e no local estará “um profissional de saúde diariamente”, referem em comunicado.

Na semana passada, num pedido de esclarecimento ao Instituto do Cinema e Audiovisual sobre o retomar de atividade no setor do cinema e audiovisual, depois de dois meses paralisado, fonte do organismo disse à Lusa que as rodagens canceladas entre março e abril deveriam ser retomadas nos meses de verão, mas sujeitas a confirmação.

Segundo a mesma fonte, entre as produtoras subsistem ainda dúvidas sobre, por exemplo, como dar continuidade a produções que exijam viagens para locais fora de Portugal.

Os procedimentos no regresso às rodagens e às salas de cinema foram um dos pontos abordados por realizadores e assistentes de realização na reportagem “No escuro de cada sala, escondem-se os planos do futuro do cinema” , publicada no sábado passado no Gerador, no contexto da investigação semanal sobre a cultura em tempo de pandemia. Em entrevista ao Gerador, Hélder Silva, realizador, falava da urgência de se lançarem as diretrizes “por parte de quem manda” para se poder voltar ao trabalho.

No Reino Unido, as diretrizes também foram lançadas em moldes semelhantes aos de Portugal. De acordo com o Screen Daily, que cita o guia disponível no site do governo britânico, todos os locais de trabalho, incluindo os da indústria cinematográfica, devem “garantir que os empregados mantenham dois metros de distância uns dos outros e lavem as mãos frequentemente”.

Relembre-se que, de acordo com as medidas de desconfinamento avançadas pelo Governo português, as salas de cinema podem reabrir a partir do dia 1 de junho.

Texto de Lusa e Carolina Franco
Fotografia de Sam McGhee disponível via Unsplash
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