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Opinião de Rodrigo Sousa

Nosso querido mês de agosto

Nas Gargantas Soltas de hoje, Rodrigo Sousa fala-nos sobre como a época dos bailes populares é um reflexo das memórias e reencontros mas também de tudo o que falta fazer pelo interior a dentro.

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Os meses passaram a correr. Quando demos por nós, estávamos rodeados perante o mês de agosto, altura dos míticos bailes populares. Uma época festiva onde se demonstra a resiliência de tantas coletividades e grupos que ano após ano, apesar de todas as dificuldades orçamentais e logísticas, montam aqueles que são os palcos dos reencontros e dos abraços adiados. Tudo por amor ao território, numa força motriz única que move toda a comunidade. Horas de cansaço e trabalho voluntário pela comunidade que se traduzem em míticos dias de festa. 

E não há época mais bonita que esta: as gerações juntam-se, há uma harmonia única pelo ar e noite após noite os sorrisos vão ficando na memória. Isto sente-se especialmente no interior: vilas e aldeias ganham a vida que outrora tiveram, tornando os espaços comuns que conhecemos em espaços novos que parecem utopias de tão surreais que são comparados com o quotidiano ao qual nos acostumámos. 

Apesar de ser uma época única, toda esta efemeridade não devia ser um cenário distante ano após ano: o investimento cultural que acontece nestes territórios a nível de coletividades e cultura local devia ser uma realidade contínua, com o devido reconhecimento da importância destes eventos para o nosso território, ao mesmo tempo os abraços adiados não deviam continuar a ser adiados pela distância. 

O interior não devia estar subjugado a uma dinâmica de atividade temporária em certas alturas do ano, quando fora disso é remetida a um papel silencioso e onde a desertificação é cada vez mais incentivada. Após uma geração de massiva emigração que Portugal não conseguiu captar e reconquistar, voltamos a viver hoje novamente um novo cenário de perda de jovens para territórios além fronteira — perpetuando um ciclo que devíamos evitar. 

Se o fim do sonho é nos vendido como uma realidade, será este um dos motivos. Retirar a todo um território as suas pessoas, as suas convicções e a sua força motriz é o primeiro passo para a perpetuação de um clima de estagnação onde quem quer ficar, não tem condições para tal. Nem serviços públicos, nem transportes públicos, nem habitação. Como pensar um território que perde a sua alma e que depende de memórias e de reencontros temporários? Ficar perante tudo isto, é uma ideia radical — se não mesmo impossível. 

Que se aproveite esta época do ano para os sorrisos de sempre, mas com o pensamento de que tudo poderia ser diferente — houvesse vontade política. E que Agosto esteja sempre cá para criar as memórias que nos fazem tanta falta.

-Sobre Rodrigo Sousa-

Carinhosamente apelidado de serrano inquieto, apaixonado pelos vales da Beira Alta que o viram nascer e crescer. Do e para o interior, orgulhosamente educado pela escola pública. Neste momento a continuar a aventura pelas Beiras, desta vez na cidade de Coimbra onde estuda Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Texto de Rodrigo Sousa
*As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.*

As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

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