Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Os Sentidos da Música com Ana one man band

Ana é uma capicua, o círculo que se repete e se lê da mesma forma…

Texto de Margarida Marques

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Ana é uma capicua, o círculo que se repete e se lê da mesma forma mesmo quando o queremos inverter. Para o vimaranense Gabriel Salgado significa a “ repetição e a inversão; a mudança e a evolução.” Por isso mesmo, e por se identificar com esse significado, não teve pejo em escolher este nome feminino como alter ego musical. Em Janeiro de 2017 lançou, então, o seu primeiro EP, ‘Abril’, e no passado mês de Novembro o álbum ‘Um’. O lado instrumental e a forma como faz proveito das harmonias e acústicas é o que sobressai da sua música. Mas, e até porque tudo vale a pena quando a alma de uma ANA não é pequena, chegou, então, a hora de conhecermos os ‘Sentidos da Música’ do Gabriel.

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Penso que é algo que depende de músico para músico e dos seus métodos criativos como interpretativos. Mas, para mim, tanto a emoção como o racional acabam por se complementar. A música é uma forma fantástica e equilibrada para expressar isso mesmo.
No entanto, esse equilíbrio pode ser quebrado com os excessos. Se pensar demasiado no que quero transmitir, o sentimento não será genuíno. Se não pensar de todo como executar algo, a emoção, para mim, acabará por não ser sincera ou coerente.
Já por isso é que considero a prática essencial. Assim, posso atingir uma maior eloquência a nível performativo como posso ter uma maior harmonia nas emoções que são transmitidas.
Contudo, existem bastantes fatores que influenciam toda uma performance como o ambiente em que estou inserido, o tipo de público que me está a ouvir como o estado emotivo que me encontro no momento, que não são fáceis de controlar.

Qual é ou quais são as músicas que fazem mexer o teu corpo?

Não tenho um género em específico. Diferentes músicas fazem-me sentir/mexer de maneiras diferentes.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda - a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa inconsciência?

Sinto que existe uma grande relação entre o nosso inconsciente e a música.
É, realmente, impressionante como a partir de sons podemos, logo, criar uma imagem mental que acaba por definir o que estamos a ouvir, mesmo que nos falte palavras ou uma mera explicação para o descrever. A música acaba por marcar uma forte posição quando se materializa na nossa mente. Reflecte-se na nossa individualidade como uma luz num prisma, mostrando a nossa verdadeira natureza, sendo bastante intuitiva.
Num certo sentido dá a entender que não tem necessidade de ter um corpo físico, porque já é visível e palpável.

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Sim, costuma ser frequente.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Num fundo obrigatoriamente imenso e de cor preta onde, daí, sobressaíssem manchas de variadas cores, pinceladas de diversas formas, tanto mecânicas como harmoniosas. Num quase fiel aos de Jackson Pollock.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

É difícil para mim escolher uma só música. Mas a panóplia que tenho em mente teria uma mistura de todos os sabores, o que acaba por a tornar mais saborosa e interessante. Saber experimentar um bocadinho de tudo torna-nos mais sabedores e capazes na próxima degustação .

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Acredito que uma grande parte dos momentos mais marcantes da nossa vida são acompanhados por música. E mesmo que, conscientemente, não seja percetível, existe sempre alguma musicalidade no meio em que estamos inseridos -- inconscientemente esses momentos ficam sempre registados. Acredito, também, que quanto mais rica for a memória em relação à informação sensorial recebida, mais facilmente esta pode ser fixada.
Como exemplo, temos as pessoas que ouvem música enquanto estudam.
Pois o cérebro, estando só “ocupado” com a visão, tem uma maior tendência a dispersar e divagar. Assim, com mais um sentido (audição) ocupado, torna-se mais propício à cimentação de uma informação como memória. Um outro exemplo que posso referir é a música que é utilizada nos filmes, series e, maioritariamente, publicidades como catalisadora emotiva e, por conseguinte, reverte-se em algo mnemónico. Dessa forma, a música certa torna-se um bom veículo para a fixação de uma memória.

Entrevista por Ana Isabel Fernandes

Foto de Kate Leppert

Publicidade

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

11 Março 2024

Maternidades

28 Fevereiro 2024

Crise climática – votar não chega

25 Fevereiro 2024

Arquivos privados em Portugal: uma realidade negligenciada

21 Fevereiro 2024

Cristina Branco: da música por engomar

31 Janeiro 2024

Cultura e artes em 2024: as questões essenciais

18 Janeiro 2024

Disco Riscado: Caldo de números à moda nacional

17 Janeiro 2024

O resto é silêncio (revisitando Bernardo Sassetti)

10 Janeiro 2024

O country queer de Orville Peck

29 Dezembro 2023

Na terra dos sonhos mora um piano que afina com a voz de Jorge Palma

25 Dezembro 2023

Dos limites do humor

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Camila Romão sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0