No dia 28 de novembro assinalam-se 80 anos desde a estreia de Eunice Muñoz, em palco e como atriz. Iniciando-se no Teatro Nacional D. Maria II, a 28 de novembro de 1941, no espetáculo "O Vendaval", encenado por Amélia Rey Colaço, agora, comemora-o com "A Margem do Tempo".

Com 93 anos, a artista volta a subir ao palco da Sala Garrett, para apresentar o espetáculo com o qual tem estado em digressão, durante este ano, e que marcará a sua retirada dos palcos.

A Margem do Tempo é uma encenação de Sérgio Moura Afonso do texto de Franz Xaver Kroetz, onde Eunice Muñoz é acompanhada em palco por Lídia Muñoz, sua neta e colega de cena, num espetáculo íntimo e sem palavra. "Avó e neta contracenam ao som de uma banda sonora original do Maestro Nuno Feist, confrontando-nos com várias reflexões sobre a solidão, a mulher, e o nosso contemporâneo", lê-se em comunicado.

Ao longo de sessenta minutos, assiste-se a texto que se revela uma longa didascália, sem diálogo e sem monólogo, onde Senhora Rasch, personagem partilhada pelas duas atrizes em cena, nos convida a assistir ao seu fim de tarde num dos seus dias repetidos igual a todos os anteriores.

A sessão decorrerá pelas 16h, e contará também com uma homenagem a Eunice Muñoz, assinalando os seus 80 anos de carreira e o dia em que se estreou no Teatro Nacional D. Maria II.

Assumindo-se como uma despedida, o espetáculo é também o passar de testemunho a Lídia Muñoz, "em quem tem o desejo de ver continuado o seu nome numa carreira de teatro".

Texto por Patrícia Silva
Fotografia de Alípio Padilha

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